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Falsificações D. Martin Lloyd-Jones




Falsificações
 
Autor: D. Martin Lloyd-Jones
 
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Temos vivido dias enganosos. Muitos têm sido enganados por falsificações, por fatos que aparentemente são reais, a tal ponto que, por eles, vão às ultimas conseqüências. Mas não são verdadeiros, são falsos, e esta é uma característica do diabo, de satanás, o pai da mentira, o pai da falsificação. E neste contexto as seitas são exatamente o que aparenta ser verdadeiro e por isso têm enganado a tantos. Como diagnosticar estas seitas?
 
Primeiro, seria bom dizer que o surgimento de seitas no meio dos evangélicos é demonstração de que a igreja não está bem. Muitos estão com problemas graves e têm procurado a igreja, mas não têm visto solução para si mesmos; creio que aqui deva ser colocado o tradicionalismo evangélico, a ortodoxia (que, diga-se de passagem, é necessária) morta, a superficialidade cristã, a falta de conversão verdadeira, o comodismo, tudo isso tem feito as pessoas buscarem outro aconchego.
 
No entanto é fato real que a grande maioria das pessoas está em busca de solução para os seus problemas, uma vida melhor, vida de paz, sem problemas, sem doença, mas são avessas às exortações, às recomendações de santificação; estão buscando pão como nos dias de Jesus. "Vós me procurais não porque vistes sinais, mas porque comeste dos pães e vos fartastes" (Jo.6:26). Aqui é que entra a seita, pois ela oferece ao povo exatamente aquilo que ele necessita (quer). E se você repreende alguém, recebe esta advertência: "Veja o bem que estou recebendo! Se me faz bem, deve ser de Deus!" Ou seja, se traz sucesso, solução, fez-me mudar de vida e traz felicidade, deve ser de Deus.
 
É exatamente aí que satanás arma sua cilada e já tem dominado muitas vidas. Lembrem-se que muitas organizações que ridicularizam o cristianismo podem ajudar as pessoas e fazê-las felizes. Lembro aqui os psiquiatras e psicólogos ateus. Eles podem trazer resultados muito bons, sem nada de orientação cristã. O próprio espiritismo tem trazido solução para muitas vidas; a yoga, o pensamento positivo e outros. Se você acha que tudo o que traz o bem pessoal é de Deus, saiba que já está caído diante do diabo.
 
Como saber então se é de Deus? Como diagnosticar o problema?
 
Seria bom inicialmente afirmar que o que importa ao homem não é o que ele sente, mas o seu relacionamento com Deus. Qualquer orientação que me faça ficar satisfeito, quando a minha relação com Deus está ruim, isto é do diabo. Era esta a situação dos fariseus.
 
Mas há outros testes práticos que gostaria de colocar.
 
   1. O modo como vem a "bênção". Eles ensinam que se você obedecer a uma fórmula, pré-estabelecida, a bênção virá, a felicidade, a paz, a cura. E sempre é uma fórmula alheia às Santas Escrituras. Geralmente a idéia de uma visão que alguém teve, e daí é elaborado o sistema. Elas podem até citar as Escrituras, mas ao acaso, texto fora do contexto, e isso é transformado em pretexto. Compare isso com as grandes confissões de fé e credos do cristianismo. São todos sinopses da Palavra de Deus. Ali é enfatizada a grandeza e extensão da Bíblia. Como é diferente das seitas que apresentam apenas uma fórmula, uma fórmula mágica. ( Na igreja: ir a igreja, ou ler a Bíblia, ou orar).
 
      
   2. Outro aspecto que é característico de uma seita é o testemunho pessoal. O que os sectários destas seitas falam é sobre sua vida, o que era e o que são agora. Que eram assim até entrarem para esta "igreja", o seu problema está resolvido. Não ensinam as doutrinas fundamentais do cristianismo. Enfatizam apenas uma fórmula. Vejam que eles, ao enfatizarem seus testemunhos, começam com eles e terminam com eles, e não com Jesus como Senhor, apesar de citá-lO.
 
      
   3. Eles enfatizam apenas o que é prático. Negligenciam a doutrina. Dizem: "Vocês precisam é de algo prático". Na verdade, porém, o que estão querendo dizer é que não é importante a doutrina. Mas não era assim que Paulo fazia na epístola aos Efésios; ele escreve os três primeiros capítulos nos quais a doutrina não é prática, é pura doutrina. E só depois do capítulo quatro ;e que a torna prática. Ou seja, primeiro o fundamento doutrinário, depois a prática. A ordem inversa é de grande perigo. É o que acontece com essas seitas.
      Quero aqui realçar o perigo dentro das nossas igrejas. Hoje há uma tendência em se desvalorizar a doutrina. Teologia, doutrina, tudo soa muito intelectual, sofisticado (creio até que em algumas circunstâncias é verdade) e por isso é negligenciado. Há risco de seitas no nosso meio.
 
      
   4. Apesar de falar no Espírito Santo, não se acha que Ele é que vai realizar em nós o que Deus quer. Eles sempre afirmam que é você que pode fazer. Esquecem que é Deus que opera em nós tanto o querer como o efetuar. Daí surgir a jactância, o orgulho, a satisfação própria. Há muita arrogância, pois são eles que conseguem realizar. A mudança foi devido a uma atitude tomada, uma conseqüência do seu esforço próprio. "Eu era assim, mas agora consegui isto..." Não estão entregues à vontade de Deus, mas seus interesses é que prevalecem. Este perigo também está em nossas igrejas e os que agem assim estão esquecidos do que disse Paulo: "operai a vossa salvação com temor e tremor"(Fl.2:12) - Mas eles dizem "não há nada o que temer". Deus nos livre deste pecado da arrogância. É Deus que opera em nós a mudança. O mérito é dEle!
 
      
   5. Uma outra característica é que "a fórmula é muito simples". Eles chegam a dizer que é um desperdício estudar tanto as epístolas, quando eles têm uma fórmula tão simples. As seitas têm todas as características dos remédios dos charlatães e toda a sua propaganda. "Eis aí o remédio que cura todos os males". O pior é que não afirmam apenas que podem resolver todos os problemas, mas que podem resolver com facilidade. Mas não é isto que ensina o apóstolo Paulo quando diz: "em tudo somos atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos..." Podemos ser vitoriosos, é verdade, mas não é fácil. Por isso ele disse também: "Nossa luta não é contra a carne e o sangue..." Temos de lutar contra poderes terríveis. Essa idéia de "fácil" é falsa à luz do Novo Testamento.
 
      
   6. Nesta linha de pensamento, outra característica semelhante das seitas é que elas oferecem a CURA, a BÊNÇÃO, "imediatamente". Já notou isso? É o método do "atalho", e por isso conseguem tantos adeptos. Mas o que nos ensina o Novo Testamento é que estamos num mundo difícil, pecaminoso, dominado pelo diabo e seus anjos. Por isso precisamos de toda a armadura de Deus. Precisamos ser fortalecidos "com poder pelo Seu Espírito no homem interior" (Ef.3:16). O homem moderno afirma: "Eu pensava que o cristianismo resolveria todos os meus problemas e endireitaria tudo imediatamente, mas agora me dizem que devo lutar, vigiar, orar, jejuar, suar... Não quero nada disso! Quero algo que solucione rápido o meu problema". As seitas respondem: "Certo, naturalmente". Observem que as seitas não ensinam crescimento na graça e conhecimento de Cristo (2Pe.3:18); não falam em "operai a vossa salvação com tremor e temor" (Fp 2:12).
 
 
      Qualquer coisa que ofereça "atalhos" espirituais não é cristianismo da Bíblia. Mas as seitas perguntam: "O que você está precisando? Qual o seu problema?" E responde: "Venha. Nós podemos ajudá-lo". E oferecem o remédio barato, fácil e rápido. Saúde, cura física, a bênção que soluciona todos os seus problemas.
      Mas o método do Evangelho é muito diferente. A primeira coisa do Evangelho é o CONHECIMENTO DE DEUS. Está é a grande mensagem da Bíblia. Por que Cristo veio ao mundo? "Para conduzir-nos a Deus", responde o apóstolo Pedro (1Pe.3:18). O Evangelho não começa com as minhas dores e penas, minhas necessidades de orientação ou minha aflição. Começa por conhecer a Deus. Este é o objetivo do Cristianismo. "A vida eterna é esta" - Qual? Que eu não me aflija mais, ou que fique livre daquilo que me deprime? Não! - "que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste"(Jo.17:3). Se eu estiver correto com este pensamento, as outras coisas estarão resolvidas. O objetivo do Cristianismo é levar-nos ao conhecimento de Deus e do Senhor Jesus Cristo.
 
      
   7. As seitas não mencionam isto e também não falam de santidade. Podem até proibir muitas coisas nocivas, e dessa forma fabricar fariseus satisfeitos consigo mesmos. Mas a santidade não é algo negativo, e sim positivo - "Sede santos, pois Eu Sou Santo" diz o Senhor. Não é apenas vitória sobre pecados particulares, mas é de fato ser santo. Eles não enfatizam isso.
 
      
   8. Outra coisa que as seitas não falam é sobre a "esperança da glória". O Novo Testamento nos fala da glória vindoura. Mas as seitas se propõem a ajudar as pessoas enquanto elas estiverem neste mundo, sem enfocar o futuro. "VOCÊ", você é que está no centro, eles estão enfatizando a experiência e não falam da glória do céu, nem do "NOVO CÉU E NOVA TERRA, ONDE HABITA A JUSTIÇA".(2Pe.3:13).
 
 
 
      
 
Enfim, as seitas ficam apenas num estreito círculo no qual o homem está girando, girando e repetindo constantemente a mesma coisa. A "bênção" oferecida pelas seitas é bem diferente do que o Evangelho oferece.
 
Abomino as seitas. Elas não passam no teste que é a Pessoa de Cristo. Todo movimento ou ensino que não faça do Senhor Jesus Cristo e Sua morte na cruz e Sua gloriosa ressurreição, uma necessidade absolutamente central, não é cristã e sim manifestação das "astutas ciladas do diabo". Ou seja, qualquer ensino ou movimento que diga que você pode Ter esta ou aquela benção sem primeiro crer no Senhor Jesus Cristo como o Filho de Deus, como Salvador de sua alma e Senhor de sua vida, e que sem Ele você não é nada, é uma negação das Escrituras, do cristianismo. Se o ensino ou movimento inclui maometano, budista, judeu e lhe oferece a bênção sem que eles reconheçam e confessem que Cristo, e somente Cristo, é o Filho de Deus e que Ele, somente Ele, pode salvar o pecador, porque ele morreu pelos nossos pecados, NÃO É CRISTÃO! Essa bênção fora do evangelho é negação do cristianismo e devemos rejeitá-la. Não há acesso a Deus, não há conhecimento de Deus como Salvador e Libertador, exceto por meio de Cristo. As seitas são um insulto a Deus, a Jesus Cristo, não têm direito de existir. Se você acha que Jesus não é suficiente, e que deve ir após as seitas em busca de ajuda e "bênção"(cura, prosperidade...), você O está negando; você O está insultando. São as astutas ciladas do diabo.
 
A fé que sustentou, fortaleceu e abençoou os santos no transcurso dos séculos, e que tem resistido a todos os testes que se podem conceber, é suficiente. Você não tem necessidade de seguir alguma idéia nova, moderna, que só passou a existir no século passado, ou neste. VOLTE PARA A VELHA HISTÓRIA, sempre nova e verdadeira. Volte para a fonte e origem de todas as bênçãos; volte para o Deus eterno e Seu Filho, nosso glorioso Salvador, o Senhor Jesus Cristo. E o Espírito entrará em seu ser, e todas as suas necessidades serão supridas.
 
 
Nota: Extraído do livro "Combate Cristão" Editado pela PES - com permissão.
 
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Copiado de http://www.geocities.com/zoenio/falsific.htm

Jonathan Edwards – Uma Mente apaixonada por Deus.



Jonathan Edwards pode nos ajudar. E a primeira coisa que ele nos diria seria: Cuidem para que, até mesmo na descrição do problema, seu diagnóstico não seja vitimado pelos termos do pragmatismo que constitui o problema. Em outras palavras, não lamentem a condição do evangelicalismo por este se encontrar oco e frágil - como se o verdadeiro objetivo fosse a proeminência permanente, e não temporária. Antes, lamentem a situação do evangelicalismo, pois ela contradiz a verdade de Deus e desdoura a sua excelência.
A que ele estaria se referindo? A algo que está implícito no título deste capítulo - "Jonathan Edwards, uma mente apaixonada por Deus". Temos, aqui, dois termos voltados para Deus: mente o paixão. Essas duas palavras correspondem a uma das lições mais profundas que Jonathan Edwards ensinou. A mente (ou entendimento) e a paixão (ou sentimento) correspondem a dois atos importantes de Deus e a duas maneiras de os seres humanos, feitos à sua imagem, refletirem a glória de Deus. Edwards se expressa da seguinte maneira nos seus cadernos - chamados de Miscelâneas -, muitos dos quais formaram a base para O fim para o qual Deus criou o mundo

Deus é glorificado em si mesmo destas duas maneiras: 
1. Ao revelar-se ... em seu entendimento perfeito [de si mesmo], ou no seu Filho, que é o resplendor da sua glória. 
2. Ao desfrutar a si mesmo e deleitar-se em si mesmo, fluindo em amor infinito e deleite para consigo mesmo, ou no seu Espírito Santo ... Assim, Deus glorifica a si mesmo em relação às suas criaturas também de duas maneiras: 
1. Ao revelar-se ... ao entendimento delas. 
2. Ao comunicar-se ao coração delas, no regozijo e no prazer delas nas manifestações divinas que lhes são concedidas pelo próprio Deus ... Deus é glorificado não apenas no fato de sua glória ser vista, mas no fato de essa glória ser objeto de deleite. Quando aqueles que a vêem se deleitam nela, Deus é mais glorificado do que quando eles apenas a vêem. Sua glória é, então, recebida por toda alma, tanto pelo intelecto quanto pelo coração. Deus fez o mundo a fim de poder transmitir a sua glória, e fez as criaturas a fim de poderem receber essa glória, não apenas na mente, mas também no coração. Aquele que demonstra ter uma idéia da glória de Deus [não] glorifica a Deus tanto quanto aquele que demonstra de que aprova e se deleita nessa glória.
Glorificar a Deus ao desfrutá-lo para sempre
Trata-se da mesma visão de Deus que apresentamos no Capítulo Um. E, como eu disse naquela ocasião, é praticamente impossível exagerar o que a sua teologia e a sua pregação significam para a minha vida. Quase tudo o que escrevi é uma tentativa de explicar e ilustrar essa verdade. No Capítulo Um, parafraseei Edwards com as palavras: "Deus é plenamente glorificado em nós quando nos satisfazemos inteiramente nele". Aqui, a minha paráfrase é: "O fim maior do ser humano é glorificar a Deus ao desfrutá-lo para sempre". Essa é a essência daquilo que chamo de "hedonismo cristão".3 Em última análise, não há conflito entre a paixão de Deus por ser glorificado e a paixão do homem por ser saciado. Eis outro modo de Edwards expor essa idéia:
Assim, pelo fato de prezar infinitamente a própria glória, que consiste do conhecimento de si mesmo, do amor por si mesmo e da complacência4 [isto é, satisfação, deleite] e alegria em si mesmo, ele prezou a imagem, a transmissão ou a participação dessas coisas na criatura. E é pelo fato de prezar-se que ele se deleita no conhecimento, no amor e na alegria das criaturas, uma vez que ele próprio é o objeto desse conhecimento, amor e complacência [isto é, satisfação, deleite] ... [Assim] A deferência de Deus pelo bem da criatura [isto é, a nossa paixão por sermos saciados] e sua deferência por si mesmo [isto ê, a sua paixão por ser glorificado] não é dividida, mas sim unida, uma vez que o seu objetivo - a felicidade da criatura - é a felicidade da união da criatura com ele.

Nossa paixão pela alegria nunca é excessiva

Segue-se de tudo isso que é impossível alguém buscar a alegria ou satisfação com paixão, intensidade ou zelo excessivos. Nas palavras de Edwards: "Suponho que não seja possível dizer de qualquer pessoa que o seu amor por sua alegria ... pode ser de um grau demasiadamente elevado".6 Talvez essa paixão esteja voltada para as coisas erradas, mas nunca é intensa demais. É o mesmo que C. S. Lewis disse na passagem profética que começou a virar o meu mundo de cabeça para baixo em 1968:
Se considerarmos as promessas ousadas de recompensas e a natureza surpreendente das recompensas prometidas nos evangelhos, pode nos parecer que o Senhor não considera os nossos desejos demasiadamente intensos, mas sim demasiadamente fracos. Somos criaturas sem ardor, que brincamos com a bebida, o sexo e a ambição enquanto a alegria infinita nos é oferecida; somos como uma criança ignorante que quer continuar brincando na lama numa favela, pois não sabe a que se refere a oferta de passar as férias à beira-mar. Somos fáceis demais de agradar.7
O pecado é o abandono suicida da alegria

Em outras palavras, a busca pela satisfação da nossa alma - da nossa alegria, do nosso deleite e da nossa felicidade - não é pecado. O pecado consiste justamente no contrário: buscar a alegria onde não se pode encontrar qualquer alegria duradoura. "Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas" (Jr 2.13). Pecar é tentar saciar a sede insaciável de nossa alma com qualquer coisa além de Deus. Ou, mais sutilmente, pecar é buscar a satisfação na direção certa, mas com uma disposição morna e titubeante (Ap 3.16). 

John Piper

A verdadeira fé Persevera – Jonathan Edwards (1703-1758)




O verdadeiro cristão persevera em sua obediência a Deus através de todas as dificuldades enfrentadas, até ao fim de sua vida. As Escrituras ensinam de modo completo que a verdadeira fé persevera; vejam, por exemplo, a parábola do semeador (Mat. 13:3-9, 18-23).
O ponto central enfatizado pelas Escrituras na doutrina da perseverança é que o verdadeiro cristão mantém-se acreditando e obedecendo, a despeito dos vários problemas que encontra. Deus permite que esses problemas surjam nas vidas das pessoas que se proclamam cristãos a fim de testar a verdade de sua fé. Então torna--se claro para eles, e muitas vezes para os outros, se realmente estão levando a sério seu relacionamento com Cristo. Esses problemas são às vezes de ordem espiritual, como uma tentação particularmente sedutora. Às vezes as dificuldades são de ordem externa, como os insultos, zombaria e perda de posses a que nosso cristianismo possa nos expor. O sinal do verdadeiro cristão é que ele persevera através desses problemas e dificuldades, mantendo-se leal a Cristo.
Eis alguns textos que relatam o exposto. "Pois tu, ó Deus, nos provaste; acrisolaste-nos como se acrisola a prata. Tu nos deixaste cair na armadilha; oprimiste as nossas costas; fizeste que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água, porém, afinal, nos trouxeste para um lugar espaçoso" (Sal. 66:10-12). "Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que os amam" (Tg. 1:12). "Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apoc. 2:10).
Admito que os verdadeiros cristãos podem se tornar espiritualmente frios, cair em tentação e cometer grandes pecados. Entretanto, nunca podem cair tão totalmente que se cansem de Deus e da obediência, e assentar-se num desagrado deliberado pelo cristianismo. Nunca podem adotar um modo de vida no qual outra coisa se jamais importante que Deus. Nunca podem perder inteiramente sua distinção do mundo incrédulo, ou reverter exatamente ao que eram antes de sua conversão. Se esse é o resultado dos problemas num cristão professo, fica demonstrado que nunca foi um verdadeiro convertido! "Eles saíram de nosso meio, entretanto não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos" (I Jo. 2:19).

Um oceano de amor! | Jonathan Edwards




Deus é a fonte do amor como o sol é a fonte de luz. E, portanto, a gloriosa presença de Deus no céu enche o céu com amor, como o sol no meio do céu visível em um dia claro, enche o mundo de luz. O apóstolo nos diz que "Deus é amor"; e, portanto, vendo que ele é um ser infinito, segue-se que ele é uma fonte completa e transbordante, e inexaurível de amor. E vendo como Ele é um ser imutável e eterno, ele é uma fonte imutável e eterna de amor.

No céu (onde breve estaremos) habita o Deus do qual toda corrente de amor santo, sim, cada gota que existe e sempre existirá, flui sem interrupção. Onde habita o Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, unidos em um único, infinitamente desejável, e incompreensível amor mútuo e eterno.


E esta gloriosa fonte sempre flui em córregos, sim, em rios de amor e prazer, e esses rios enchem, por assim dizer, um oceano de amor, em que as almas dos resgatados podem banhar-se com o gozo mais doce, e seus corações, por assim dizer, são inundados com o amor que a Trindade desfruta desde toda a eternidade!

Examine-se – Jonathan Edwards (1703 – 1758 )






Você poderia pensar que já temos mais informação sobre nós mesmos do que sobre qualquer outra coisa. Afinal de contas, estamos sempre junto de nós. Somos totalmente conscientes dos nossos atos. Instantaneamente sabemos tudo o que acontece conosco, e tudo o que fazemos.

Mas, em alguns aspectos, é mais difícil obter um conhecimento verdadeiro sobre nós mesmos do que sobre quase qualquer outra coisa. Portanto, devemos investigar diligentemente no segredo do nosso coração e examinar cuidadosamente todos os nossos caminhos e condutas. Aqui estão algumas diretrizes para ajudar neste processo:

Sempre una a auto-reflexão com a leitura e o ouvir da Palavra de Deus. Quando você ler a Bíblia ou ouvir sermões, reflita e compare os seus caminhos com o que você leu ou ouviu. Pondere que harmonia ou desarmonia existe entre a Palavra e os seus caminhos. A Bíblia testifica contra todo tipo de pecado e tem direções para qualquer responsabilidade espiritual, como escreveu Paulo: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra" (2Tm 3.16,17; ênfase acrescentada). Portanto, quando ler os mandamentos dados por Cristo e seus apóstolos, pergunte-se: Vivo de acordo com essas regras? Ou vivo de maneira contrária a elas?

Quando ler histórias da Bíblia sobre os pecados e sobre os culpados, faça uma auto-reflexão enquanto avança na leitura. Pergunte a si mesmo se é culpado de pecados semelhantes. Quando ler como Deus reprovou o pecado de outros e executou julgamentos por seus pecados, questione se você merece punição semelhante. Quando ler os exemplos de Cristo e dos santos, questione se você vive de maneira contrária aos seus exemplos. Quando ler sobre como Deus louvou e recompensou seu povo pelas suas virtudes e boas obras, pergunte se você merece a mesma bênção. Faça uso da Palavra como um espelho pelo qual você examina cuidadosamente a si mesmo — e seja um praticante da palavra (Tg 1.23-25).

Poucos são aqueles que fazem como deveriam! Enquanto o ministro testifica contra o pecado, a maioria está ocupada pensando em como os outros falham em estar à altura. Podem ouvir centenas de coisas em sermões que se aplicam adequadamente a eles; mas nunca pensam que o que pregador está falando lhes diz respeito. A mente deles está fixa em outras pessoas para quem a mensagem parece se encaixar, mas eles nunca julgam necessitar dessa pregação.

Se você faz coisa que geralmente são evitadas por pessoas perspicazes e maduras, tenha um cuidado especial em questionar-se se tais atos poderiam ser pecaminosos. Talvez você tenha argumentado consigo mesmo que tal ou tal prática é lícita; você não vê mal algum nela. Porém, se a coisa é geralmente condenada por pessoas piedosas, com certeza isso parece suspeito. Será prudente de sua parte considerar conscientemente se isso desagrada a Deus. Se uma prática não é aprovada por aqueles que em tais casos, em geral, provavelmente são mais corretos, você deveria considerar, com o maior cuidado, se a coisa em questão é lícita ou ilícita.

Pergunte a si mesmo se no seu leito de morte terá lembranças agra¬dáveis em relação à maneira que viveu. Pessoas saudáveis freqüentemente aceitam o que não se aventurariam a fazer se pensassem que logo estariam perante o Senhor. Pensam na morte como algo distante, e assim acham muito mais fácil tranqüilizar a consciência sobre o que estão fazendo no presente. Porém, se pensassem que poderiam morrer logo, não achariam tão confortável contemplar o Senhor com tais atos. A consciência não é facilmente cegada e silenciada quando o fim da vida parece iminente.

Solenemente pergunte a si mesmo e veja se está fazendo algo agora que pode trazer problemas quando você estiver no leito de morte. Pense nos seus caminhos e examine-se a si mesmo com a expectativa sensata de logo partir deste mundo para a eternidade. Empenhe-se com sinceridade para julgar imparcialmente as coisas com as quais você terá prazer no seu leito de morte — bem como as que você vai desaprovar e desejar deixar.

Considere o que outros podem dizer sobre você. Embora as pessoas estejam cegas quando às suas próprias faltas, facilmente descobrem os erros dos outros — e consideram-se aptas o suficientes para falar deles. Algumas vezes, as pessoas vivem de maneiras que absolutamente não são adequadas, porém estão cegas para si mesmas. Não vêem seus próprios fracassos, embora os erros dos outros lhes sejam perfeitamente claros e evidentes. Elas mesmos não vêem suas falhas; quanto às dos outros, não podem fechar os olhos ou evitar ver em que falharam.

Alguns, por exemplo, são inconscientemente muito orgulhosos. Mas o problema aparece notório aos outros. Alguns são muito mundanos ainda que não sejam conscientes disso. Alguns são maliciosos e invejosos. Os outros vêem isso, e para eles lhes parecem verdadeiramente dignos de ódio. Porém, aqueles que têm esses problemas não refletem sobre eles. Não há verdade no seu coração e nem nos seus olhos em tais casos. Assim devemos ouvir o que os outros dizem de nós, observar sobre o que eles nos acusam, atentar para que erro encontram em nós, e com diligência verificar se há algum fundamento nisso.

Se outros nos acusam de orgulhosos, mundanos, maus ou maliciosos — ou nos acusam de qualquer outra condição ou prática maldosa — deveríamos honestamente nos questionar se isso é verdade. A acusação pode nos parecer completamente infundada, e podemos pensar que os motivos ou o espírito do acusador está errado. Porém, a pessoa perspicaz verá isso como uma ocasião para um auto-exame.

Deveríamos especialmente ouvir o que os nossos amigos dizem para nós e sobre nós. É imprudente, bem como não-cristão, tomar isso como ofensae se ressentir quando os outros apontam nossas falhas. "Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos" (Pv 27.6). Deveríamos nos alegrar que nossas máculas foram identificadas.

Mas, também deveríamos atentar para as coisas sobre as quais os nossos inimigos nos acusam. Se eles nos difamam e nos insultam descaradamente — até mesmo com uma atitude incorreta — deveríamos considerar isso como um motivo para uma reflexão no íntimo, e nos perguntar se há alguma verdade no que está sendo dito. Mesmo se o que for dito é revelado de modo reprovável e injurioso, ainda pode ser que haja alguma verdade nisso. Quando as pessoas criticam outras, mesmo se seus motivos forem errados, provavelmente têm como alvo verdadeiros erros. Na verdade, nossos inimigos provavelmente nos atacam onde somos mais fracos e mais defeituosos; e onde demos mais abertura para a crítica. Tendem a nos atacar onde menos podemos nos defender. Aqueles que nos insultam — embora o façam com um espírito e modos não-cristãos — geralmente identificarão as genuínas áreas onde mais podemos ser achados culpados.

Assim, quando ouvirmos outros falando de nós nas nossas costas, não importa o espírito de crítica, a resposta certa é a auto-reflexão e uma avaliação quanto à verdade da culpa em relação aos erros de que nos acusam. Com certeza essa resposta é mais piedosa do que ficar furioso, revidar ou desprezá-los por terem falado maldosamente. Desse modo talvez tiremos o bem do mal, e esta é a maneira mais certa de derrotar o plano dos nossos inimigos, que nos injuriam e caluniam. Eles fazem isso com motivação errada, querendo nos injuriar. Mas, dessa maneira converteremos isso em nosso próprio favor.