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Princípios de Interpretação Bíblica



Princípios de Interpretação Bíblica




por

Misael Batista do Nascimento



Uma grande responsabilidade do professor cristão é interpretar corretamente a Palavra de

Deus. Esta é a base da obra de ensino e pregação. De nada adianta sermos excelentes

comunicadores, sabermos utilizar muito bem as modernas técnicas didáticas, se

entendermos mal os ensinos bíblicos, e os passarmos adiante de forma inadequada. O

objetivo dessa apostila é transmitir noções básicas de interpretação das Escrituras.

A disciplina da interpretação é chamada de exegese ou hermenêutica. Existe entre os

teóricos uma certa divergência nesta questão. D. A. Carson, Ph. D. pela Universidade de

Cambridge, atualmente professor de Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity

School, em seu livro A Exegese e suas Falácias, considera todo o trabalho de interpretação

como exegese. Da mesma linha de pensamento é a obra de W. D. Chamberlain, Gramática

Exegética do Grego Neo-testamentário, na qual o autor define exegese como "a ciência da

interpretação". Gordon D. Fee e Douglas Stuart, no livro Entendes o que Lês?, fazem uma

diferenciação entre a exegese e a hermenêutica. Segundo eles, exegese diz respeito ao

resgate do significado do texto para os leitores originais, e abrange todas as técnicas de

análise histórico-crítico-gramatical, ao passo que a hermenêutica é a arte de aplicar hoje

os princípios descobertos no texto.

Minha posição quanto a essa questão é que não precisamos nos preocupar com estes

pormenores acadêmicos. A título de simplificação utilizarei a expressão "Interpretação

Bíblica ou IB" como significando todo o trabalho de interpretação, do início da análise

gramatical até a aplicação final do texto para a nossa realidade atual.

Na verdade, todos nós praticamos a IB em nossas vidas diárias. Todos lemos a Bíblia e

deciframos subjetivamente o que ela significa para nós. Segundo as doutrinas do

sacerdócio universal e da obra didática do Espírito Santo, cremos que qualquer cristão

pode entender o conteúdo básico das Escrituras. Rejeitamos o dogma católico de que o

entendimento da Palavra de Deus só pode ser adequadamente obtido através da ingerência

de um magistério da Igreja ou das proposições do Papa. Apesar disso, existem alguns

princípios gerais que precisam ser conhecidos e utilizados na interpretação,

principalmente pelos professores e pregadores. Nessa apostila compartilharemos os mais

importantes.
Trazendo para hoje uma palavra de ontem

Um dos grandes desafios da interpretação é cultural. A Bíblia foi escrita para pessoas de

outro tempo. Isso pode parecer estranho, mas vou já explicar. Quando, por exemplo, o

apóstolo Paulo sentou-se para escrever a sua carta aos efésios, ele não estava pensando

nos cristãos brasileiros. Sua atenção estava voltada para pessoas do século I, que viviam

dentro da cultura greco-romana-judaica. O mesmo podemos dizer do autor do Apocalipse.

Quando João escreveu sua obra, utilizou uma linguagem simbólica que era comum

principalmente aos cristãos judeus de seu tempo. Em sua época, eram comuns os escritos

apocalípticos, que buscavam transmitir mensagens de reforço na fé em linguagem cheia de

imagens e significados ocultos.

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Hoje, quando lemos a Epístola aos Efésios ou o Apocalipse, ficamos às vezes

desnorteados com algumas expressões e, pior ainda, podemos compreendê-las mal. Daí

podemos inferir que a primeira tarefa do intérprete bíblico é entender o que as Escrituras

significaram para os seus primeiros destinatários. A partir desse ponto, é que podemos

estabelecer qual a aplicação da mesma para hoje.

Serão válidos para hoje o ósculo santo, o véu no rosto para a oração (1Co 11:13, 16:20)?

Para respondermos isso precisamos primeiro saber: "o que significava o ósculo e o véu na

sociedade daquele tempo?" Somente a partir daí é que poderemos transpor essa barreira

cultural, e fazer das Escrituras algo vivo para o homem do século vinte. Para isso existem

vários instrumentos disponíveis já em língua portuguesa: dicionários e manuais,

introduções e comentários, livros dedicados a reconstruir os tempos bíblicos e atlas que

permitem-nos visualizar o arranjo político-geográfico dos tempos do Velho e Novo

Testamentos. Além disso, todo esse conhecimento introdutório pode ser conseguido em

um só volume. Se o professor ou pregador não tem como adquirir uma biblioteca

completa, poderá economizar bastante comprando uma Bíblia de Estudo, das quais sugiro

a Bíblia Anotada, de Ryrie, publicada pela Editora Mundo Cristão, ou a Bíblia Vida Nova,

do Dr. Russel Shedd. Estas são, ao meu ver, as melhores Bíblias de estudo da atualidade,

dentro do meio protestante.
Nove princípios muito úteis

É importante que conheçamos nove regras que devem nortear nosso trabalho de

interpretação:
Oração

Todo o trabalho de interpretação deve começar com a oração. É necessário que nos

cubramos com a proteção de Deus e convidemos o Espírito Santo a ser o nosso Mestre. O

Espírito Santo tem uma tarefa de ensinar-nos acerca de Cristo (Jo 16:13-14).

Do mesmo modo, é ele quem nos mostra as profundas revelações de Deus: "Mas Deus nolo

revelou pelo Espírito, porque o Espírito a todas as cousas perscruta, até mesmo as

profundezas de Deus... Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim, o Espírito

que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente" (1Co

2:10, 12). Em outro lugar a Escritura afirma que nosso conhecimento advém do fato de

possuir uma unção do Espírito: "E vós possuís unção que vem do Santo, e todos tendes

conhecimento" (1Jo 2:20).

O verdadeiro entendimento da Palavra advém, em primeiro lugar, desse contato íntimo e

freqüente entre o intérprete e o Deus que inspirou as Escrituras.
Descrição ou Prescrição?

É preciso distinguir entre texto descritivo e texto prescritivo. Descritivo é o texto que

descreve algo, narra um acontecimento. O fato de algo ser contado na Bíblia não significa

que o mesmo é regra para hoje. Os relatos históricos, por exemplo, transmitem-nos

preciosas lições espirituais. No entanto, não devemos tirar deles doutrinas absolutas para

nós hoje. Só podemos tirar doutrina de história se houver concordância dos textos bíblicos

doutrinários, principalmente nas epístolas do Novo Testamento. Prescritivo é o texto que

traz regras, ensinamentos e mandamentos para nós hoje. Vemos nas Escrituras passagens

destinadas claramente à instrução e doutrinamento.

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Ir do simples ao complexo

Pergunte sempre qual o significado mais simples, mais claro, mais singelo. A Bíblia é um

livro que pode ser entendido por todo cristão, do erudito até o semi-analfabeto. A verdade

mais clara é sempre preferível aos posicionamentos nebulosos e "profundos" (às vezes

sem fundo mesmo!).

Isso não significa que todo o conteúdo bíblico seja fácil de entender. Em algumas partes

do mesmo, precisaremos de auxílio adicional, e aqui entra a contribuição das boas

introduções, manuais e comentários. E não apenas isso. Algumas passagens, ficarão

simplesmente sem interpretação, por completa falta de informação. Mesmo o maior

estudioso não sabe tudo sobre a Bíblia. Por isso mesmo devemos fugir de interpretações

que exijam verdadeiras ginásticas mentais. Só devemos ir ao complexo se houver indício

de revelação progressiva.
Cuidado com os textos "misteriosos"

Não dê atenção a textos obscuros. Pode parecer estranho, mas esse é um princípio que eu

considero dos mais importantes. Alguns indivíduos tem o prazer em escarafunchar

curiosidades inócuas tais como quem era o jovem nu do final do Evangelho de Marcos

(Mc 14:51-52), os detalhes do batismo pelos mortos citados por Paulo em 1Co 15:29,

acerca da pregação de Cristo aos espíritos em prisão, citada em 1Pe 3:18-20. Assim,

perde-se tempo analisando detalhes irrelevantes. Essas questões podem parecer um "prato

cheio" para os eruditos e técnicos textuais do Novo Testamento, mas, na maioria das

vezes, dizem pouco ao cristão comum.

Partamos do princípio que todas as principais doutrinas e ensinamentos para a nossa vida

prática estão expostos de modo claro na Bíblia. Os textos complicados, porquanto

bíblicos, e por isso, valiosos, não são fundamentais para a nossa fé.

Ninguém vai deixar de ser salvo, por exemplo, se desconhecer o significado do número da

besta, 666, de Ap 13. O trabalho do intérprete é aprender os ensinos claros e passá-los

adiante.

Não devemos buscar decifrar mistérios, especializarmo-nos em uma espécie de esoterismo

cristão. Tal insistência produz obsessão por posicionamentos obtusos, que não são

saudáveis para a Igreja de Cristo.
Considere a revelação progressiva

A terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na

espiga — Mc 4:28

Algumas verdades foram reveladas em semente no Velho Testamento, e só no Novo

Testamento encontramos sua plena expressão, como por exemplo o ministério de Cristo, a

Igreja, a nova dimensão da guarda do sábado, a situação pós-morte, etc.

Deve-se considerar a revelação progressiva no processo de interpretação. Alguém pode ler

Ecl 9:5 e concluir uma doutrina errônea, afirmando que "os mortos não sabem cousa

nenhuma". Os adventistas, por exemplo, fazem isso, ensinando que depois da morte a

pessoa fica inconsciente, no túmulo, aguardando o dia da ressurreição. Essa é uma

interpretação que desconsidera claramente a revelação progressiva. O texto de Eclesiastes

não pode ser interpretado sem considerarmos as passagens do Novo Testamento que falam

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sobre o estado intermediário, quando estaremos com Cristo no céu aguardando a

ressurreição. Nesse caso, houve uma progressão da revelação.
Compare Escritura com Escritura

O melhor comentário sobre a Bíblia é a própria Bíblia. Compare os princípios encontrados

com o restante das Escrituras. Se houver reafirmação da verdade, principalmente no Novo

Testamento, devemos ensiná-la com convicção. Essa regra é chamada pelos intérpretes de

"analogia das Escrituras", e, bem utilizada, evita uma série de erros grosseiros de

interpretação.

O intérprete realiza o seu trabalho convicto de que a Escritura não se contradiz. Algumas

verdades são difíceis de conciliar, mas isso não significa que sejam excludentes.

Um exemplo disso é a questão da responsabilidade humana e da soberania divina. Alguns

afirmam que Deus é quem decreta e dirige todas as coisas. Ele domina sobre tudo, e todas

as coisas ocorrem segundo o plano predeterminado pelo Senhor (Sl 139:16; Pv 21:1; Is

46:9-11; Mt 10:29; At 2:23, 4:24, 28, 13:48; Rm 8:28-30, 9:8-24; Ef 1:5, 11; I Ts 5:9; 1Pe

5:11; Ap 1:6). Outros afirmam que, na verdade, o homem é responsável diante de Deus

por seus atos. A existência do mal no mundo, e as conseqüências ruins provenientes do

pecado são responsabilidade dos anjos e dos homens e não de Deus (Ez 18:29). Os

homens são responsáveis diante de Deus pela sua rejeição ao Evangelho de Cristo, e quem

não crer no Filho de Deus trará sobre si a justa condenação (Jo 5:24, 40, 6:29, 47-51).

Os cristãos bíblicos aceitam ambos os ensinos como expressão da mais pura verdade de

Deus. Aqui encontramos uma antinomia. Antinomia, conforme o Dicionário Aurélio, é o

"conflito entre duas afirmações demonstradas ou refutadas aparentemente com igual

rigor". O problema, nas antinomias, não está na Bíblia, e sim na finitude de nossa

compreensão. O fato de não entendermos alguma coisa não significa que ela esteja errada.

O professor ou pregador deve ensinar tanto a soberania divina quanto a responsabilidade

humana. Algumas respostas a tais questões só nos serão fornecidas na eternidade.
Cuidado com as "novas revelações"

Quando falamos de interpretação, o Espírito Santo não concede nova revelação, e sim

iluminação. Não há nova verdade a ser acrescentada sobre o texto bíblico. Há nova

iluminação, ou seja, são-nos mostrados novos aspectos da verdade que são relevantes para

a nossa situação atual. A verdade é apenas uma. As aplicações dessa verdade é que são

diversas. Somos incumbidos de entender a verdade e, sob a unção do Espírito de Cristo

aplicá-la. Não fomos chamados para descobrir novas coisas, mas para ensinar as velhas e

maravilhosas verdades de forma nova, pois elas são sempre necessárias em nossa geração.
Observe o Contexto

Conforme W. D. Chamberlain, "para interpretar contextualmente, há de se levar em conta

o conteúdo geral de todo o documento, se ele é um discurso unificado. Então, o matiz de

pensamento que circunscreve a passagem, pois que mui freqüentemente afeta ele o sentido

dos termos a interpretar-se". Em algumas ocasiões, como por exemplo, numa

interpretação de uma epístola, o seu "teor geral dita o sentido real da passagem" .

Quando desconsideramos o contexto, estamos sujeitos a errar a nossa interpretação. Um

exemplo clássico é Ap 3:20: "Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e

abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele e ele comigo". Tenho ouvido muitos

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pregadores que usam a passagem como uma espécie de apelo evangelístico. O convite do

Senhor, no entanto, neste caso, não é dirigido aos pecadores para que eles se arrependam e

creiam no evangelho. O convite de Cristo aqui dirige-se aos crentes orgulhosos. O

versículo em questão faz parte da carta de Jesus à Igreja de Laodicéia (Ap 3:14). Um

modo eficaz de olharmos os textos contextualmente é os observarmos em blocos

redacionais, conforme o exemplo abaixo:
Evangelho de João.

21 Capítulos, divididos em duas partes:

- Caps. 1-13: O Livro dos Sinais.

- Caps. 14-21: O Livro da Glória.

Objetivo do livro: Gerar fé nos leitores, de que Jesus Cristo é o Filho de Deus (Jo 20:31).

Seção é uma divisão maior do livro. No caso do Ev. de João, podemos afirmar que

existem duas grandes seções: Sinais e Glória.

Capítulo é uma unidade menor dentro de uma seção. É interessante dividirmos os

parágrafos dentro dos capítulos para entendermos melhor o texto.

Perícope ou texto analisado é a unidade menor dentro de um capítulo. Pode abranger um

ou mais parágrafos. O texto estudado pode abranger apenas parte de um parágrafo, ou

mesmo um só versículo. É importante estabelecer a relação deste texto com o capítulo,

com a seção e com o restante do livro. Essa análise ampla permite uma interpretação

harmoniosa e equilibrada.

A interpretação deve levar em conta toda essa estrutura textual. Chamamos de contexto

imediato tudo aquilo que está próximo ao texto estudado (parágrafo e capítulo).

Chamamos de contexto remoto tudo aquilo que está distante, mas ao mesmo tempo

abrange o texto estudado (seção— divisões maiores da obra, e o livro como um todo).

Devemos sempre perguntar ao texto: qual o contexto próximo? O parágrafo está tratando

de que tema? E o capítulo? E a seção? Aqui estabeleceremos uma relação entre os

elementos textuais, e estaremos mais aptos a discernir o significado da passagem. Todo

texto deve ser interpretado dentro do seu contexto. Como diz um ditado da IB, "texto

tirado de contexto é pretexto". Muitos usam textos deslocados para provar as suas

doutrinas preferidas. Não caiamos nesse ardil!
Interpretação alegórica ou literal?

Ao interpretarmos um texto, fujamos da interpretação alegórica. O texto normalmente

significa aquilo que está escrito mesmo. Em ocasiões iremos nos defrontar com figuras de

linguagem. Cristo diz, por exemplo, que ele é "a porta" (Jo 10:7). Nesse caso, o bom senso

nos diz que cabe aqui uma interpretação simbólica. Em outras situações, porém, devemos

cuidar para não alegorizar aquilo que é literal.

Ouvi certa vez uma pregação sobre o casamento de Isaque relatado em Gn 24. O pregador

disse que o servo de Abraão era um "tipo" do Espírito Santo, e que Rebeca é um símbolo

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da Igreja. Se formos utilizar tais artifícios em nossa interpretação, poderemos transformar

o texto bíblico naquilo que quisermos. Devemos levar a Bíblia a sério. Os casos onde não

estiver clara uma figura de linguagem, ou onde o estilo de literatura não for claramente

figurativo, tais como nos Salmos e no Apocalipse, devemos sempre interpretar

literalmente. O bom senso e a liderança do Espírito Santo nos garantirão bom resultado

nessa empreitada.
Andando de bicicleta nas ruas do Antigo e Novo Testamentos

Sei que, inicialmente, a observação dos nove princípios acima poderá parecer um pouco

complicada. Alguns, vendo a grandeza da tarefa, poderão até pensar em desistir. Quero

incentivá-los a perseverarem. Deus recompensa nosso esforço de buscarmos entender

melhor a sua Palavra. A situação assemelha-se a andar de bicicleta. Nas primeiras vezes

que tentamos tivemos dificuldades. Alguém nos empurrava e, mesmo com rodinhas,

levávamos uns bons tombos! Com o tempo, porém, fomos adquirindo confiança e

coordenação. Começamos a pedalar com firmeza e ganhamos equilíbrio. Não precisamos

mais de quem nos empurrasse. Depois, foram retiradas as rodinhas, e hoje passeamos

prazeirosamente com nossas bicicletas. Sentamos no selim, e nem notamos que estamos

tendo de coordenar um monte de movimentos ao mesmo tempo. O mesmo ocorre com a

IB. Depois de certo tempo, adquiriremos o hábito de caminhar seguindo a trilha destas

nove regrinhas, e exploraremos as ruas do Antigo e Novo Testamentos. Faremos isso

prazerosamente, sem tantas dificuldades. Aqui, é claro, termina a similaridade com o

treinamento na bicicleta. No caso da IB, jamais poderemos dispensar a ajuda de nosso

treinador: o Espírito Santo. Ele sempre estará conosco neste caminho, e nosso destino será

a terra da boa doutrina, de onde poderemos encontrar ao Senhor Jesus Cristo, e desfrutar

por ele do gostoso fruto da árvore da vida. A Ele toda honra e toda glória.

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Bibliografia recomendada

Carson, D. A. (1992). A exegese e suas falácias: Perigos na interpretação da Bíblia. São

Paulo: Vida Nova.

Chamberlain, W. D. (1989). Gramática exegética do grego neo-testamentário. São Paulo:

Casa Editora Presbiteriana.

Fee, Gordon D. e STUART, Douglas. (1984). Entendes o que lês?: Um guia para entender

a Bíblia com o auxílio da exegese e da hermenêutica. São Paulo: Vida Nova.

Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. (s.data). Novo Dicionário da Língua Portuguesa.

Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Zuck, Roy B. (1994). A

Figuras de linguagem, Hermeneutica.




1) F  I  G  U  R  A  S    D  E    P  A  L  A  V  R  A  S 
METÁFORA : consiste  na transferência do  nome  de um elemento para outro , em vista de uma relação de semelhanças entre ambos , é uma comparação feita subjetivamente . Exemplo : Ele dirige bem, mas é um pé de chumbo . 
METONÍMIA : consiste na transferência do nome de um elemento para outro , em vista de uma relação de causalidade (ou de implicação mútua). Exemplo: Nosso planejamento urbano está destruindo todas as nossas sombras. (Entre sombra - efeito da árvore - e árvore , existe uma relação de causalidade ) . 
SINÉDOQUE : consiste na transferência do nome de um elemento a outro , em vista de uma relação de contigüidade ou de proximidade entre ambos. Exemplo: O governo autorizou a construção de 2000  novos tetos para os operários. (teto parte da casa, e a casa inteira, existe uma relação de contigüidade e de proximidade espacial) . 
CATACRESE: tipo de figura em que se dá o mesmo mecanismo da metáfora , mas uma metáfora que, de tão usual  não provoca mais a  noção de desvio . Exemplo : Enterrei um alfinete  na mão . ( enterrar , o sentido próprio, seria : introduzir a terra . Por similaridade ,aqui designa o ato de introduzir ( um alfinete )  na mão . 
ANTONOMÁSIA: figura que consiste em substituir o nome próprio da pessoa por uma característica pela qual esta se tornou notória . Exemplo: O Aleijadinho os deixou esculpida na pedra a história de uma época.
2) F  I  G  U  R  A  S    D  E   C  O  N  S  R  U  Ç  à O 
ELIPSE: omissão de termos que não foram enunciados anteriormente . Exemplo : No meio da   rua , o sol escaldante . 
ZEUGMA: omissão de termos que já ocorreram anteriormente no enunciado . Exemplo : Alguns aspiram à luz : outros , à escuridão . 
ASSÍNDETO: omissão reiterada de conjunções entre orações que se dispõem em seqüência . Exemplo: Canta , ri, chora. 
POLISSÍNDETO: repetição da mesma conjunção entre orações dispostas em seqüência . Exemplo : E ri , e cata , e chora . 
PLEONASMO : redundância de informação a título de reforço . Exemplo : Tais pessoas, já as conheço de sobra. 
HIPÉRBATO: inversão da ordem usual dos termos de uma oração ou das orações de um período. Exemplo: Ao longe, dos peregrinos esperançosos já se ouve o canto. (A ordem direta seria: O canto dos peregrinos esperançosos já se ouve ao longe). 
ANACOLUTO: termo sem função sintática dentro de uma frase , em vista da troca de uma construção sintática por outra. Exemplo: Vocês, não lhes reconheço o menor direito . 
SILEPSE : figura que consiste em se efetuar a concordância com palavras implícitas na mente do falante, e não com as que estão explícitas na frase. A silepse subclassifica-se em: silepse de gênero: (Vossa Excelência é pouco conhecido). silepse de número (Os Lusíadas glorificou nossa literatura) . silepse de pessoa (Os alunos sois culpados do que ocorreu). 
ALITERAÇÃO: repetição de consoantes da mesma natureza, ou de natureza semelhante. Exemplo : Acho que a chuva ajuda a gente a se ver . 
ANÁFORA: repetição de uma palavra a espaços regulares durante o texto. Exemplo: Poucos são os recursos, pouco o dinheiro, pouca a sorte, pouco o resultado . 
EPÍTETO: qualificação do nome por meio de uma característica que lhe é inerente . Exemplo : Nenhuma luz rilhava na escura noite . 
3) F  I  G  U  R  A  S    D  E    P  E  N  S  A  M  E  N  T  O
ANTÍTESE: confronto de idéias opostas entre si. Exemplo: Ora temos esperança, ora nos damos ao desespero. 
PARADOXO: confronto de idéias opostas e simultâneas.  Exemplo: Todos, ouviam atentos o silêncio do famoso político. 
ANTÍFRASE OU IRONIA : expressão de uma idéia pelo seu contrário. Exemplo:  A humanidade perderia um grade gênio se ele morresse  . 
EUFEMISMO : atenuação de uma idéia que possa chocar . Exemplo : Você faltou com a verdade . 
HIPÉRBOLE: expressão exagerada de uma idéia . Exemplo : Repetiu um milhão de vezes a mesma idéia . 
APÓSTROFE : interpelação emotiva de pessoas ou coisas personificadas . Exemplo : Deus , ó "Deus , ode estás |Que não respondes ... "  
PRETERIÇÃO : figura pela qual se finge omitir aquilo que de fato se está dizendo . Exemplo : em vamos tocar os abusos cometidos por você ... Falemos de outras coisas .
PROSOPOPÉIA OU PERSONIFICAÇÃO : atribuição de qualidades animadas a seres inanimados . Exemplo : Os sinos choravam a tarde que morria .  
ONOMATOPÉIA : representação da própria coisa significada por meio do som de uma palavra ou expressão. Exemplo: Durante a conferência toda, incomodados com o zumzum da platéia . 
4) G L O S S Á R I O   L I T E R Á R I O: 
CONCRETISMO : movimento poético laçado no Brasil em meados da década de 50 . Seus princípios construtivistas ( ver construtivismo ) incluíam o abandono da sintaxe tradicional , incorporação do espaço como elemento da estrutura poética e o desdobramento rigoroso , o poema , das possibilidades da palavra com som , como imagem e como sentido . O concretismo foi até hoje a única criação literária brasileira que teve repercussão internacional , influenciado poetas e movimentos literários em grade parte do mudo .  
CONSTRUTIVISMO : tendência artística ,  nascida nas artes plásticas ( especificamente a escultura ) e depois para as outras artes . Identifica a ora de arte com sua construção objetiva , ou seja , com as inter-relações precisamente programadas dos elementos que a constituem . A poesia de João Cabral de Melo Neto é o primeiro exemplo dessa estética na nossa literatura modera . O concretismo é a mais extrema forma de poesia construtivista . 
CUBISMO : A mais importante tendência figurativa do início do século XX ( iniciou-se por volta de 1907 , com os pintores Picasso e arque ) . profundamente renovador , o cubismo procurava recolocar ( e superar)  a questão do espaço  na pintura , sem recorrer à perspectiva e, de fato , destruindo-a através da multiplicação dos pontos de vista sobre um mesmo objeto , cujas formas , geometrizadas , são decompostas e rearranjadas .  
DADAÍSMO : Movimento cultural revolucionário do início do século XX , caracterizado pela rejeição de todas as formas tradicionais de significação . Voltava-se a constetação de cultura portuguesa através da exploração do absurdo , da promoção de objetos banais ou de resíduos da vida cotidiana à condição de elementos artísticos : da desmistificação da figura romântica do artista e da "serenidade"e "gravidade"da arte . O dadaísmo ( ou dadá , como o chamavam seus criadores , utilizado um    nome a que não atribuíam nenhum sentido ) foi a mais radical das expressões anárquicas da arte de vanguarda desde século .   
DECADENTISMO : Atitude espiritual que se afirma em reação ao Naturalismo , em fim do século XIX . Abandonando o ideal de objetividade realista , o decadentismo se volta de periférica para realidades interiores , subjetivas , procurado explorar o subconsciente através de imagens programaticamente simbólicas e preciosísticas . A novela A confissão de Lúcio de Mário de Sá- Careiro 1890-1916 , é dos melhores exemplos do decadentismo em nossa língua . 
DESVAIRISMO : Designação que Mário de Andrade atribuiu à teoria com que procurou justificar os poemas de seu livro Paulicéia desvairada (1922) . O desvairismo - nome derivado do título do livro - é explicado o "Prefácio interessantíssimo ", onde o autor nega ser futurista e defende uma poesia   nascida do subconsciente , com imagens ousadas , "exagerados coloridos ",busca do "elo horrível", contra a teoria aristocrática da arte como imitação da natureza . O uso do verso livre também é defendido , pois a inspiração não deve ser sujeita a medidas previamente estabelecidas . 
DETERMINISMO : Teoria cientificista do século XIX segundo a qual a realidade é condicionada pela conjugação de três forças irresistíveis : o meio , a raça , o momento . Hipolite Taine é um representante ilustre dessa corrente de pensamento , que influenciou fortemente a tendência literária conhecida por Naturalismo . 
DIÉRESE : É a transformação de um ditongo em hiato , para aumentar o número de sílabas de uma palavra e, conseqüentemente , de um verso . Exemplo = "_ Mas !dor /que / tem / pra/ ze/ res - Sa/ u/ da/ de"
ECTILIPSE : elisão de um fonema nasal , assinalada às vezes pelo apóstrofo . Exemplo : "Vinde , ó sonhos voadores ,..."
ELOQÜÊNCIA : arte de provocar a emoção e a persuasão pelas palavras . 
EPOPÉIA : Poesia narrativa de assunto heróico e tratamento mítico . Grandes obras-primas da literatura ocidental pertencem a esse gênero poético , entre elas : a Ilíada e a Odisséia , de Homero : a Eneida , de Virgílio : Os lusíadas de Camões . A poesia epopéia , utiliza-se de linguagem elevada , e com seus heróis e deuses , apresenta a vida segundo uma visão superior da existência . 
FUTURISMO : Movimento vanguardista do início do séc XX ( o primeiro manifesto futurista é de 1909 ) voltado para a exaltação barulhenta do que se considera uma nova civilização totalmente mecanizada , em contraste brutal com toda forma de tradicionalismo ( que os futuristas chamavam passadismo ) , especialmente no campo artístico e literário . Seu principal líder foi o italiano Marinetti . 
IMPRESSIONISMO : Em sua origem , o impressionismo é um importante movimento pictórico da segunda metade do século XIX . A pintura impressionista procurava representar os valores mais imediatos dos objetos ou seja , as impressões luminosas e colorísticas despertadas por eles , abandonando as idéias comuns de como os objetos são ou devem ser . O impressionismo teve influência na literatura e na música . 
INTERTEXTUALIDADE :Procedimento literário que consiste na sobreposição de textos . Há intertextualidade quando um texto faz referência a outro , direta ou indiretamente . 
MATERIALISMO : Corrente filosófica e doutrina científica que se baseia na matéria para estudar e entender os fenômenos da natureza e também os psíquicos e históricos . O materialismo exclui considerações teológicas e metafísicas de seu campo de investigações . 
POEMA-PIADA : Forma modernista de epigrama "( poema breve  e incisivo ) , de sentido humorístico em que a poesia despedido-se da gravidade e "seriedade "romântico -parnasiana, se constrói em toro de numa anedota cômica. 
POESIA SOCIAL : Poesia que tematiza questões políticas e sociais . No Brasil , grades exemplos são , no Romantismo , a poesia abolicionista de Castro Alves e , no Modernismo os poemas de Carlos Drummond de Andrade escritos na altura da Segunda Guerra Mundial e publicados em seu livro A rosa do povo (1945) . 
SÁTIRA : Composição literária marcada por crítica social ou pessoal , geralmente de sentido humorístico . Gil Vicente é dos grades poetas satíricos do mudo . O primeiro poeta importante do Brasil , Gregório de Matos , foi o mestre da sátira mais corrosiva e desbocada . 
SEBASTIANISMO : Mito e crença de caráter messiânico , desencadeados pela morte de D. Sebastião , rei de Portugal , em Alcácer-Quiir ( África) , em 1578 . Segundo o sebastianismo , D. Sebastião voltaria [para fazer de Portugal o Quito Império . O mito sebastianista alimentou o imaginário popular e mesmo escritos de grades artistas , como a 1578,  a prosa de Padre Antônio Vieira e a poesia de Fernando Pessoa .  
SINAFIA : contar a sílaba átona ( não contada ) de um verso no verso seguinte , para manter a unidade métrica . Exemplo = "... Qual pálida Rosa Mimosa " (CASIMIRO DE ABREU ) = Qual (1)/ pá(2)/ li / da(1) /Ro(2) /sa Mi(1)/ mo(2) / sa
UNIVERSALISMO : Tendência para buscar no particular conclusões generalizantes . Em Machado de Assis , o universalismo se dá através da exploração dos arquétipos e das mais remotas tradições literárias , como a luciânica . Diz-se que um autor é universal quando o sentido de sua ora ultrapassa os interesses locais de seu país e passa a interessar o mundo todo ou a maior parte possível dele . 
ANACOLUTO : O anacoluto ocorre quando se truca a frase : entre o princípio e o fim da oração não há um nexo . consiste , pois , na quebra da estrutura lógica da oração , fazendo com que um termo fique praticamente desligado restante . 
ANÁFORA : Denomina-se anáfora a repetição constante de certos elementos no início de versos, períodos ou orações . 
ALITERAÇÃO : É a repetição de consoantes ou de sílabas . Geralmente os poetas utilizam a aliteração recebe o nome especial de harmonia imitativa . 
RIMAS - POBRES - RICAS : Pobres : são as rimas que apresentam palavras da mesma classe gramatical , geralmente com terminações muito comuns no idioma . Ricas : são as rimas que apresentam palavras de classe gramatical diferentes , geralmente com terminações poucos diferentes no idioma .



Figuras de Linguagem


Figuras de linguagem - diz respeito às formas conotativas das palavras. Recria, altera e enfatiza o significado institucionalizado delas. Incidindo sobre a área da conotação, as figuras dividem-se em:

1) Figuras de construção (ou de sintaxe) tem esse nome porque interferem na estrutura gramatical da frase

2) Figuras de palavras (ou tropos) constituem-se de figuras que adquirem novo significado num contexto específico.

3) Figuras de pensamento, que realçam o significado das palavras ou expressões

1. Figuras de construção (ou de sintaxe)

1.1. Elipse - Omissão de um termo facilmente identificável. O principal efeito é a concisão. 
De mau cordo, mau ovo (De mau cordo só pode sair mau ovo)

1.2. Pleonasmo - Repetição de um termo ou idéia. O efeito é o reforço da expressão. Vi-o com meus próprios olhos; Rolou pela escada abaixo.

1.3. Onomatopéia - Consiste na imitação de um som. O tique-taque do relógio a enervava. 

Há ainda: zeugma, polissíndeto, iteração (repetição), anáfora, aliteração, hpérbato, anacoluto, e silepse.

2. Figuras de palavras (ou tropos)

2.1. Metáfora - Fundamenta-se numa relação subjetiva, ela consiste na transferência de um termo para um âmbito de significação que não é o seu e para isso parte de uma associação afetiva, subjetiva entre dois universos. É uma espécie de comparação abreviada, à qual faltam elementos conectores (como, assim como, que nem, tal qual etc.) Murcharam-lhe (assim como murcham as flores) os entusiasmos da mocidade.

2.2. Metonímia - Consiste na substituição de um nome por outro porque entre eles existe alguma relação de proximidade. O estádio (os torcedores) aplaudiu o jogador.

Há ainda: catacrese e antonomásia.

3. Figuras de pensamento

3.1. Antítese - É a figura que evidencia a oposição entre idéias. Buscas a vida, eu, a morte.

3.2. Hipérbole - É uma afirmação exagerada para conseguir-se maior efeito estilístico. Chorou um rio de lágrimas. Toda vida se tece de mil mortes.

3.3. Eufemismo - Consiste no abrandamento de expressões cruas ou desagradáveis. Foi acometido pelo mal de Hansen (= contraiu lepra) O hábil político tomou emprestado dinheiro dos cofres públicos e esqueceu-se de devolver (=o hábil político roubou dinheiro)

3.4. Ironia - Consiste em sugerir, pela entonação e contexto, o contrário do que as palavras ou as frases exprimem, por intenção sarcástica. Que belo negócio! (= que péssimo negócio!) O rapaz tem a sutileza de um elefante.

Há ainda: prosopopéia, gradação e apóstrofe.

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Referências: Virkler - cap. 6 e Berkhof - cap. 5 e



http://www.cristianet.com.br/biblia/arquivo/figura_de_linguagem.html



Figuras de Linguagem


1. Símile



Estabelece um termo de comparação entre dois

elementos através de uma qualidade. É uma comparação

expressa


1. Salmos 2:9b; 1:3; 102:6

2. Isaías 1:8; 57:20

3. Provérbios 25:11

4. II Pedro 2:17

5. I Pedro 1:24



2. Metáfora



É uma comparação abreviada. Consiste quando um

objeto é assemelhado ao outro, afirmando ser o outro, ou

falando de si como se fosse o outro.

1. Gênesis 49:9

2. Salmos 71:3; 84:11; 23:1

3. João 15:1; 10:9; 6:51;14:6

4. Mateus 5:13,14; 6:22; 26:26

5. Isaías 40:6


3. Alegoria



É uma seqüência de metáfora

1. Salmos 80:8-15

2. João 10: 1-18

3. João 6:51-65

4. Isaías 5: 1-7


4 - Parábola



É uma espécie de alegoria apresentada sob a forma de

uma narração relatando fatos naturais ou acontecimentos

possíveis, sempre com o objetivo de declarar ou ilustrar

uma ou várias verdades importantes.

1. Lucas 18: 1-7

2. Mateus 13: 3-8

3. Mateus 13: 24-30

4. Lucas 18: 10-14


4. Antropopatia



É a atribuição de emoções, paixões e desejos humanos a

Deus.

1. Êxodo 34:14

2. Gênesis 6:6

3. Deuteronômio 13:17

4. Efésios 4:30


5. Antropomorfismo



É a atribuição de características corporais e atividades

físicas a Deus

1. Tiago 5:4

2. Êxodo 15:16

3. Salmos 34:16; 10:12; 8:3

4. Lamentações 3:56


6. Metonímia



Consiste em designar um objeto por uma palavra

designativa de outro objeto que tem com o primeiro uma

relação de causa/efeito; continente/conteúdo;

lugar/produto; matéria/objeto; abstrato/concreto;

autor/obra.

Obs.: A relação é mais mental do que física

1. I Tessalonicenses 5:19 ("Não extingais o

espírito", refere-se às manifestações especiais

do Espírito)

2. Juízes 12:7 ( Faltou indicar exatamente o nome

da cidade)

3. Lucas 16:29 (Moisés e os Profetas significa

seus escritos = Antigo Testamento)

4. Jeremias 18:18

5. Atos 23:37

6. Salmo 18:1

7. I Coríntios 10:21


7. Sinédoque



Figura que se funda na relação de compreensão e

consiste no uso do todo pela parte, plural pelo singular,

gênero pela espécie e vice-versa.

Obs.: A relação é mais física do que mental.

1. Salmos 73:9 (Língua = palavra)

2. Salmos 52:4 (Língua está no lugar da pessoa)

3. João 13:8 (Lavagem dos pés = Purificação da

alma)

4. I Coríntios 11:26

5. Atos 24:5

6. Provérbio. 1:16

7. Lucas 2:1


8. Personificação



Quando se atribui ações ou feito de pessoas a coisas

inanimadas.

1. Coríntios 15:55

2. I Pedro 4:8

3. Jó 12: 7,8; Isaías 55:12


9. Zoomorfismo



Atribuição de características animais a Deus

1. Rute 2:12b

2. I Pedro 4:8

3. Jó 12: 7,8

4. Isaías 55:12


10. Eufemismo



Consiste em disfarçar, abrandar, suavizar expressões

rudes, chocantes, desagradáveis.

1. Atos 7:60

2. II Tessalonicenses 4:14


11. Ironia ou Antífrase



Expressão que contém censura ou ridículo sob a capa de

louvor ou elogio. (Consiste em dizer o contrário do que

pensamos e geralmente em tom de zombaria)

1. Jó 12:2

2. I Reis 22:15; 18:27

3. I Coríntios 4:6,8

4. II Coríntios 11:5; 12:11; 11:13

5. II Samuel 6:20


12. Hipérbole



É um exagero que extrapola o sentido literal para

destacar a idéia e chamar a atenção

1. Números 13:33

2. Deuteronômio 1:28.

3. Gênesis 22:17

4. II Crônicas 28:4

5. Salmos 119:136

6. Jó 21:25


13. Litotes



Afirmação moderada que suaviza o sentido literal. É o

oposto da hipérbole.

1. Salmos 51:7

2. Isaías 45:3

3. I Tessalonicenses 3 :2b


14. Pergunta Retórica Interrogação



Figura pela qual o orador se dirige ao seu interlocutor,

ou adversário, ou político, em tom de pergunta, sabendo

de antemão que ninguém vai responder.

1. Gênesis 18:25

2. Amós 3:34

3. Romanos 8:33,34

4. Hebreus 1:14


15. Pleonasmo



É a palavra ou expressão redundante: repetição da

mesma idéia, com a finalidade reforçar e avivar a

expressão e o pensamento.

1. I Reis 21:13

2. Mateus 13:15

3. Josué 7:25

4. Atos 2:30

5. Jó 42:5


16. Antítese



É a inclusão na mesma frase de duas palavras ou dois

pensamentos que faz um contraste um com o outro. (O

mau e o falso servem de contraste ou fundo que dá realce

ao bom e ao verdadeiro)

1. Deuteronômio 30:15,19

2. Mateus 7:13 e 14; 17 e 18; 21 a 23; 24 a 27

3. Mateus - 24 e 25

4. II Coríntios 3:6 - 18 (Antigo pacto e Novo

pacto; Lei e Evangelho)


17. Paradoxo



É uma proposição ou declaração oposta à opinião

comum; a uma afirmação contrária a todas as aparências

e à primeira vista absurda, impossível, ou em

contraposição, ao sentido comum.

1. Mateus 16:6

2. Lucas 9:60 (Explicação vv 61 e 62)

3. Mateus 23:24

4. Lucas 18:25

5. Marcos 8:35


Bibliografia



VIRKLER, Henry A.. Hermenêutica Avançada: Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. São Paulo.



Editora Vida, 2001.


BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. Editora JUERP, 4ª edição, 1988.

Site da internet. www.cristianet.com.br/biblia/arquivo/figura_de_linguagem.html, Agosto de 2003.



FIGURAS DE LINGUAGEM

Segundo Mauro Ferreira, a importância em reconhecer figuras de linguagem está no fato de que tal conhecimento, além de auxiliar a compreender melhor os textos literários, deixa-nos mais sensíveis à beleza da linguagem e ao significado simbólico das palavras e dos textos.

Definição: Figuras de linguagem são certos recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.  

 

METÁFORA: É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhanças entre ambas. É uma comparação subentendida.  

Exemplo:

Minha boca é um tumulo.

Essa rua é um verdadeiro deserto.  

COMPARAÇÃO: Consiste em atribuir características de um ser a outro, em virtude de uma determinada semelhança.  

Exemplo:

O meu coração está igual a um céu cinzento.

O carro dele é rápido como um avião.

PROSOPOPÉIA: É uma figura de linguagem que atribui características humanas a seres inanimados. Também podemos chamá-la de PERSONIFICAÇÃO.

Exemplo: 

O céu está mostrando sua face mais bela.

O cão mostrou grande sisudez.

SINESTESIA: Consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.

Exemplo: 

Raquel tem um olhar frio, desesperador.

Aquela criança tem um olhar tão doce.

CATACRESE: É uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos. Assim, a catacrese é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.

Exemplo:

O menino quebrou o braço da cadeira.

A manga da camisa rasgou.

METONÍMIA: É a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca. Ocorre metonímia quando empregamos:

- O autor pela obra.

Exemplo:

Li Jô Soares dezenas de vezes. (a obra de Jô Soares)

- o continente pelo conteúdo. 

Exemplo: 

O ginásio aplaudiu a seleção. (ginásio está substituindo os torcedores)

- a parte pelo todo. 

Exemplo: 

Vários brasileiros vivem sem teto, ao relento. (teto substitui casa)

- o efeito pela causa. 

Exemplo:

Suou muito para conseguir a casa própria. (suor substitui o trabalho)

PERÍFRASE: É a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.

Exemplo:

A Veneza Brasileira também é palco de grandes espetáculos. (Veneza Brasileira = Recife)

A Cidade Maravilhosa está tomada pela violência. (Cidade Maravilhosa = Rio de Janeiro)

ANTÍTESE: Consiste no uso de palavras de sentidos opostos.

Exemplo:

Nada com Deus é tudo.

Tudo sem Deus é nada.

EUFEMISMO: Consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.

Exemplo:

Ele foi repousar no céu, junto ao Pai. (repousar no céu = morrer)

Os homens públicos envergonham o povo. (homens públicos = políticos)

HIPÉRBOLE: É um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva a idéia.

Exemplo:

Ela chorou rios de lágrimas.

Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.

IRONIA: Consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.

Exemplo:

Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.

Se você gritar mais alto, eu agradeço.

ONOMATOPÉIA: Consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.

Exemplo:

Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.  

Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.

ALITERAÇÃO: Consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.

Exemplo: 

O rato roeu a roupa do rei de Roma.

ELIPSE: Consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.

Exemplo: 

Após a queda, nenhuma fratura.

ZEUGMA: Consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.

Exemplo: 

Ele come carne, eu verduras.

PLEONASMO: Consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.

Exemplo: 

Nós cantamos um canto glorioso.

POLISSÍNDETO: É a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.

Exemplo: 

Chegamos de viagem e tomamos banho e saímos para dançar.

ASSÍNDETO: Ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.

Exemplo:

Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.  

ANACOLUTO: Consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.

Exemplo: 

Ele, nada podia assustá-lo.

Nota: o anacoluto ocorre com freqüência na linguagem falada, quando o falante interrompe a frase, abandonando o que havia dito para reconstruí-la novamente.

ANAFÓRA: Consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.

Exemplo: 

Cada alma é uma escada para Deus,

Cada alma é um corredor-Universo para Deus,

Cada alma é um rio correndo por margens de Externo

Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)

SILEPSE: Ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.

De gênero.

Exemplo: 

Vossa excelência está preocupado com as notícias. (a palavra vossa excelência é feminina quanto à forma, mas nesse exemplo a concordância se deu com a pessoa a que se refere o pronome de tratamento e não com o sujeito).  

De número. 

Exemplo: 

A boiada ficou furiosa com o peão e derrubaram a cerca. (nesse caso a concordância se deu com a idéia de plural da palavra boiada).  

De pessoa 

Exemplo:

As mulheres decidimos não votar em determinado partido até prestarem conta ao povo. (nesse tipo de silepse, o falante se inclui mentalmente entre os participantes de um sujeito em 3ª pessoa).  

SÍNTESE DO TUTORIAL:

As figuras de linguagem são recursos não-convencionais que o falante ou escritor cria para dar maior expressividade à sua mensagem.  

Metáfora é o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhança. 

Comparação é uma atribuição de característica de um ser a outro em virtude de uma determinada semelhança. 

Prosopopéia atribui características humanas a seres inanimados.

Sinestesia consiste na fusão de impressões sensoriais diferentes.

Catacrese é uma metáfora desgastada, tão usual que já não percebemos, ou seja, é o emprego de uma palavra no sentido figurado por falta de um termo próprio.  

Metonímia é a substituição de uma palavra por outra, quando existe uma relação lógica, uma proximidade de sentidos que permite essa troca.  

Perífrase é a designação de um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou. 

Antítese consiste no uso de palavras de sentidos opostos.  

Eufemismo consiste em suavizar palavras ou expressões que são desagradáveis.  

Hipérbole é um exagero intencional com a finalidade de tornar mais expressiva à idéia.

Ironia consiste na inversão dos sentidos, ou seja, afirmamos o contrário do que pensamos.

Onomatopéia consiste na reprodução ou imitação do som ou voz natural dos seres.  

Aliteração consiste na repetição de um determinado som consonantal no início ou interior das palavras.  

Elipse consiste na omissão de um termo que fica subentendido no contexto, identificado facilmente.  

Zeugma consiste na omissão de um termo já empregado anteriormente.  

Pleonasmo consiste na intensificação de um termo através da sua repetição, reforçando seu significado.  

Polissíndeto é a repetição da conjunção entre as orações de um período ou entre os termos da oração.  

Assíndeto ocorre quando há a ausência da conjunção entre duas orações.  

Anacoluto consiste numa mudança repentina da construção sintática da frase.

Anáfora consiste na repetição de uma palavra ou expressão para reforçar o sentido, contribuindo para uma maior expressividade.

Silepse ocorre quando a concordância é realizada com a idéia e não sua forma gramatical. Existem três tipos de silepse: gênero, número e pessoa.


 

Figuras de Linguagem

a) Figuras sonoras

Aliteração: repetição de sons consonantais (consoantes).

Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das características marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia.
Ex: "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas." (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)

Assonância: repetição dos mesmos sons vocálicos.

Ex: (A, O) - "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral." (Caetano Veloso)
(E, O) - "O que o vago e incóngnito desejo de ser eu mesmo de meu ser me deu." (Fernando Pessoa)

Paranomásia: o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).

Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre Antonio Vieira)

Onomatopéia: criação de uma palavra para imitar um som

Ex: A língua do nhem "Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois dava a sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa / A boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-nhem-nhem-nhem..." (Cecília Meireles)

b) Figuras de sintaxe

Elipse: omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida.

Casos mais comuns:

a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: iremos depois, compraríeis a casa?
b) substantivo - a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracanã, no ligar de o estádio Maracanã
c) preposição - estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas, no lugar de: estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas.
d) conjunção - espero você me entenda, no lugar de: espero que você me entenda.
e) verbo - queria mais ao filho que à filha, no lugar de: queria mais o filho que queria à filha. Em especial o verbo dizer em diálogos - E o rapaz: - Não sei de nada !, em vez de E o rapaz disse:

Zeugma :omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes.

Se for verbo, pode necessitar adaptações de número e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo, nas or. comparativas. Ex: Alguns estudam, outros não, por: alguns estudam, outros não estudam. / "O meu pai era paulista / Meu avô, pernambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano." (Chico Buarque) - omissão de era

Hipérbato: Alteração ou inversão da ordem direta dos termos na oração, ou das orações no período.

São determinadas por ênfase e podem até gerar anacolutos.
Ex: Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
Obs1.: Bechara denomina esta figura antecipação.
Obs2.: Se a inversão for violenta, comprometendo o sentido drasticamente, Rocha Lima e Celso Cunha denominam-na sínquise
Obs3.: RL considera anástrofe um tipo de hipérbato

Anástrofe: anteposição, em expressões nominais, do termo regido de preposição ao termo regente.

Ex: "Da morte o manto lutuoso vos cobre a todos.", por: O manto lutuoso da morte vos cobre a todos.
Obs.: para Rocha Lima é um tipo de hipérbato

Pleonasmo: Repetição de um termo já expresso, com objetivo de enfatizar a idéia.

Ex: Vi com meus próprios olhos. "E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento." (Vinicius de Moraes), Ao pobre não lhe devo (OI pleonástico)
Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro - decorre da ignorância, perdendo o caráter enfático (hemorragia de sangue, descer para baixo)

Assíndeto: Ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior rapidez ao texto.

Ocorre muito nas or. coordenadas.
Ex: "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios."

Polissíndeto: Repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período.

Ex: O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata. "E sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o sarcasmo / e sob a gosma e o vômito (...)" (Carlos Drummond de Andrade)

Anacoluto: Termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica.

 Normalmente, inicia-se uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.
Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de alguns anos sem importância (sujeito sem predicado) / Quem ama o feio, bonito lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração)

Anáfora: repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.

Ex: "Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta / Pro desfecho que falta / Por favor." (Chico Buarque)
Obs.: repetição em final de versos ou frases é epístrofe; repetição no início e no fim será símploce. Classificações propostas por Rocha Lima.

Silepse: É a concordância com a idéia, e não com a palavra escrita.

Existem três tipos:
a) de gênero (masc x fem): São Paulo continua poluída (= a cidade de São Paulo). V. Sª é lisonjeiro
b) de número (sing x pl): Os Sertões contra a Guerra de Canudos (= o livro de Euclides da Cunha). O casal não veio, estavam ocupados.
c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas (3ª pess - os brasileiros, mas quem fala ou escreve também participa do processo verbal)

Antecipação: Antecipação de termo ou expressão, como recurso enfático.

Pode gerar anacoluto.
Ex.: Joana creio que veio aqui hoje.
O tempo parece que vai piorar
Obs.: Celso Cunha denomina-a prolepse.

c)Figuras de palavras ou tropos

(Para Bechara alterações semânticas)

Metáfora: Emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia.

É um tipo de comparação implícita, sem termo comparativo.
Ex: A Amazônia é o pulmão do mundo. Encontrei a chave do problema. / "Veja bem, nosso caso / É uma porta entreaberta." (Luís Gonzaga Junior)
Obs1.: Rocha Lima define como modalidades de metáfora: personificação (animismo), hipérbole, símbolo e sinestesia. ? Personificação - atribuição de ações, qualidades e sentimentos humanos a seres inanimados. (A lua sorri aos enamorados) ? Símbolo - nome de um ser ou coisa concreta assumindo valor convencional, abstrato. (balança = justiça, D. Quixote = idealismo, cão = fidelidade, além do simbolismo universal das cores)
Obs2.: esta figura foi muito utilizada pelos simbolistas

Catacrese: Uso impróprio de uma palavra ou expressão, por esquecimento ou na ausência de termo específico.

Ex.: Espalhar dinheiro (espalhar = separar palha) / "Distrai-se um deles a enterrar o dedo no tornozelo inchado." - O verbo enterrar era usado primitivamente para significar apenas colocar na terra.
Obs1.: Modernamente, casos como pé de meia e boca de forno são considerados metáforas viciadas. Perderam valor estilístico e se formaram graças à semelhança de forma existente entre seres.
Obs2.: Para Rocha Lima, é um tipo de metáfora

Metonímia: Substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles associação de significado.

Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra - livro) / Ir ao barbeiro (o possuidor pelo possuído, ou vice-versa - barbearia) / Bebi dois copos de leite (continente pelo conteúdo - leite) / Ser o Cristo da turma. (indivíduo pala classe - culpado) / Completou dez primaveras (parte pelo todo - anos) / O brasileiro é malandro (sing. pelo plural - brasileiros) / Brilham os cristais (matéria pela obra - copos).

Antonomásia, perífrase: Substituição de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma expressão que facilmente o identifique.

Fusão entre nome e seu aposto.
Ex: O mestre = Jesus Cristo, A cidade luz = Paris, O rei das selvas = o leão, Escritor Maldito = Lima Barreto
Obs.: Rocha Lima considera como uma variação da metonímia

Sinestesia: Interpenetração sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, visão, audição, gustação e tato).

Ex.: "Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava ... / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melancolizava." (Cruz e Souza)
Obs.: Para Rocha Lima, representa uma modalidade de metáfora

Anadiplose: É a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no começo de outro membro de frase.

Ex: "Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente condena os motivos dados.":

d)Figuras de pensamento

Antítese: Aproximação de termos ou frases que se opõem pelo sentido.

Ex: "Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios" (Vinicius de Moraes)
Obs.: Paradoxo - idéias contraditórias num só pensamento, proposição de Rocha Lima ("dor que desatina sem doer" Camões)

Eufemismo: Consiste em "suavizar" alguma idéia desagradável

Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos exames. (foi reprovado)
Obs.: Rocha Lima propõe uma variação chamada litote - afirma-se algo pela negação do contrário. (Ele não vê, em lugar de Ele é cego; Não sou moço, em vez de Sou velho). Para Bechara, alteração semântica.

Hipérbole: Exagero de uma idéia com finalidade expressiva

Ex: Estou morrendo de sede (com muita sede), Ela é louca pelos filhos (gosta muito dos filhos)
Obs.: Para Rocha Lima, é uma das modalidades de metáfora.

Ironia: Utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim, valor irônico.

Obs.: Rocha Lima designa como antífrase
Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta.

Gradação: Apresentação de idéias em progressão ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax)

Ex: "Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não veja, que eu não conheça perfeitamente."

Prosopopéia, personificação, animismo: É a atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e inanimados.

Ex: "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel ..." (Jõao Bosco / Aldir Blanc)
Obs.: Para Rocha Lima, é uma modalidade de metáfora
 
Princípio 1: Procure a intenção do significado do autor
Toda passagem bíblica tem um significado objetivo pretendido pelo autor. A tarefa do intérprete é descobrir esse significado. Esse princípio parece claro o bastante, entretanto devemos desenvolver muitas questões que ele levanta..
Primeira, quem é o autor e como descobrir sua intenção. Mesmo quando sabemos o nome do autor humano (Moisés, Paulo, Davi), não temos acesso direto a ele. Não podemos perguntar a Paulo se ele se referiu aos cristãos ou aos não-cristãos quando descreveu uma pessoa que não quer fazer o que Deus deseja em Romanos 7.21-25. Podemos apenas responder tais questões nos colocando no período em que o autor escreveu o livro e questionando a sua intenção, ao nos dizer esse ou aquele assunto.
Uma segunda questão tem a ver com o caráter único da Bíblia como Palavra de Deus. Como 2 Pedro 1.21 afirma: "porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo." Deus é o autor último da Bíblia e, dependendo da maneira que entendemos esta verdade, haverá implicações. Observemos um exemplo de Oséias 11.1: Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei o meu filho.
Quem é o autor dessa passagem? De acordo com o primeiro verso de Oséias, é o profeta que tem esse nome. Entretanto, como podemos saber quais foram as intenções de suas palavras nesta passagem? Primeiro, conhecemos aproximadamente a época em que ele viveu. Também há um contexto mais amplo do livro todo, que nos dá uma idéia completa do que Oséias queria dizer neste verso. Quando estudamos este texto no contexto do livro todo, descobrimos que Oséias está se referindo ao êxodo descrito no livro do Êxodo.
Mais adiante, podemos ler Mateus 2 e chegar ao verso 15. Lá, o escritor aplica Oséias 11.1 a Jesus como um menino retornando do Egito à Judéia. Essa referência não parece ser a intenção de Oséias. Porém, aqui devemos nos lembrar que o significado do texto reside na intenção de Deus, seu autor último. À medida que lemos essa passagem levando em consideração todo o contexto bíblico, percebemos que Deus fez uma analogia. Profeticamente, ele está relacionando Israel (os filhos de Deus sendo libertos do Egito) com Jesus (o Filho de Deus, que vem do Egito). Este é um modelo que percorre todo evangelho de Mateus.
Perceba que este princípio reconhece que existe um significado no texto. Esse é um ponto importante na nossa era de relativismo. Um grande número de intérpretes estudiosos da Bíblia, na sua maioria professores de universidades, sugerem que a Bíblia não estabeleceu nenhum significado e que podemos ler nela o que desejarmos. Pelo contrário, quando interpretamos a Bíblia, buscamos aquilo que o autor quis dizer originalmente, ao invés de impor o nosso significado. Quando a interpretação do leitor entra em conflito com a intenção do autor, a interpretação do leitor é errônea.
[Nas próximas semanas, Deus permitindo, iremos reproduzir nesta seção sete princípios básicos de hermenêutica do livro “Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente” de Tremper Longman III.]

Principio 2: Leia a passagem dentro do seu contexto
Na Bíblia, assim como em toda boa literatura, devemos ter uma compreensão do todo a fim de apreciar e entender as partes. Nunca deveríamos tratar um livro da Bíblia como uma coleção de passagens isoladas. São histórias, poemas e cartas conectadas. O significado dos versos pode ser descoberto no fluxo de todo o fragmento literário.
Este princípio não nos impede de abrirmos um livro bíblico no meio e ler uma parte, porém deveríamos fazê-lo somente se tivermos uma compreensão básica de como a passagem se encaixa na mensagem do livro todo. Em outras palavras, quando lemos pequenas porções e versículos das Escrituras, devemos ter um grande cuidado. Caso contrário, podemos distorcer a mensagem de Deus.
Como um novo cristão que espera obedecer a Deus, um dia, um amigo procurou nas Escrituras orientação acerca de casamento. Seus olhos caíram em1 Coríntios 7.27: "Estás casado? Não procures separar-te. Estás livre de mulher? Não procures casamento." Primeiramente, esse fato o confundiu, e, como cresceu numa igreja tradicional que prezava pelo celibato do sacerdócio, isso não lhe pareceu tão distante do seu objetivo. Mas, conforme lia o contexto do livro todo, ele percebeu, para seu alívio, que Paulo não proibia os cristãos de se casarem.
O contexto inclui mais do que apenas os parágrafos que vêm antes e depois de um texto. Inclui um cenário histórico temático muito mais amplo. Por exemplo: considere Gênesis 50.20, quando José disse: "Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida." Se você observar o contexto imediato, veremos que ele está falando com seus irmãos imediatamente após a morte de seu pai. Para compreender a que ele está se referindo, precisamos ler o contexto todo da história de José em Gênesis 37.1-50. Apenas desta maneira veremos que os irmãos de José o venderam aos mercadores midianitas, que o levaram ao Egito. Também observamos como Deus usou más ações humanas para colocar José numa posição de poder e, finalmente, permitiu que ele salvasse a sua família.
Entretanto, há um contexto maior a considerar. Se lermos Gênesis 50.20 à luz de todo o livro de Gênesis, resgatamos a promessa que Deus deu a Abraão — a respeito da terra e dos seus inúmeros descendentes. Sem dúvida alguma, José reflete o passado e suas declarações mostram a sua consciência de que Deus havia dirigido a má intenção de seus irmãos, a fim de preservar a linha familiar e de cumprir as promessas de Deus feitas a Abraão.
Entretanto, ainda não terminamos com o contexto. O contexto último de qualquer passagem particular é a Bíblia toda. À medida que lemos a Bíblia, vemos que ela apresenta muitos paralelos com as declarações de Moisés, entretanto nenhuma foi tão nítida quanto as palavras de Pedro descrevendo a morte de Jesus. Em Atos 2.22-24, Pedro disse que Jesus foi morto por homens que tinham intenções maldosas, porém Deus usou aquelas intenções para salvar muitos dos seus pecados.
Podemos aprender a ler o contexto através da leitura de todos os livros da Bíblia, ao invés de simplesmente lermos fragmentos dela. Se você consegue sentar-se por duas ou três horas para ler um romance, tente fazer o mesmo com Isaías ou Atos dos Apóstolos, entretanto certifique-se de que está usando uma versão contemporânea. Sempre que ler uma pequena passagem, leia-a com um resumo do livro inteiro em mente ou com a ajuda de um bom comentário.
A natureza precisa do contexto pode diferir de um livro para o outro. O contexto dos livros históricos se originam do curso de eventos na história. Nas epístolas ou nas cartas, uma idéia constrói a outra. Em Provérbios, capítulos 10 a 31, há um contexto solto. Nestes capítulos, um provérbio expressivo — sobre a preguiça, por exemplo — é seguido por dois sobre a língua e, então outro sobre a preguiça novamente. Mesmo assim, em todos os livros bíblicos, deveríamos ter uma visão do livro todo quando estudamos uma parte dele. Sempre questione como aquela passagem pode encaixar-se com a mensagem do livro todo, e até mesmo com toda a Bíblia.
[Nas próximas semanas, Deus permitindo, iremos reproduzir nesta seção outros princípios básicos de hermenêutica do livro “Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente” de Tremper Longman III.]
Princípio 3: Identifique o gênero da passagem
Textos escritos têm uma variedade de formas. Um gênero literário é um grupo de textos que compartilha semelhança no seu conteúdo, tom ou estrutura. Somos familiarizados com o gênero em uma biblioteca ou livraria. Livros podem ser classificados em ficção ou não ficção. A ficção pode ser dividida em romance, mistério, aventura, ficção científica e etc... A nossa impressão inicial de um livro depende do conhecimento que temos do seu gênero, e este determina o modo como o lemos.
Certa noite, sentei-me com um livro e fui pego pela sua sentença introdutória: "quando Gregor Samsa despertou da noite inquietante que tivera, descobriu que havia se transformado em um inseto gigantesco." Era uma frase que chamava a atenção, porém não me fez estremecer. O livro era o Metamorfose, de Franz Kafka, uma história que fala sobre seres humanos que conseguem se transformar em insetos. Fui capaz de dar um basta à minha incredulidade por saber que estava começando a me deixar levar pela ficção.
A Bíblia contém uma riqueza infindável de estilos literários. Isso me faz recordar da mesa de jantar que minha mãe preparava no dia de Ação de Graças. Naquele dia especial em que comemorávamos as bênçãos materiais dadas por Deus, ela tinha o costume de colocar uma decoração diferente no centro da mesa. Ela colocava um vaso em forma de chifre — uma cornucópia — no centro da mesa e o enchia com pequenas abóboras, cabaços e espigas de milho ornamentais que transbordavam do vaso e caíam sobre a toalha de mesa. Quando abrimos as páginas da Bíblia, também encontramos uma cornucópia espiritual — um presente divino que nos alimenta — com uma diversidade literária que influencia nossos interesses, estimula a imaginação e chama a nossa atenção para cada aspecto da vida.
À medida que lemos de Gênesis a Apocalipse, passamos por histórias, leis, poesias, sabedoria, profecia, evangelhos, epístolas e literatura apocalíptica. E quando conhecemos o estilo — o gênero — da literatura que estamos lendo, podemos entendê-la melhor. Lemos história com uma postura diferente de quando lemos uma poesia. Gêneros diferentes evocam expectativas e estratégias de interpretação diferentes.
O gênero é um conceito tão importante para que possamos fazer uma leitura adequada das Escrituras, que devotamos o resto desse livro à exploração dos principais estilos da literatura bíblica. Pela ordem, examinaremos como a história, leis, sabedoria e poesia, profecia e literatura apocalíptica, evangelhos e parábolas, e cartas deveriam ser interpretadas. Cada estilo nos leva, de diversas maneiras, a um encontro com Jesus Cristo.
[Nas próximas semanas, Deus permitindo, iremos reproduzir nesta seção outros princípios básicos de hermenêutica do livro “Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente” de Tremper Longman III.]
de Tremper Longman III
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O livro de Tremper Longman III do qual este texto foi extraído, "Lendo a Bíblia com O Coração e a Mente", pode ser encomendado da Editora Cultura Cristã selecionando a capa do livro ao lado: