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O calvinismo transforma a Bíblia em uma zombaria



O calvinismo transforma a Bíblia em uma zombaria



Por que Cristo ordena que o evangelho seja pregado a toda criatura se o homem está morto e não pode crer e se Deus já predeterminou salvar apenas um grupo seleto desde a eternidade passada, condenando o resto? Por que Deus ordena “a todos os homens em todos os lugares que se arrependam” (Atos 17.30) se o eleito não pode perecer e o não eleito não pode se arrepender?

Beira a blasfêmia atribuir a Deus a insensibilidade e a falta de sinceridade de apelar por arrependimento e fé daqueles que estão mortos e não podem nem ouvir nem responder – daqueles que Ele predestinou ao tormento eterno desde a eternidade passada e de quem Ele retém a habilidade para se arrepender e crer. Por que apresentar uma ficção elaborada de que Deus ama a todos e que todos os homens têm a escolha de receber ou rejeitar a Cristo? Por que, se Deus poderia cessar todo o mal e sofrimento e salvar a todos, Ele permite que o mal e o sofrimento cresçam a um nível pior e salva apenas alguns?

A fim de manter a teoria da depravação total como a inabilidade de buscar ou obedecer a Deus, de uma eleição incondicional que não deixa espaço para a resposta humana e de uma graça irresistível que impõe a salvação por meio da regeneração anterior a qualquer fé da parte do homem, deve ser negado que o homem pode escolher crer e aceitar a Cristo como seu salvador. De fato, o Calvinismo concorda com Lutero que o homem não tem nenhum livre arbítrio.[1] Disso segue-se que não pode fazer nada de sua própria iniciativa, nem mesmo o mal – e certamente nenhum bem. Apesar de centenas de textos bíblicos em contrário, a negação da vontade humana permanece no próprio coração do Calvinismo. Como Zane Hodges destaca “Se existe uma coisa que o Calvinista de cinco pontos sustenta com vigorosa tenacidade é a crença que não pode haver nenhum livre arbítrio em absoluto.”[2]

Como veremos mais plenamente no próximo capítulo, o Calvinismo segue a teoria de Calvino de que tudo o que aconteceu ou acontecerá, incluindo a impiedade mais vil, foi preordenada por Deus para ocorrer exatamente como Ele desejou: “Ele decretou que…todos os eventos que ocorrem por seu decreto soberano.[3] Tudo o que é feito no mundo está de acordo com o seu decreto…assim ordenado por seu decreto”.[4] Boettner disse “O princípio básico do Calvinismo é a soberania de Deus.[5] [Ele] cria os próprios pensamentos e intenções da alma.”[6] Em outras palavras, os pecados mais perversos que os homens cometem são concebidos, predestinados e causados por Deus! Sproul concorda: “Deus deseja todas as coisas que acontecem.”[7] Calvino coloca assim:

Defendemos que…os conselhos e desejos dos homens…mais exatamente no curso que [Deus] destinou…Agostinho em todos os lugares ensina…que não pode existir um absurdo maior do que sustentar que alguma coisa é feita sem a ordenação [de Deus]…nenhuma causa deve ser vista, mas a vontade de Deus…[todos] os eventos são…produzidos por Deus.[8]

Esta doutrina estranha, tão essencial ao Calvinismo, flutua na face de nosso senso comum e experiência diária, que nos diz claramente que fazemos centenas de escolhas todos os dias e que nós não podemos culpar a Deus por nenhuma delas. Além disso, como veremos no próximo capítulo, a Bíblia afirma explicitamente que o homem age segundo sua própria vontade. De fato, ele deve se é para ele agradar e amar a Deus. Qualquer oferta ao Senhor no Antigo Testamento era pra ser dada voluntariamente; e.g., “Segundo a sua vontade, oferecerá macho sem defeito” (Levítico 22.19). E existem dúzias de exemplos de adoradores fazendo exatamente isso de coração; e.g., Êxodo 25.2; Juízes 5.9; 1 Crônicas 29.9, 17; 2 Crônicas 17.16; 35.8; 2 Coríntios 8.3,12.

O Calvinismo transforma a Bíblia e a experiência humana em uma zombaria. Afirmações de Deus que ordenam e apelam com os homens para obedecer abundam por toda a Escritura, oferecendo perdão do pecado pelo arrependimento. Mas se o homem não tem nenhum livre arbítrio, todas elas são fingimento da parte de Deus, um jogo que Ele está jogando para iludir o homem em pensar que ele pode escolher amar e buscar ao Senhor. Deus está enganando os homens em pensar que todos podem crer em Cristo para a salvação quando este privilégio está reservado para alguns exclusivos. De fato, o Calvinista insiste que o homem não pode desejar nada, que Deus predestinou cada pensamento seu, palavra, ato e ainda o mantém responsável. Esta é a zombaria Calvinista de Gênesis a Apocalipse.

Boettner afirmou que “mesmo a queda de Adão e por ele a queda da raça…foi assim ordenada nos conselhos secretos de Deus”.[9] Deus ordenou para Adão e Eva não comer da árvore do conhecimento e disse a eles que se eles comessem, eles morreriam. Ainda, Deus realmente queria que eles comessem dessa árvore, preordenou que eles comeriam, os causou a desobediência e então os mantém responsáveis e os pune. Calvino afirma “o primeiro homem caiu porque o Senhor considerou que ele deveria.”[10] Sproul concorda como ele deve manter a TULIP: “Deus desejou para o homem cair em pecado…Deus criou o pecado.”[11] Também pegando sua interpretação de Calvino, Palmer insiste “Deus ordena o pecado e a culpa é do homem…o pecado é…preordenado por Deus.”[12]

Deus não seria culpável, pelo menos como um cúmplice em um crime, por causar o pecado do homem? Não, diz o Calvinista, porque nós não podemos aplicar nossos padrões a Deus. Deus coloca em nossa consciência os padrões morais pelos quais julgamos uns aos outros. Jogando de lado a consciência, o senso comum e centenas de textos bíblicos, o Calvinista insiste que “Se Deus decide predestinar ou decretar qualquer mal em especial para qualquer propósito que ele pretende, quem somos nós para replicar a Deus (Romanos 9.19-24)?”[13]

Claro, não ousamos julgar a Deus. Mas ao mesmo tempo devemos ser confiantes que Deus é “tão puro de olhos, que não pode ver o mal e a opressão não pode contemplar” (Habacuque 1.13) e “não pode ser tentado pelo mal e a ninguém tenta” (Tiago 1.13). Esse sendo o caso, podemos estar confiantes que Deus não causaria o pecado do homem. A própria sugestão Calvinista é contrária a Bíblia e repugnante a nossa consciência dada por Deus. Que todo pecado e impiedade é contrária à vontade de Deus e assim não poderia ser tentado por ele é tão claramente estabelecida na Escritura que não necessita de prova adicional aqui.

O Calvinista pega alguns versos fora do contexto e os deturpa para indicar Deus causando o mal. Uma “prova” favorita de que Deus é a causa do mal é: “Sucederá algum mal na cidade que o Senhor não o tenha feito?” (Amós 3.6). A palavra hebraica aqui traduzida como mal é rah, que é usada repetidamente com o significado de calamidade, problemas, sofrimento e destruição, mas quase nunca como impiedade moral. Deus está advertindo Israel sobre o Seu julgamento vindouro contra os pecados da nação, e que esse é o contexto e o assunto. Este texto não tem nada a ver com Deus causando o mal moral. Fazer isso violaria sua santidade.

Deus não pode desejar a impiedade moral porque isso é contrário a sua vontade. Repetidamente Deus diz que os pecados de Israel o provocaram a ira e que, portanto ele trouxe o mal (calamidade, julgamento, destruição) sobre eles; e.g., Deuteronômio 4.25; Josué 23.15; Neemias 13.18; Jeremias 19.15; 35.17; 36.31. Repetidamente Jeremias adverte sobre o julgamento de Deus; e.g., “Assim diz o Senhor dos Exércitos…Eis que trarei um mal sobre este lugar…porquanto me deixaram e alienaram este lugar, e nele queimaram incenso a outros deuses…e encheram este lugar de sangue de inocentes…Porque edificaram os altos de Baal, para queimarem seus filhos no fogo em holocaustos a Baal; o que nunca lhes ordenei, nem me veio ao pensamento” (Jeremias 19. 3-5). Ainda somos convidados a crer que o Senhor causou Israel a fazer o mal de modo que Deus pudesse os punir!

Deus relembra seu povo de seus apelos por arrependimento porque Ele não queria os punir: “Vós vistes todo o mal que fiz vir sobre Jerusalém, e sobre todas as cidades de Judá;…Por causa da maldade que fizeram, para me irarem…E eu vos enviei todos os meus servos, os profetas, madrugando e enviando a dizer: ora, não façais esta coisa abominável que odeio.” (Jeremias 44.4). Claro, Deus nunca disse a seu povo ou mesmo aos seus profetas que Ele realmente quer que Israel cometa o pecado e que Ele os predestinou a esquecer dele, cometer idolatria e cometer impiedade abominável de maneira que Ele pudesse os punir. Esta revelação teria que esperar até Agostinho e Calvino.

Deus chama o pecado de Israel “esta coisa abominável que odeio” (Jeremias 44.4), ainda somos convidados a crer que Ele a preordenou? Temos que crer que Deus causou a Israel a praticar coisas que eram abomináveis a Ele? Deus afirmou que “para a ira e para o meu furor me tem sido esta cidade…para que a tirasse da minha presença” (Jeremias 32.31), e ainda o Calvinismo quer nos fazer acreditar que a desobediência e idolatria de Israel foram desejadas e preordenadas por Deus! Pelo contrário, Paulo afirmou que Deus tem ordenado às autoridades humanas como seus ministros “e vingador para castigar o que faz o mal” (Romanos 13. 4).

Se o Calvinismo é verdadeiro, Deus está zombando do homem em muitas partes da Bíblia, pretendendo oferecer salvação da pena que sua lei requer pelo mal que Ele decretou que cada um cometesse (“Tudo o que é feito no tempo está de acordo com o decreto [de Deus] na eternidade”.[14]; “Deus preordena tudo o que ocorre.”[15]). Ele pretende ser sincero ao chamar ao arrependimento, enquanto retém a própria graça que os homens precisam para se arrepender, tendo preordenado que o homem não pode e não quer se arrepender sem a regeneração soberana. O Calvinismo zomba de Deus, de sua palavra e do próprio homem!

Toda a história da humanidade se torna um espetáculo de marionetes, como Deus sendo o que opera as marionetes. Ele olhou abaixo os homens e viu que “a maldade do homem se multiplicara…e toda a imaginação dos pensamentos do seu coração era só má continuamente…a terra, porém estava corrompida…e encheu-se a terra de violência” (Gênesis 6. 5, 11). Esta situação afligiu, pesou [a Deus] no coração”. Mas se como o Calvinismo diz, Deus causou cada pensamento mal, palavra e ação, porque Ele foi afligido? E como Deus poderia ser agravado se Ele poderia ter causado aqueles que viviam nos dias de Noé a ser santos ao invés de pecadores, mas ao contrário, escolhe os condenar? E ainda Deus é amor?

White diz que Deus “é capaz de salvar perfeitamente e completamente todos que Ele deseja salvar: o fato que nem todos são salvos leva inexoravelmente a verdade da eleição divina” [ou seja, pela Sua boa vontade, Deus escolheu salvar apenas um número seleto].[16] No caso do Dilúvio, dos milhões e talvez bilhões que viviam naquele tempo, Deus salvou somente Noé e sua família. Por que tão poucos? A Bíblia diz que foi por causa da impiedade do coração de todos eles, mas o Calvinismo diz que Deus, para demonstrar Sua justiça, causou a impiedade pela qual Ele os destruiu e condenou. Eu desafio White a apresentar apenas um verso que confirme esta teoria sanguinária e fria.

Paulo disse “persuadimos os homens à fé” (2 Coríntios 5.11). Por que, se o eleito não precisa ser persuadido, tendo sido predestinado à salvação e o não eleito não pode ser persuadido, tendo sido predestinado ao lago de fogo? O texto amplo da Bíblia é mutilado para que a teoria possa caber. Lucas escreve que Paulo e Barnabé “falaram de tal modo que creu uma grande multidão, não só de Judeus, mas de Gregos” (Atos 14.1). Falaram de tal modo? Isto não é enganador? O Calvinismo diz que a salvação dos ouvintes não teve nada a ver com a pregação dos apóstolos, mas com Deus regenerando soberanamente e dando a fé para crer. Em centenas de lugares as palavras claras da Escritura devem ser mudadas para acomodar a teoria fabricada pelo homem.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira” (João 3.16) não significa realmente o mundo todo, mas certos pecadores eleitos no “propósito particular eletivo de Deus.[17] Mundo aqui não pode significar todos.”[18] “que todo aquele que nele crê” não significa realmente que todos podem crer, mas apenas alguns. Palmer escreve: “Foi justamente porque Deus amou o mundo dos pecadores eleitos que Ele enviou Seu Filho unigênito…Nesta passagem ‘mundo’ não significa cada pessoa no singular…mas…pessoas de toda tribo e nação – não somente os Judeus.”[19] A teoria é imposta sobre a Bíblia.

Calvino apresenta Deus zombando do não eleito: “Existe uma chamada universal pela qual Deus, por meio da pregação externa da palavra convida a todos os homens de maneira idêntica, mesmo aqueles por quem ele designa a chamada ser um cheiro de morte, e o fundamento de uma condenação severa.”[20] Ele chama por meio do evangelho mesmo aqueles que Ele predestinou a condenação eterna? Os chama para o quê? O Deus de Calvino está aparentemente sendo sarcástico ao não eleito com o evangelho, oferecendo a salvação que Ele não os deixa ter.

E ainda Calvino ousa insistir:

Não pode ser dito que ele [Deus] age enganosamente; pois embora a palavra externa apenas torna indesculpáveis aqueles que a ouvem e não a obedecem, é ainda verdade com respeito a evidência da graça pela qual ele reconcilia os homens a si mesmo. Vamos, portanto sustentar a doutrina do profeta, que Deus não tem prazer na morte do pecador: o piedoso pode sentir confiança que tudo o que eles se arrependem Deus está pronto para os perdoar; e que o ímpio pode sentir que sua culpa é redobrada quando eles não respondem a grande misericórdia e condescendência de Deus. A misericórdia de Deus, portanto, estará sempre pronta a encontrar o penitente; mas todos os profetas e apóstolos e o próprio Ezequiel nos diz claramente que eles são a quem o arrependimento é dado.[21]

White cita Calvino relativo a 1 Timóteo 2.1-4: “Deus tem no coração a salvação de todos, porque Ele convida a todos ao reconhecimento de sua verdade…Todos aqueles a quem o evangelho é endereçado são convidados a esperança da vida eterna.”[22] Como aqueles predestinados a condenação eterna podem ser “convidados a esperança da vida eterna?” Que perversidade da parte de Calvino dizer que “pelo evangelho a graça de Deus é oferecida” aqueles que ele afirma “são excluídos do acesso a vida”![23] Tal insensibilidade é arrepiante!

Calvino afirmou que “[Deus] quer que todos os homens sejam salvos” (1 Timóteo 2.4) não significa todos os homens, mas todos os tipos e raças de homens[24]…Ele está falando de classe…o interesse [de Paulo] é apenas incluir príncipes e nações estrangeiras neste número.”[25] A audácia de Calvino em mudar o significado da Escritura é impressionante! “Nações estrangeiras” nem sequer são mencionadas. Paulo exorta que “orações sejam feitas por todos os homens”. Ele enfatiza que orações sejam feitas “por reis e por todos que estão investidos de autoridade” e especifica o motivo: “para que tenhamos uma vida quieta e sossegada”. Então ele acrescenta “[Deus] quer que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade.” Por transformar “todos os homens” em “todos os tipos de homens” e “príncipes e nações estrangeiras” a fim de acomodar seu sistema de teologia, os Calvinistas responderão diante de Deus.

Muito é alterado! “Ele é a propiciação…pelos pecados do mundo inteiro” (1 João 2.2) não significa realmente o mundo inteiro, mas os não Judeus eleitos: “‘Mundo’ é visto como pretendendo transcender o particularismo judaico nacionalista.”[26] “O entendimento Reformado é…[o “mundo todo” significa] todos os cristãos em todo o mundo.”[27] Para se manter, o Calvinismo deve mudar o significado do texto do qual uma simples pessoa lendo a Bíblia em sua própria linguagem entenderia. Muita coisa na Bíblia se torna em uma zombaria. Os apelos de Deus com Israel (Isaias 1.18-20), Sua oferta de salvação a todos (João 3.17-17), o “vinde a mim…todos” de Cristo (Mateus 11.28) e a promessa que “e quem quiser, tome de graça da água da vida.” (Apocalipse 22.17) parece somente oferecer salvação a todos. Segundo o Calvinismo, ninguém pode crer no evangelho sem ser regenerado primeiro e Deus limita isso ao eleito. Deus não está realmente oferecendo salvação a todos e não está verdadeiramente chamando todos os homens ao arrependimento, mas apenas alguns selecionados.

Por que impor esta ficção elaborada sobre a Bíblia de chamar todos os homens ao arrependimento, de oferecer salvação a “todo aquele que crê”, quando isso não é o que Deus quer dizer? Por que levantar falsas esperanças com linguagem enganosa? Esta é uma questão óbvia que o Calvinismo é incapaz de responder.

Por Dave Hunt

Tradução Walson Sales

Fonte:

HUNT, Dave. WHITE, James. Debating Calvinism: Five Points, Two Views. Colorado Springs, CO.: Multnomah Books, 2004, pp. 309-318

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[1] Martin Luther, trad., J.I Packer e O. R. Johnston The Bondage of the Will (Grand Rapids, Mich.: Fleming H. Revel, 1999).

[2] Zane C. Hodges, “The New Puritanism, part 3: Michael S. Horton, ‘Holy War with Unholy Weapons,’” Journal of the Grace Evangelical Society 7 (Spring 1994): 12.

[3] John Calvin, Institutes of the Christian Religion, tr. Henry Beveridge (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans, 1998), III: xxiii, 7.

[4] Ibid., I: xvi, 6; III: xxiii, 7.

[5] Loraine Boettner, The Reformed Faith (Phillipsburg, N. J.: Presbyterian & Reformed, 1983), 2.

[6] Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination (Phillipsburg, N. J.: Presbyterian & Reformed, 1932), 32.

[7] R. C. Sproul, Almight Over All (Grand Rapids, Mich.: Baker, 1999), 54.

[8] Calvin, Institutes, I: xxiii, 8.

[9] Boettner, Reformed Doctrine of Predestination, 234.

[10] Calvin, Institutes, III: xxiii, 8.

[11] Sproul, Almight Over All, 54.

[12] Edwin H. Palmer, The Five Points of Calvinism (Grand Rapids, Mich.: Baker, 1999), 100, 116.

[13] R. K. J. McGregor Wright, No Place for Sovereignty: What’s Wrong with Freewil Theism (Downers Grove, Ill.: InterVarsity, 1996), 197.

[14] John Gill, A Body of Doctrinal and Practical Divinity (Paris, Ark.: Baptist Standard Bearer, 1987), 173.

[15] Arthur W. Pink, The Sovereignty of God (Grand Rapids, Mich.: Baker, 1986), 240.

[16] James R. White, The Potter’s Freedom: A Defense of the Reformation (Amityville, N.Y.: Calvary Press, 2000), 99.

[17] Ibid., 257.

[18] John Owen, ed. William H. Goold, The Works of John Owen, (Edinburgh: Banner of Truth, 1978), X, IV: 338.

[19] Palmer, Five Points of Calvinism, 44-5.

[20] Calvin, Institutes, III: xxiv, 7.

[21] Ibid., III: xxiv, 15.

[22] White, Potter’s Freedom, 259.

[23] Calvin, Institutes, III: xxi, 7.

[24] John Calvin, citado em White, Potter’s Freedom, 141.

[25] John Calvino, Calvin’s New Testament Commentaries (Grand Rapids, Mich.: Eerdmans., 1994), 10: 209.

[26] John Calvin, citado em White, Potter’s Freedom, 257.

[27] Ibid., 274.

Fonte: http://www.cacp.org.br/o-calvinismo-transforma-a-biblia-em-uma-zombaria/

A “tolerância” de João Calvino



A “tolerância” de João Calvino



Sabemos que essa forma de intolerância vem desde cedo, mas exatamente de quando seria? Temos fortes indícios de que tudo remete a seu principal pregador, o próprio João Calvino. Embora ele fosse um gênio, e, na minha opinião, um dos maiores intelectuais que este mundo já viu, e muito acima da média dos intelectuais de sua época, ele tinha um forte problema em tolerar uma posição contrária. Isso fica evidente a começar pela leitura das próprias Institutas, a principal obra de Calvino, dividida em quatro grandes volumes.

Ele se refere aos seus oponentes, que não criam em sua doutrina, por vários diferentes nomes pejorativos, como “dementes”[1], “porcos”[2], “mentes pervertidas”[3], “cães virulentos que vomitam contra Deus”[4], “inimigos da graça de Deus”[5], “inimigos da predestinação”[6], “estúpidos”[7], “espíritos desvairados”[8], “bestas loucas”[9], “caluniadores desprezíveis”[10], “gentalha”[11], “espíritos ignorantes”[12], “embusteiros”[13], “bestas”[14], “cães, porcos e perversos”[15], “insanos”[16] e “criaturas bestiais”[17].

As ofensas também abundavam em termos pessoais. A Pighius ele chama de “cão morto”[18], a Serveto ele chama de “monstro pernicioso”[19] e aos anabatistas ele chama de “bestas loucas”[20] por negarem o batismo infantil, que hoje é rejeitado por quase todas as denominações protestantes. Sobre o batismo infantil, ele diz que “Deus irá descarregar sua vingança sobre qualquer um que desprezar assinalar seu filho com o símbolo da aliança”[21]. Como Roland Bainton bem observa, “se Calvino alguma vez escreveu algo em favor da liberdade religiosa, foi um erro tipográfico”[22].

Em Genebra, sob a influência de Calvino, uma série de regras foram impostas, dentre as quais:

“Além das leis usuais contra a dança, a profanação, os jogos de apostas, e a falta de vergonha, o número de pratos comidos em uma refeição era regulado[23]. Freqüência aos cultos públicos tornou-se obrigatório e ordenou-se que vigias verificassem quem freqüentava a igreja[24]. A censura à imprensa foi instituída e livros julgados heréticos ou imorais foram proibidos[25]. Juros nos empréstimos foram limitados a 5 por cento[26]. Os nomes que davam às crianças eram regulados[27]. Dar nome a uma criança de um santo católico era uma ofensa penal[28]. Durante um aumento repentino da praga em 1545, cerca de vinte pessoas foram queimadas vivas por bruxaria, e o próprio Calvino esteve envolvido nas perseguições[29]. De 1542 a 1546, cinqüenta e oito pessoas foram executadas e sessenta e seis exiladas de Genebra. A tortura era livremente usada para extrair confissões[30]. O calvinista John McNeil admite que ‘nos últimos anos de Calvino, e sob sua influência, as leis de Genebra se tornaram mais detalhadas e severas’”[31]

Laurence Vance ainda ressalta o caso de Jacques Gruet, oponente de Calvino:

“Jacques Gruet, um conhecido oponente de Calvino, foi preso (…) Após um mês de tortura, Gruet confessou e foi sentenciado à morte: ‘Você, de forma ultrajante, ofendeu e blasfemou contra Deus e sua sagrada Palavra; você conspirou contra o governo; você ameaçou servos de Deus e, culpado de traição, merece a pena capital’[32]. Ele foi decapitado em 26 de julho de 1547, com o consentimento de Calvino na sua morte[33]. Vários anos mais tarde um livro herético de Gruet foi descoberto e foi queimado em público em frente a casa de Gruet, conforme sugerido por Calvino[34]”[35]

Stefan Zweig afirma que “é por isso que Calvino freqüentemente tem sido rotulado como o ‘o ditador de Genebra’ que ‘toleraria em Genebra as opiniões de somente uma pessoa, as suas’”[36]. Mas o caso mais famoso é o de Miguel Serveto, que merece uma maior atenção de nossa parte.



Calvino e Serveto

Serveto era um dos principais oponentes de Calvino, pois descria na trindade, na predestinação e no batismo infantil. Os dois trocaram algumas cartas e, vendo que Serveto mantinha a opinião, Calvino passou a ignorá-lo e deixou de respondê-lo. Em suas Institutas ele menciona Serveto em várias ocasiões diferentes, sempre com adjetivos pejorativos, chamando-o de “monstro”[37] e coisas piores.

Em 13 de agosto de 1553, Serveto viajou a Genebra e ouvia um sermão de Calvino, quando foi reconhecido e preso. Calvino, então, insistiu na sua condenação à morte usando todos os meios possíveis. Ele escreveu a Farel mostrando o seu desejo de que Serveto fosse executado:

“Serveto recentemente me escreveu, e anexou em sua carta um longo volume dos seus delírios, cheio de ostentação, para que eu devesse ver algo espantoso e desconhecido. Ele faz isto para se aproximar, caso seja de meu acordo. Mas eu estou indisposto a dar minha palavra em favor de sua segurança, pois se ele vier, eu nunca o deixarei escapar vivo se a minha autoridade tiver peso”[38]

O próprio Calvino confirma que foi ele mesmo que ordenou que Serveto fosse detido:

“Temos agora um novo caso sob consideração com Serveto. Ele pretendeu talvez passar por esta cidade; pois ainda não é sabido a intenção dele ter vindo. Mas depois que ele foi reconhecido, eu pensei que ele deveria ser detido”[39]

“Finalmente, em uma má hora, ele veio a este lugar, quando, por mim instigado, um dos procuradores ordenou-o a ser conduzido para a prisão; pois eu não escondo que eu considerei meu dever dar um basta, tanto quanto podia, neste mais obstinado e indisciplinado homem, para que sua influência não possa mais espalhar”[40]

Em suas cartas a Farel, ele constantemente insistia que o veredicto deveria ser a pena de morte:

“Eu espero que ele obtenha, pelo menos, a sentença de morte”[41]

Depois que Serveto foi condenado à morte na fogueira, ele reconheceu que teve parte na sua execução:

“Honra, glória, e riquezas será a recompensa de suas dores: mas acima de tudo, não deixe de livrar o país daqueles zelosos patifes que incitam o povo para se revoltar contra nós. Tais monstros devem ser exterminados, como exterminei Michael Serveto, o espanhol”[42]

E ele ainda insistia:

“Quem quer que agora argumentar que é injusto colocar heréticos e blasfemadores à morte, consciente e condescentemente incorrerá em sua mesma culpa”[43]

Em momento nenhum ele se mostrou arrependido por ter mandado executar Serveto. Ao contrário, ele insistia que deveríamos esquecer toda humanidade quando o assunto é o “combate pela glória de Deus”, que ele entendia ser a execução dos “hereges e blasfemadores”:

“Quem sustenta que é errado punir hereges e blasfemadores, pois nos tornamos cúmplices de seus crimes (…). Não se trata aqui da autoridade do homem, é Deus que fala (…). Portanto se Ele exigir de nós algo de tão extrema gravidade, para que mostremos que lhe pagamos a honra devida, estabelecendo o seu serviço acima de toda consideração humana, que não poupamos parentes, nem de qualquer sangue, e esquecemos toda a humanidade, quando o assunto é o combate pela Sua glória”[44]

À vista de tudo isso, o calvinista William Cunningham admite:

“Não há dúvida que Calvino antecipadamente, na hora, e depois do acontecimento, explicitamente aprovou e defendeu a execução dele, e assumiu a responsabilidade do procedimento”[45]

O historiador Philip Schaff acrescenta que “o julgamento de Serveto durou mais de dois meses e o próprio Calvino redigiu um documento de trinta e oito acusações contra Serveto”[46]. Embora alguns calvinistas fanáticos tentem salvar Calvino da acusação de assassinato, os fatos documentais apontam explicitamente o contrário, e tentar jogar a culpa de Serveto somente para os outros é no mínimo vexatório e indigno.

O próprio Calvino, antes, durante e depois do julgamento de Serveto expressou diversas vezes seu desejo de que ele fosse executado e não há sequer um único registro documental de que ele tenha alguma vez se arrependido deste ato. Embora os calvinistas tentem defender Calvino afirmando que naquela época era comum a pena de morte por heresia, sabemos que o pecado continua sendo pecado do mesmo jeito, independentemente da sociedade ou cultura onde se vive. O pecado em Sodoma e Gomorra tinha o mesmo peso de um pecado em Jerusalém, mesmo que todos os habitantes se Sodoma e Gomorra fossem completamente depravados e não tivessem muito senso de moral.

Além disso, se a Bíblia ensina que devemos guardar a espada, porque todos aqueles que fazem uso da espada pela espada morrerão (Mt.26:52), então a pena de morte por razões religiosas não é apenas imoral, mas também antibíblica. Por fim, é necessário ressaltar que nem todos na época de Calvino eram intolerantes como Calvino era. O próprio Armínio, que viveu apenas uma geração depois de Calvino, era alguém reconhecido por sua calma, tolerância e paciência com todos.

Vance afirma que “Armínio foi conhecido por sua tolerância, e não há nenhum registro de qualquer perseguição praticada contra ‘heréticos’”[47]. Limborch disse que “Armínio foi um piedoso e devoto homem, prudente, cândido, brando e sereno, o mais zeloso a preservar a paz da Igreja”[48]. Isso é reconhecido até mesmo por autores calvinistas. Homer Hoeksema declara que Armínio era “um homem de amável personalidade, refinado em conduta e aparência”[49].

Arthur Custance diz que ele era “um homem dos mais honrados e indubitavelmente um crente muito fervoroso”[50]. Samuel Miller acrescenta que “Armínio, quanto a talentos, erudição, eloqüência, e exemplaridade geral de comportamento moral, é indubitavelmente digno de elevada exaltação”[51]. Hugo Grotius observa que Armínio, “condenado pelos outros, não condenou ninguém”[52]. Mas, quanto à Calvino, o historiador batista William Jones diz:

“E com respeito a Calvino, é manifesto, que a principal, a mim pelo menos, característica mais odiosa em toda a multiforme figura do papismo uniu-se a ele por toda a vida – eu quero dizer o espírito de perseguição”[53]

O que isso influencia na discussão entre calvinismo e arminianismo? Embora a doutrina em si seja algo que iremos abordar a partir do capítulo seguinte, isso nos dá uma boa noção do por que Calvino não via problemas em sua noção de Deus, principalmente à luz de seu determinismo exaustivo (onde Deus determina até mesmo o pecado) e da dupla predestinação (onde Deus determina antes da fundação do mundo que seres que ainda nem nasceram fossem lançados irremediavelmente a um inferno de tormento eterno para todo o sempre).

Oskar Pfister fala sobre isso nas seguintes palavras:

“O fato do próprio caráter de Calvino ter sido compulsivo-neurótico foi o que transformou o Deus de amor como experimentado e ensinado por Jesus, num caráter compulsivo, sustentando características absolutamente diabólicas em sua prática reprovativa”[54].

Isso explica o porquê que em momento nenhum vemos Calvino tentando salvar a reputação moral de Deus nas Institutas. Ele tenta por vezes resgatar algo da responsabilidade humana, mas nunca escreveu sequer uma única linha para tentar salvar Deus da acusação de ser o autor do pecado e aquele que determina todas as maldades e atrocidades do mundo. Como veremos no capítulo seguinte, ele afirma expressamente essas coisas, e não tinha um mínimo senso de dever em oferecer explicações.

O Deus pregado por Calvino não precisava ter muito senso moral, como o próprio Calvino não se preocupava muito com isso em sua teologia. Intolerância, crimes e perseguição eram coisas que não eram levadas a sério como são levadas hoje, e, consequentemente, Calvino não viu problema nenhum em pintar um Deus à sua própria imagem e semelhança, sem qualquer hesitação por princípios morais que os arminianos creem serem imprescindíveis e essenciais na divindade.

Foi por isso que Armínio e os arminianos rejeitaram tão fortemente o determinismo exaustivo e a dupla predestinação incondicional calvinista, pois não viam como que essas doutrinas poderiam não afetar o testemunho bíblico de um Deus cheio de amor, justiça, graça e misericórdia, que deseja que todos os homens se salvem e que cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm.2:4), que não deseja a morte de nenhum ímpio (Ez.18:23), que amou o mundo de tal maneira que deu Seu Filho unigênito para morrer por pecadores (Jo.3:16) e que é totalmente puro e não se envolve em nenhuma medida com o pecado (Hb.1:13).

[1] Institutas, 1.16.4.

[2] Institutas, 3.23.12.

[3] Institutas, 3.25.8.

[4] Institutas, 3.23.2.

[5] Institutas, 2.5.11.

[6] Sermão sobre a Eleição, p. 6. Disponível em: <http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2012/07/ebook_eleicao_calvino.pdf>

[7] Institutas, 3.11.15.

[8] Institutas, pp. 1324.

[9] Institutas, 4.16.10.

[10] Secret Providence, p. 209.

[11] Institutas, 3.3.2.

[12] Institutas, 2.7.13.

[13] Institutas, 2.16.12.

[14] Institutas, 4.7.9.

[15] Sermão sobre a Eleição, p. 4. Disponível em: <http://www.projetospurgeon.com.br/wp-content/uploads/2012/07/ebook_eleicao_calvino.pdf>

[16] Institutas, 3.2.38.

[17] Institutas, 3.2.43.

[18] Introdução a João Calvino, The Bondage and Liberation of the Will: A Defence of the Orthodox Doctrine of Human Choice against Pighius, ed. A. N. S. Lane, trad. G. I. Davies (Grand Rapids: Baker Books, 1996), p. 15.

[19] Institutas, 2.14.5.

[20] Institutas, 4.16.10.

[21] Institutas, p. 1332, IV.xvi.9.

[22] Roland H. Bainton, citado em Christian History, Vol. 5:4 (1986), p. 3.

[23] Philip Schaff, History, vol. 8, p. 490.

[24] Philip Schaff, History, vol. 8, p. 490-491.

[25] Will Durant, Reformation, p. 474.

[26] The Register of the Company of Pastors of Geneva in the Time of Calvin, trad. e ed. Philip E. Hughes (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1966), p. 58;

[27] The Register of the Company of Pastors of Geneva in the Time of Calvin, trad. e ed. Philip E. Hughes (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1966), p. 71.

[28] Fisher, Reformation, p. 222.

[29] John T. McNeil, The History and Character of Calvinism, ed. Brochure (Londres: Oxford University Press, 1966), p. 172.

[30] Fisher, Reformation, p. 222.

[31] VANCE, Laurence M. O outro lado do calvinismo.

[32] G. R. Potter e M. Greengrass, John Calvin (Nova York: St. Martin’s Press, 1983), p. 46.

[33] John T. McNeil, The History and Character of Calvinism, ed. Brochure (Londres: Oxford University Press, 1966), p. 172

[34] Philip Schaff, History, vol. 8, p. 504.

[35] VANCE, Laurence M. O outro lado do calvinismo.

[36] ZWEIG, Stefan, The Right to Heresy (Londres: Cassell and Company, 1936), p. 107.

[37] Institutas, 2.14.5.

[38] Carta de Calvino a Farel, 13 de fevereiro de 1546, em João Calvino, Letters of John Calvin (Edinburgo: The Banner of Truth Trust, 1980), p. 82.

[39] Carta de Calvino a Farel, 20 de agosto de 1553, em Calvino, Letters, p. 158.

[40] Calvino, citado em Philip Schaff, History, vol. 8, p. 765.

[41] Carta de Calvino a Farel, 20 de agosto de 1553, em Calvino, Letters, p. 159.

[42] Carta de Calvino ao marquês de Poet, citado em Voltaire, The Works of Voltaire (Nova York: E. R. DuMont, 1901), vol. 4, p. 89. Robert Robinson faz referência a isto, Ecclesiastical Researches (Gallatin: Church History Research & Archives, 1984), p. 348, e Benedict, History, vol. 1, p. 186.

[43] Defense of the Orthodox Trinity Against the Errors of Michael Servetus, citado em Philip Schaff, History, vol. 8, p. 791.

[44] John Marshall, John Locke, Toleration and Early Enlightenment Culture (Cambridge Studies in Early Modern British History), Cambridge University Press, p. 325, 2006, ISBN 0-521-65114-X.

[45] Cunningham, Reformers, pp. 316-317.

[46] Schaff, History, vol. 8, p. 769.

[47] VANCE, Laurence M. O outro lado do calvinismo.

[48] Philip Limborch, citado em Works of Arminius, vol. 1, p. liii.

[49] Homer Hoeksema, Voice of Our Fathers, p. 9.

[50] Arthur C. Custance, The Sovereignty of Grace (Phillipsburg: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1979), p. 195.

[51] Samuel Miller, Ensaio Introdutório a Thomas Scott, The Articles of the Synod of Dort (Harrisonburg: Sprinkle Publications, 1993), p. 17.

[52] Hugo Grotius, citado em George L. Curtiss, Arminianism in History (Cincinnati: Cranston & Curts, 1894), p. 50.

[53] William Jones, The History of the Christian Church, 5a ed. (Gallatin: Church History Research and Archives, 1983), vol. 2, p. 238.

[54] Oskar Pfister, citado em Christian History, Vol. 5:4 (1986), p. 3.

Extraído do livro “Calvinismo X Arminianismo: quem está com a razão?”, cedido pela comunidade de arminianos do Facebook

Fonte: http://www.cacp.org.br/a-tolerancia-de-joao-calvino/

Predestinação e Livre-Arbítrio


Vincular indivíduos a destinos, antes mesmo de nascerem, é pensamento contrário às Escrituras, pois a Bíblia evidencia que os destinos estão vinculados aos caminhos. Se alguém nascido da carne e do sangue (Adão) não tomar a decisão de acatar o convite de Deus, será conduzido pelo caminho largo à perdição, mas qualquer que nascer do espírito (último Adão), acatando o convite de Deus, estará no caminho estreito (Cristo), que conduz o homem a Deus.

Predestinação e Livre-Arbítrio
“Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais” (1 Coríntios 15:48 ).
Introdução
É tão espantosa a quantidade de textos sobre predestinação e livre-arbítrio,[1] que o argumento inicial se restringe em afirmar que o tema é de difícil explicação ou é um problema insolúvel.
Invariavelmente, os artigos sobre predestinação e livre-arbítrio, quando começam com as razões acima, somente conduzirão o leitor a rever posições doutrinárias de alguns teólogos do período da reforma protestante e, ao final, não apresentará uma resposta segura ao tema, além de introduzir muitas dúvidas.
É recorrente afirmar que o assunto tem sido objeto de inúmeras discussões ao longo da história do cristianismo, porém, o que se vê não é discussão, mas a imposição de ideias que se sagraram sob o rótulo de ‘escriturísticas’, ou seja, não podem ser questionadas.
No entanto, vale destacar que, se determinado assunto das Escrituras possui duas correntes doutrinárias, certamente uma delas é anti-bíblica ou, ambas são anti-bíblicas, pois o modelo das sãs palavras do evangelho não comportam duas vertentes sobre o mesmo tema: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor, que há em Cristo Jesus” (2Tm 1:13) .
Considerar que a Bíblia comporta duas doutrinas contraditórias e que ambas possuem fundamento bíblico é tendência de cunho humanista[2], portanto, contraria as Escrituras, pois o próprio Senhor Jesus não teve tal autonomia: “E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai me tem dito“ (Jo 12:50).
O evangelho de Cristo não possui várias vertentes e nem comporta várias interpretações. O substantivo grego πίστις, transliterado pistis e traduzido por ‘fé’, foi utilizado pelo apóstolo Paulo para fazer referência ao evangelho como ‘unidade’, um corpo de doutrina que não comporta várias vertentes: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4:13).
Qualquer doutrina à margem do evangelho de Cristo é anátema. Nenhuma celebridade, pastor, teólogo, etc., mesmo sendo uma personalidade histórica, não detém autoridade para postular uma doutrina ou uma interpretação que assuma o valor de doutrina bíblica, nem mesmo o apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nósmesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho, além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gl 1:8 -9).
Aos que contestavam a ressurreição dentre o mortos, argumentou o apóstolo Paulo: “Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1Co 15:32). Essa argumentação também serve para muitos seguimentos doutrinários, pois se há predestinação para salvação, que aproveita o combate em defesa do evangelho?
“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 1:3).
 
Calvinismo versus Arminianismo
O maior obstáculo à compreensão da doutrina da predestinação e do livre-arbítrio, foi estabelecido por dois teólogos: João Calvino e Jacob Armínio.
Diante das doutrinas de Calvino e de Armínio, alguns teólogos afirmam que a doutrina calvinista é antagônica à doutrina arminianista, entretanto, quando analisadas, ambas as doutrinas derivam do mesmo erro: entender que Deus escolhe e predestina quem vai ser salvo ou não.
A discussão sobre a soberania de Deus e o livre-arbítrio do homem, mediante perspectivas arminianistas e calvinistas, realmente demonstra que tais correntes são inconciliáveis, para não dizermos, paradoxais.
A Bíblia ensina que qualquer que invocar o Senhor será salvo (Jl 2:32; At 2:21; Rm 10:13), e não faz referência à soberania de Deus e nem à sua onisciência. O profeta Isaias destaca que as mãos de Deus não estão encolhidas para que não possa salvar e nem agravados os seus ouvidos (Is 59:1). Por que não encontramos um texto bíblico onde é enfatizado que Deus é soberano para salvar? Por que não é enfatizado que Deus salva por sua onisciência? Por que a Bíblia enfatiza o perdão, a misericórdia e a benignidade de Deus, em vez da soberania e da onisciência?
“Mas contigo está o perdão, para que sejas temido” (Sl 130:4);
“TEM misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias” (Sl 51:1).
É incrível o empenho de muitos em propagar o calvinismo e o arminianismo, mesmo quando se reconhece várias discrepâncias de tais sistemas doutrinários com as Escrituras. Por que enfatizar que essas doutrinas são escrituristicas, se ambas são inconciliáveis e, como alguns dizem, cercadas de riscos, pois podem levar os seus seguidores ao extremismo?
 
Pensamento dos gregos
É notório que a filosofia grega influenciou largamente teólogos, padres e pastores ao longo da história da igreja.
O platonismo tornou-se referência de pensadores como Agostinho, Boécio, João Escoto Erígena e Boaventura de Bagnoregio e o aristotelismo, de pensadores da estirpe de Tomás de Aquino.
Sem nos atermos às influências do pensamento grego no cristianismo, vale lembrar que, na mitologia grega, havia uma entidade cega, Moros, em grego Μόρος, o deus da sorte e do destino. Esse deus não via a quem reservava o futuro, porém, o futuro reservado, quer dos deuses ou dos mortais, era inescapável.
A mitologia grega vinculava deuses e mortais a um destino, pois o deus ‘Destino’ ditava os acontecimentos, e até mesmo Zeus não podia evitar o seu destino. Vários mitos gregos evidenciam o caráter fatalista[3] da cultura grega antiga, fatalismo que se vê também entre os filósofos estoicos e os romanos.
O pensamento da cultura grega e os seus mitos, destoam completamente do pensamento bíblico, pois vinculam deuses e homens a um destino.
Através da parábola dos dois caminhos, Jesus evidencia que os homens não tem um destino pré-estabelecido, pois a parábola apresenta os caminhos atrelados a um destino, e não homens atrelados a determinados destinos.
“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontram” (Mt 7:13-14)
Existem somente dois caminhos e cada qual está vinculado a um destino: o caminho largo está vinculado à perdição e o caminho estreito vinculado à salvação. Segundo essa perspectiva, nenhum homem está diretamente vinculado a um destino, mas, sim, à porta por onde entrou.
Há duas portas, sendo uma larga e a outra estreita. Para entrar pela porta estreita, é necessário nascer de novo; de modo semelhante, é através do nascimento natural que o homem entra pela porta larga.
Jesus é a porta estreita – o último Adão -, semelhantemente Adão, o primeiro homem, é a porta larga, por quem os homens entram no mundo.
Quando os homens nascem (vêm ao mundo), entraram por Adão (a porta larga) que os deixa em um caminho largo, que conduz à perdição. Todos os homens, ao nascerem, entram no mundo por Adão (nascidos do sangue, da vontade da carne e da vontade do varão), uma porta larga que não lhes foi dada a oportunidade de escolher entrar, mas que dá acesso a um caminho de perdição.
A escolha que trouxe o caminho de perdição acessível a toda humanidade foi realizada por Adão, quando comeu do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Adão fez uma escolha que afetou a condição de todos os seus descendentes, desde o nascimento: portanto, os homens nascem de uma porta larga (Adão) e trilham um caminho que, apesar de não terem escolhido, os conduzirá à perdição (Sl 58:3).
Os ensinamentos bíblicos e o pensamento grego são antagônicos, pois este se pauta pelo fatalismo, enquanto que, aquele, pelo propósito eterno de Deus. Nenhum homem veio ao mundo (nasceu) destinado ao céu ou ao inferno. Enquanto a cultura grega tinha um pensamento fatalista, Jesus esclarece que todos os homens não possuem um destino pré-estabelecido.
Longe de Deus destinar alguém à perdição, sob o argumento de sua soberania. Ninguém que entra por Adão no mundo está, ou esteve, predestinado à perdição, no sentido grego (fatalismo). Quando Adão pecou e afetou todos os seus descendentes com a sua decisão, Deus anunciou ao casal, que estava sendo expulso do Éden, redenção, através da semente da mulher, a todos os homens.
Os homens entram no mundo sem exercerem uma escolha, ou seja, ninguém que nasceu ou nascerá no mundo, escolheu entrar pela porta larga, mas, uma vez no mundo, é anunciada uma oportunidade de redenção, o que torna possível uma decisão por parte do homem que o livrará da condenação.
Não cabe ao homem no mundo uma escolha para decidir o seu destino, pois essa escolha já foi realizada por Adão. Agora, cabe ao homem, uma decisão, pois já está em um caminho que o conduz a perdição. Daí a ordem: “Entrai pela porta estreita…” (Mt 7:13).
O homem entra por Cristo (porta estreita) quando nasce de novo.  Para nascer de novo, basta crer com o coração, que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e confessar que Ele é o Filho do Deus vivo:
“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça e com a boca se faz confissão para a salvação” (Rm 10:9-10).
Na Bíblia, a visão grega fatalista não existe, assim como qualquer outro princípio filosófico/teológico semelhante, como o determinismo.
O posicionamento bíblico acerca da salvação e da perdição, está bem delineado nas palavras que Deus disse a Ezequiel:
“Filho do homem: Eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; e tu, da minha boca, ouvirás a palavra e avisá-los-ás da minha parte. Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniquidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, se avisares ao ímpio e ele não se converter da sua impiedade e do seu mau caminho, ele morrerá na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma. Semelhantemente, quando o justo se desviar da sua justiça e cometer iniquidade, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá: porque tu não o avisaste, no seu pecado morrerá; e suas justiças, que tiver praticado, não serão lembradas, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. Mas, avisando tu o justo, para que não peque, e ele não pecar, certamente viverá; porque foi avisado; e tu livraste a tua alma” (Ez 3:17-21).
 
Perdição e salvação
A Bíblia apresenta dois caminhos, com dois destinos: salvação e perdição. De onde surgiu a concepção, eivada de malignidade, de que Deus destinou alguns homens à salvação e outros à perdição, antes mesmo de nascerem?
Vincular indivíduos a destinos, antes mesmo de nascerem, é pensamento contrário às Escrituras, pois a Bíblia evidencia que os destinos estão vinculados aos caminhos. Se alguém nascido da carne e do sangue (Adão) não tomar a decisão de acatar o convite de Deus, será conduzido pelo caminho largo à perdição, mas qualquer que nascer do espírito (último Adão), acatando o convite de Deus, estará no caminho estreito (Cristo), que conduz o homem a Deus.
O homem, por si só, não vai à perdição ou à salvação, antes é conduzido pelos caminhos, no qual se encontra:
“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta e apertado o caminho que leva à vida, poucos há que a encontrem” (Mt 7:13-14)
Se Deus determinasse, de antemão, quem seria salvo ou não, não haveria a necessidade de Cristo vir ao mundo e morrer pela humanidade. Seria contrassenso a necessidade de haver quem pregue o evangelho. Também, não seria exigível crer em Cristo.
Teríamos que considerar que os destinados à salvação nunca se perderam de fato, ou seja, nunca estiveram sujeitos ao pecado e à morte. Esses destinados à salvação, não precisariam morrer e serem sepultados com Cristo, para ressurgirem uma nova criatura.
A parábola dos dois caminhos contém um princípio cristalino, acerca da salvação, em Cristo, e da perdição, em Adão, que não deve ser ignorado, quando da leitura de outras passagens bíblicas que tratam de temas como salvação e perdição.
 
Os terrenos e os espirituais
Certo é que ‘… a morte veio por um homem, também, a ressurreição dos mortos, veio por um homem’, pois ‘… assim como todos morrem em Adão, assim, também, todos serão vivificados em Cristo’ (1Co 15:21-22).
O primeiro Adão, foi criado alma vivente e o último Adão, estabelecido como espirito que dá vida. Há uma ordem natural: primeiro é criado o homem natural, através da carne e do sangue de Adão e só então, é criado o homem espiritual, segundo a palavra do último Adão, que é espirito e vida (Jo 6:63).
O homem nascido da carne e do sangue de Adão é terreno, assim como foi Adão. Adão é da terra, portanto, carne e sangue não concedem direito aos homens de entrar no reino dos céus: “E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdarem a incorrupção” (1Co 15:50).
É por isso que Jesus disse que os nascidos da carne é carne e os nascidos do espírito é espirito, ao evidenciarem ser necessário nascer de novo.
Os nascidos da carne e do sangue de Adão são carnais e terrenos, portanto, não podem herdar o Reino dos céus. Mas, os gerados segundo a semente incorruptível, são herdeiros do reino dos céus, pois são celestiais tal qual o Senhor, que é do céu.
Adão é a porta larga, porque todos os homens que vem ao mundo têm que entrar pela carne e o sangue de Adão. É através de Adão que entrou a morte no mundo e todos os seus descendentes morreram em Adão. Cristo é a porta estreita, porque é o último Adão e são poucos os que estão mortos em delitos e pecados que O encontram, ou seja, tornam-se participantes da sua carne e sangue.
O apóstolo Paulo, em poucas palavras, resume como, através de Adão, se deu a perdição e, como através de Cristo, o último Adão, se dá a salvação:
“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante. Mas, não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais” (1Co 15:45-48).
Para salvar o que efetivamente havia se perdido, Deus enviou o Seu Filho unigênito ao mundo, conforme estabelecido nas Escrituras. É em função da promessa de que Cristo viria ao mundo, que os patriarcas e os crentes da Antiga Aliança foram salvos, pois creram que Deus haveria de enviar ao mundo o Descendente, em quem todas as famílias da terra seriam benditas.
No mundo, o Unigênito do Pai revelou o Pai aos homens e, através d’Ele, os homens puderam comprovar que Deus é fiel e verdadeiro. Cristo prosperou naquilo para o qual foi enviado (Is 53:10; Is 55:11), pois, como servo, foi obediente em tudo ao Pai, portanto, foi estabelecido como luz para os gentios: “Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra” (Is 49:6).
Para ser salvo, eis a receita:
“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Jl 2:32; Rm 10:13).
Salvação se obtém única e exclusivamente desta forma:
“… esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que, com o coração, se crê para a justiça e com a boca, se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido” (Rm 10:8-11).
Se houver dúvidas, observe como os cristãos de Éfeso foram salvos:
“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1:13).
Para que houvesse salvação, primeiro Deus providenciou a palavra da fé e por isso foi anunciado o evangelho, primeiramente a Abraão (Gl 3:8). Na plenitude dos tempos, a ‘fé’ foi manifesta aos homens, pois sem ‘ela’ seria impossível ao homem agradar a Deus: “Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gl 3:23; Hb 11:6).
É através da fé – Cristo – o firme fundamento, que os homens são enviados a pregar, anunciando boas novas de salvação, pois como ouvirão se não há quem anuncie as boas novas? E, como invocarão aquele em quem não creram? (Rm 10:14-15)
É nesse sentido que a ‘fé’ precede a ‘conversão’ e o ‘novo nascimento’. Primeiro foi dada a palavra da fé – o evangelho de Cristo, que deve ser anunciado para, depois, haver arrependimento e o novo nascimento.
Não encontramos nas Escrituras Deus dizendo: – “Eu sou soberano para salvar”, ou – “Estou antevendo quem vou salvar”, antes é anunciado: – “EIS que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem agravado o seu ouvido, para não poder ouvir” (Is 59:1), pois a mensagem é simples: “Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo” (Rm 10:13).
O pronome ‘todo’ é inclusivo, ou seja, ‘qualquer’ que invocar o nome do Senhor será salvo, pois as suas mãos não estão encolhidas (Ele é poderoso para salvar) e os seus ouvidos não estão agravados.
Em momento algum Deus declara que escolherá aqueles que Ele há de salvar. Quando o tema é salvação, Deus é poderoso e está pronto para salvar a qualquer que o invocar. A salvação nem mesmo aparece na Bíblia, em conexão com a soberania e a onisciência divinas.
“O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sf 3:17).
Predestinação
Após explicar que a morte entrou no mundo e todos morreram por causa da ofensa de Adão e que a ressureição veio por meio de Cristo e por Ele serão vivificados todos os que creem (1Co 15:21-22), o apóstolo Paulo demonstra que não há diferença alguma entre Adão e os seus descendentes e que não haverá diferença nenhuma entre Cristo e os seus muitos irmãos.
“Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1Co 15:49).
Adão foi criado pelo Verbo eterno, assim como todas as coisas (Hb 1:10-12; Sl 102:25-27). Quando Adão foi criado, o Verbo eterno, teofanicamente, manifestou-se e formou o homem do pó da terra e, ao soprar em suas narinas, o homem tornou-se alma vivente.
Mas, qual foi a imagem que foi dada a Adão, quando formado do pó da terra? Resposta: foi concedida a Adão a imagem que Cristo deveria ter quando viesse ao mundo “… o qual (Adão) é a figura daquele que havia de vir (Cristo)” (Rm 5:14). Uma questão de lógica, pois se fosse dada outra imagem a Adão, quando Cristo viesse ao mundo, teria a mesma imagem, segundo a imagem concedida a Adão.
Nesta abordagem, não estamos evidenciando a perdição, decorrente da ofensa de Adão, mas, sim, como seria a imagem de Cristo na plenitude dos tempos, se fosse concedida outra imagem a Adão diversa da que foi dada no Éden.
Quando Deus criou Adão, todos os descendentes de Adão foram preordenados a serem tal qual Adão, pois qual o terreno, tais são, também, os terrestres.
O apóstolo Paulo explica que, assim como todos os homens são como o terreno Adão, os nascidos de novo em Cristo Jesus, quando revestidos da imortalidade, serão semelhantes a Ele (traremos também a imagem do celestial):
“Amados, agora somos filhos de Deus e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” (1Jo 3:2).
Quando Cristo se manifestar em glória (1Jo 3:2), será possível aos nascidos de novo trazerem uma imagem diferente da imagem que Cristo, glorificado, agora possui à destra da Majestade nas alturas?
Se os crentes hão de ser semelhantes a Cristo, é impossível que os que creem em Cristo venham a ter uma imagem diversa da imagem de Cristo glorificado, e o motivo é bem claro: “… pois assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial” (1Co 15:49). A questão que o evangelista João aborda neste verso não diz da salvação em Cristo, mas da imagem que os salvos em Cristo haverão de ter quando Ele se manifestar.
Por causa de uma má leitura das Escrituras, ao longo da história da igreja, acreditou-se que a predestinação era para a salvação, porém, a predestinação é garantia de que o crente em Cristo, quando for revestido da imortalidade e incorrupção, há de ser conforme a imagem de Cristo.
Todas as vezes que o termo predestinação é utilizado na Bíblia, não aponta para a salvação em Cristo, antes aponta para a imagem, à semelhança de Cristo:
“Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).
A predestinação tem um objetivo e atende a um propósito específico: a primogenitura de Cristo! Para o propósito de Deus ser levado a efeito, se fez necessário estabelecer de antemão qual imagem seria dada aos de novo gerados, os irmãos de Cristo.
O objetivo da predestinação é que todos os que creem em Cristo sejam conforme a imagem (semelhança) de Cristo. Os irmãos de Cristo não serão como os homens e nem como os anjos, antes, todos serão tal qual Cristo é.
O propósito da predestinação foi estabelecido por Deus em Cristo (Ef 3:11), pois, quando os cristãos foram predestinados a serem semelhantes a Cristo, por sua vez, Cristo é elevado à condição de primogênito entre muitos irmãos (semelhantes).
Romanos 8, verso 29 primeiro, trata da salvação em Cristo, depois aborda a predestinação. Primeiro o apóstolo Paulo escreve acerca da salvação: “Porque os que dantes conheceu…”, e, em seguida, escreve acerca da predestinação: “… também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (v. 29).
Que erro grosseiro ler que Deus predestinou para ser salvo, sendo que está escrito que Deus predestinou para ser conforme a imagem de Cristo, ou seja, que os cristãos serão semelhantes a Ele.
O verbo grego προγινώσκω transliterado proginóskó traduzido por ‘dantes conheceu’ não se refere a ‘saber de antemão’, ‘saber previamente’, ‘ter conhecimento de antemão’. Ora, Deus é onisciente, portanto, sabedor de todas as coisas, quer seja os eventos do passado, quer seja os eventos do presente e igualmente os eventos do futuro.
É sem sentido afirmar que Deus é presciente, se Ele é onisciente. Presciência é reducionismo do atributo divino da onisciência.
O verbo grego προγινώσκω empregado no verso 29, de Romanos 8, não significa ‘saber de antemão’, antes foi utilizado para evidenciar a comunhão do crente com Deus. O termo foi utilizado para evidenciar comunhão intima com Deus, semelhante ao conhecimento que une homem e mulher em um só corpo.
O termo προγινώσκω contrapõe a ideia evidenciada pelo termo γινώσκω, quando utilizado por Cristo, ao dizer: “E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”(Mt 7:23). Apesar de onisciente, conhecedor de todas as coisas, os praticantes da iniquidade nunca se fizeram um corpo com Cristo: “Porque somos membros do seu corpo, da sua carne e dos seus ossos” (Ef 5:30).
O apóstolo evidenciou que Deus só predestina a ser conforme a semelhança de Cristo, apenas aqueles que passaram (dantes) a ter comunhão intima (conhecer) com Deus: “E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17:22).
Só é conhecido de Deus aquele que ama a Deus, pois Ele mesmo disse que ‘ama aos que me amam’. “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele” (1Co 8:3); “Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão” (Pv 8:17). Dantes conhecer é o mesmo que, de antemão esperar em Cristo (Ef 1:12).
O sentido do termo grego amor (ágape), utilizado nestes versos, é honrar, obedecer. Portanto, só é conhecido de Deus, ou antes, Deus é conhecido de alguém, quando se guarda o seu mandamento, ou seja, quando O ama: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21); “Mas, agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gl 4:9).
Só os que amam a Deus, ou seja, aqueles que se tornaram um com Ele, em Cristo estão predestinados a serem conforme a semelhança de Cristo (Jo 17:21).
Primeiro, a salvação, depois, a predestinação! Primeiro, a salvação, depois, a eleição, como se lê:
“Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus, que nos salvou  e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça, que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos dos séculos” (2Tm 1:9).
O apóstolo Paulo destaca o evangelho, ou seja, o testemunho de nosso Senhor, que é o poder de Deus (Rm 1:16). Ora, é através do evangelho que o homem é salvo e, para isso, é necessário que haja quem pregue, para que os homens possam crer, pois como crerão se não há quem pregue?
O apóstolo Paulo recomenda a Timóteo que participe das aflições do evangelho, o poder de Deus que ‘nos salvou’, ou seja, salvou tanto o apóstolo Paulo, quanto a Timóteo (Ef 1:13).
Após salvo por intermédio do evangelho, os crentes são chamados com uma santa vocação. Assim como a predestinação, o chamado, segundo a santa vocação, tem um objetivo e atende a um propósito. O objetivo da vocação é para ser santo e irrepreensível diante de Deus (Ef 1:4). O proposito é o louvor e glória da graça que propôs convergir em Cristo todas coisas, para que em tudo Ele tenha a preeminência (Ef 1:10).
Os crentes em Cristo foram eleitos para serem santos e irrepreensíveis, porque constituem o corpo de Cristo. Como a cabeça é santa, o corpo também tem de ser, por isso, Deus elegeu os crentes em Cristo, a fim de serem santos e irrepreensíveis e Cristo alcança a preeminência, como a cabeça do corpo: “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1:18).
Ora, antes da fundação do mundo Deus elegeu a Cristo e a sua geração, dai o predicativo: geração eleita: “Mas, vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pd 2:9).
 
Má leitura
Muitos, quando leem: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1:26), entendem que Deus criou o homem para ser adorado e louvado, no entanto, Deus criou o homem, segundo o propósito que fez em Cristo, para que em tudo Cristo tivesse a preeminência e assim, os homens em Cristo, fossem louvor e glória para a sua graça.
A imagem e semelhança anunciadas no Éden, não foram dadas a Adão, antes, o que foi concedido a Adão, foi a imagem daquele que haveria de vir: a imagem de Jesus Cristo-homem.
Quando Cristo ressurgiu dentre os mortos, alcançou a imagem e a semelhança de Deus (Sl 17:15), tornando-se a expressa imagem do Deus invisível (Hb 1:3), quando a vontade de Deus, anunciada antes da criação, cumpriu-se: Cristo, o Descendente de Davi, tornou-se à imagem e semelhança do Deus invisível.
A semelhança que Cristo alcançou, quando ressurgiu dentre os mortos, diz da semelhança que Satanás intentou alcançar, quando pensou: “Subirei sobre as alturas das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14). É consenso, em meio aos cristãos, que Satanás quis ser Deus, no entanto, o que ele queria mesmo, era ser semelhante ao Altíssimo, posição que Cristo alcançou quando ressurgiu dentre os mortos e todos os que n’Ele creem, estão predestinados a receber.
Os calvinistas dizem que na Bíblia há uma coleção de versículos afirmando que Deus é soberano para escolher quem Ele quer para salvar. Tremendo engano, pois as Escrituras enfatizam o poder de Deus, mas, não a sua soberania: “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça” (Jó 37:23).
A soberania está relacionada à posição de maioral entre semelhantes e o rei Davi, neste sentido, era soberano em Israel. Deus é criador de todas as coisas, portanto, não há ninguém que se compare ou iguale a Ele. Dizemos que Deus é soberano, porque Ele é inatingível e inigualável, porém, as Escrituras não enfatizam a soberania de Deus, mas, o poder, a justiça, a fidelidade, o amor, etc.
A Bíblia apresenta Jesus Cristo como soberano, pois Ele é da casa de Davi, seu Pai, e se assentará para reinar sobre os seus irmãos e sobre toda a terra. Soberano é um titulo que pertence a Cristo, pois regerá as nações com vara de ferro: “Porque Judá foi poderoso entre seus irmãos e dele veio o soberano; porém, a primogenitura foi de José)” (1Cr 5:2).
A maioria dos Salmos que apontam para o Senhor Altíssimo, diz respeito a Cristo, o Rei grande, visto que o principado está sobre Cristo: “Porque o SENHOR Altíssimo é tremendo e Rei grande sobre toda a terra. Ele nos subjugará os povos e as nações debaixo dos nossos pés” (Sl 47:2-3); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9:6).
Ao longo da história da igreja, textos bíblicos como: Rm 8:29, Ef 1:4-5 e11, Rm 9:6-29, 1Pe 2:8, Jd 4 e 1Pe 1:2 e 20 são mal interpretados, para afirmarem o fatalismo calvinista. É uma aberração, afirmar, com base em Romanos 8, verso 29, que Deus predestinou alguns para a salvação, se o texto bíblico afirma claramente que Deus predestinou os que se fizeram um corpo com Cristo, para serem conforme a imagem do seu Filho.
O apóstolo Paulo não afirmou que o homem é predestinado para ser salvo e nem que é predestinado para ser filho, pois a filiação divina é alcançada através do poder que Deus concede aos que creem em Cristo:“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1:12-13).
Para ser salvo e ser um dos filhos de Deus, só é possível por meio da fé em Cristo, portanto, a salvação e a filiação não vêm pela predestinação. A predestinação é para ser conforme a imagem de Cristo, para que Ele seja primogênito entre muitos irmãos. A predestinação visa o propósito de Deus em Cristo, que é a preeminência de Cristo em todas as coisas.
Ao escapar do erro calvinista, há a igualmente perigosa e equivocada doutrina dos arminianistas, que aponta algumas verdades, como a necessidade de arrependimento para a salvação e que o homem pode rejeitar a oferta de salvação em Cristo, mas enfatizam que Deus, prevendo quem haveria de crer, predestina alguns à salvação.
Previsão e premonição, são termos que se aplicam aos homens que desconhecem o futuro. Deus não prevê o futuro e nem tem premonição, visto que Ele é onisciente e onipresente. Prever e antever são verbos que não se aplicam a Deus, pois todas as coisas estão nuas e patentes aos seus olhos.
Assim como Deus não pode mentir, Ele não pode escolher alguns e desprezar outros, pois Ele não faz acepção de pessoas. O que Deus escolheu foi salvar os que O amam, ou seja, os que guardam os seus mandamentos. Somente aqueles que O honram, serão honrados por Ele: “Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt 7:9); “Portanto, diz o SENHOR Deus de Israel: Na verdade tinha falado eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o SENHOR: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão desprezados” (1Sm 2:30); “Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará” (Jo 12:26); “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14:21).
Só amam a Deus aqueles que guardam o seu mandamento, portanto, só ama a Deus aquele que crê em Cristo, pois este é o mandamento: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1Jo 3:23).
Segundo a teologia, diante das doutrinas calvinista e arminianista, não há outro caminho a trilhar, se não o do equilíbrio. O termo paradoxo, tão utilizado na filosofia passou a ser utilizado pela teologia para explicar os erros teológicos inexplicáveis.
O entendimento com viés grego fatalista, de que Deus traçou um plano para a vida dos homens que é impossível de escapar e sem oferta real de salvação, contaminou a leitura bíblica de muitos.
Tornou-se consenso que os homens são autômatos, desempenhando um papel previamente estabelecido por Deus, assim como os gregos conceberam o mitológico deus Destino.
Em resumo, a verdade bíblica cristalina descreve todos os nascidos da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue como perdidos, alienados de Deus por causa da ofensa de Adão. Para ser salvo, é necessário crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para isso são anunciadas as boas novas de salvação, que descrevem o Cristo como o Filho de Davi, portanto, o Filho de Deus.
Após crer em Cristo, o homem se torna um com Ele, e, de agora em diante, na condição de salvo e filho de Deus, não lhe resta alternativa: será semelhante a Cristo, pois Ele é o primogênito entre muitos irmãos!
 

[1] Análise do artigo “A Relação entre Predestinação e Livre-Arbítrio”, de Marcos Aurélio dos Santos, disponível na Web < http://www.teologiaevida.com.br/2012/06/relacao-entre-predestinacao-e-livre.html > Consulta realizada em 01/03/16.
[2] “Humanismo é a filosofia moral que coloca os humanos como principais, numa escala de importância. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade” Wikipédia.
[3] Fatalismo – “Concepção que considera serem o mundo e os acontecimentos produzidos de modo irrevogável. E também, a crença de que uma ordem cósmica, dita Logos, preside a vida quotidiana. Mas, em geral, é uma corrente aceita por quem se põe de maneira impassível diante dos acontecimentos, não tendo a crença de que pode exercer um papel na sua modificação. É, assim, uma doutrina que afirma que todos os acontecimentos ocorrem de acordo com um destino fixo e inexorável, não controlado ou influenciado pela vontade humana e que, embora aceite um poder sobrenatural preexistente, não recorre a nenhuma ordem natural, recusando, assim, a predestinação. Também, costuma ser confundido com determinismo. Exerceu influência, especialmente, sobre os antigos hebreus e alguns pensadores gregos”. (Wikipédia).