HISTÓRIA DAS IGREJAS CRISTÃS
Autor: Pastor Gilberto Stefano
Igreja Batista da Fé,
Rua Jamil Dib Lufti, nr. 165
Jardim Santa Clara
17500-000 Marília, São Paulo
Fonte: www.palavraprudente.com.br
[01] A ORIGEM DO APELIDO "CRISTÃO"
[02] A GRANDE DESFRATERNIZAÇÃO DAS IGREJAS CRISTÃS
[03] A ORIGEM DOS "ANABATISTAS"
[04] AS PERSEGUIÇÕES CONTRA OS ANABATISTAS
[05] IDENTIFICANDO OS ANABATISTAS ATÉ O SÉCULO XII
[06] IDENTIFICANDO OS ANABATISTAS DO SÉCULO XII a XV
[07] OS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI
[08] A QUEDA DO APELIDO ANABATISTA
[09] OS BATISTAS
[10] A HISTÓRIA DAS IGREJAS ERRADAS APÓS A EXCLUSÃO
Os Católicos e Os Protestantes
[11] A Igreja Adventista do Sétimo Dia e Os Testemunhas de Jeová
[12] Os Pentecostais, Os Neo-Pentecostais e Os Carismáticos
CAPÍTULO I
A ORIGEM
DO APELIDO "CRISTÃO"
QUE SIGNIFICA A PALAVRA "CRISTÃO"
O
significado para a palavra cristão hoje é bem diferente do significado usado
nas escrituras. Hoje, qualquer um que segue uma religião denominada
"cristã", acha se no direito de dizer que é um cristão. Alguns são
tão depravados em sua forma de viver que de maneira nenhuma fazem jus a essa
palavra. Outros são tão errados biblicamente e mesmo assim insistem em achar-se
cristãos. E aí está o problema: O próprio indivíduo achar-se um cristão quando
não o é.
A palavra cristão como é usada na bíblia é um apelido. E este apelido
referia-se aos crentes que andavam de uma forma digna. A conduta (dentro da
família e da sociedade), a transformação interior e exterior, sucediam a
profissão de fé destes crentes. Tamanha era a transformação que se tornavam
impossíveis de não serem notados. Então a própria sociedade, testemunhando esta
transformação, chamava-os de "cristãos". Assim, ser apelidado de
cristão seria uma grande honra a qualquer crente.
É errado, mesmo numa igreja considerada correta, chamar pessoas não regeneradas
de cristãos. Não vemos na Bíblia um só exemplo dos apóstolos considerarem
verdadeiros crentes aqueles que ainda viviam no pecado. Paulo nos dá um grande
exemplo disso em I Co 6,9-11; quando fala que: "Os injustos não herdarão o
reino de Deus", e numa lista muito ampla dá exemplo do que é ser um
injusto: "Não vos enganeis, nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem
efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem
maldizentes, nem roubadores, herdarão o reino dos céus, e tais fostes alguns de
vós". Alguns Coríntios foram achados nos pecados mencionados acima. Foram!
Mas o sangue de Jesus lavou-os, santificou-os e os justificou. O pecado era
coisa do passado na vida destes crentes. Achar que se é um cristão por
pertencer a uma igreja denominada de cristã é um grande erro. A maior igreja
cristã do mundo tem um bilhão e duzentos milhões de fiéis. Todos idólatras, ou
então não estariam lá. Herdarão os mesmos o reino dos céus? Se não herdarão os
reino dos céus porque é certo chamá-los de cristãos?
O verdadeiro significado da palavra "cristão" não está tanto neste
lindo apelido. Está na pessoa que aceita Jesus como seu salvador e vive
dignamente como um verdadeiro discípulo do Senhor Jesus Cristo.
A palavra cristão também não é um nome próprio dado por Jesus aos seus
discípulos. Ele jamais chamou um de seus apóstolos ou qualquer outra pessoa de
"cristão". Ele simplesmente chamava-os de "discípulos" ou
"seguidores". Esta palavra, no sentido que é usada na Bíblia, é nada
mais e nada menos que um apelido dado aos discípulos ou membros da igreja de
Jesus Cristo.
ONDE SURGIU PELA PRIMEIRA VEZ [o apelido
"cristão"]
O apelido
"cristão" surgiu pela primeira vez na cidade de Antioquia em
referencia aos discípulos de Cristo naquela cidade (At 11,26). Foram assim
chamados pelos moradores daquela grande metrópole devido ao bom exemplo que
davam e por sempre testemunhar a respeito de Jesus. Desde então o apelido pegou
e suplantou os outros apelidos que eles tinham, como por exemplo o de
"nazarenos", apelido pelo qual eram conhecidos os discípulos pelos
judeus (At 24,5).O apelido cristão generalizou-se de tal forma que em pouco
tempo todos os membros das igrejas de Cristo foram assim chamados. Não houve
outro que representasse tão bem os discípulos de Cristo até meados do terceiro
século, período no qual houve a necessidade de acrescentar um sobrenome a este
apelido.
Até o século terceiro não havia nenhuma instituição denominacional como temos
hoje. Não havia a Igreja Católica, ou a Igreja Batista, ou a Igreja Anglicana.
Havia apenas a Igreja de Jesus Cristo, e como vimos, seus membros foram
apelidados de cristãos. Jesus, ao instituir sua igreja, nunca chamou-a por um
nome como Católica ou Batista. Chamava-a de "minha igreja" (Mat.
16,18), ou quando muito, colocava o nome da cidade onde ela se encontrava,
"Igreja de Esmirna" (Apoc. 2,8).
O CRESCIMENTO DOS CRISTÃOS PRIMITIVOS
O
crescimento dos cristãos foi espantoso. O núcleo formado por Cristo em
Jerusalém se espalhou para a Judéia, Galiléia e Samaria. Não tardou muito e o
evangelho atravessou as fronteiras da Palestina atingindo a Síria, Chipre e
toda a Ásia Menor. Mais algum tempo e toda a costa norte e sul do mediterrâneo
possuía grandes centros de cristãos. Nos lugares mais longínquos não seria tão
difícil encontrar um cristão professando a fé bíblica.
O crescimento inicial foi conseqüência do espírito missionário que havia no
coração dos apóstolos. Esse espírito foi transmitido a primeira geração de
convertidos, os quais, até o segundo século, conseguiram espalhar o evangelho
em quase todo o mundo conhecido. O fator de não ter um local específico para a
reunião de cultos (ainda que havia um lugar especial onde eles se reuniam aos
domingos, e a julgar pelo que diz Paulo era sempre no mesmo local - I Co 11,18
e 20 ), facilitava o esparramar do evangelho. O costume de prédios par as
igrejas favorece no conforto e na questão denominacional, mas desfavorece no
sentido de trazer novas pessoas a Jesus. A julgar pelas escrituras será preciso
as igrejas verdadeiras repensarem o fator prédio.
AS PERSEGUIÇÕES SOFRIDAS PELOS CRISTÃOS ATÉ 313
D.C.
O
crescimento veio acompanhado do ciúmes do judaísmo e das religiões pagãs, sendo
as últimas protegidas pelo império. De princípio o judaísmo perseguiu e fez
vítimas como Estevão e o apóstolo Tiago. Décadas depois o paganismo entrou em
ação, e com o apoio dos imperadores, suas vítimas chegaram aos milhões.
Trajano, imperador entre 98 a 117, decretou um ofício em que o cristianismo em
si já constituía um crime, e todos que nele fossem encontrados deveriam ser
julgados e punidos com a morte. Ofícios como este voltaram a ser decretados por
outros imperadores, e bem como este davam força às religiões pagãs para
tentarem destruir a igreja de Cristo.
Entretanto as igrejas permaneciam de pé e aumentando cada vez mais. Tertuliano,
escreveu certa vez que: "o sangue dos cristãos era uma semente. Quanto mais
matava mais crescia."
A perseguição teve seu lado positivo. Muitos por verem que os cristãos sofriam
as atrocidades calados tiveram curiosidade de conhecer o movimento. Ao
conhecerem diversos se convertiam ao Senhor. A perseguição ajudou a fortalecer
a fé de muitos crentes. É certo que muitos se desviaram, mas os fiéis se
tornaram ainda mais fiéis. Além do que, foi preciso formar um cânon do Novo
Testamento, pelo qual, foi regida a igreja primitiva e tem sido regidas as
verdadeiras igrejas de Jesus até o presente.
Estas igrejas eram na sua maioria igrejas fiéis. Sempre houve as erradas. Desde
o tempo apostólico as heresias entraram e permaneceram em algumas igrejas de
Cristo. Infelizmente as heresias cresceram de tal forma que por causa delas
houve no terceiro século uma grande desfraternização das igrejas cristãs.
CAPÍTULO II
A GRANDE DESFRATERNIZAÇÃO
DAS IGREJAS CRISTÃS
O terceiro século é marcado por
um acontecimento muito importante na história das igrejas de Cristo. Mais
exatamente no período que vai desde o ano de 225 até o ano de 253. Neste tempo
houve uma declaração de desfraternização entre
as igrejas por motivos doutrinários e organizacional.
Eram tempos difíceis. Apesar das conversões acontecerem em grande número, as
igrejas sofriam externa e internamente. Externamente, devido às perseguições já
mencionadas. Internamente, porque as igrejas estavam sendo corrompidas por dois
erros absurdos totalmente antibíblicos. Um deles chegava ao ponto de substituir
a salvação que é através da graça. O outro tirava a chefia de Cristo sobre sua
própria igreja.
OS DOIS ERROS QUE DIVIDIRIAM AS IGREJAS ENTRE 225 A
253 A.D.
O Batismo Como Meio de Salvação
Desde os primórdios da igreja sempre foi um problema a questão de como o homem poderia
alcançar o céu. O ensinamento de Jesus e posteriormente dos apóstolos eram
unânimes: "Pela graça somos salvos". O Novo Testamento nunca
deixou dúvidas sobre este assunto. Mesmo nas igrejas primitivas esse foi um
problema sério. O primeiro concílio das igrejas em Jerusalém foi realizado
justamente para resolve-lo. O próprio apóstolo Pedro, vendo que havia contenda
sobre o assunto, deixou claro que: "cremos que seremos salvos pela
graça". Portanto, o ensinamento bíblico sobre a questão é que o único meio
de se chegar ao céu é por Jesus, pela graça, e, usando como meio de alcançá-la,
a nossa fé.
Não contentes com esse princípio, e querendo fazer uma mudança não autorizada
nas Escrituras, muitos pastores começaram a ensinar que a salvação não era
apenas pela graça. Implantaram um novo meio de salvação: O batismo. Pensavam:
"A Bíblia tem muito a dizer em relação ao batismo.
Muita ênfase é colocada na ordenança e no dever concernente a ela.
Evidentemente ela deve ter algo a ver com a salvação". Dessa forma criou corpo a
ideia de REGENERACÃO BATISMAL, ou seja, o indivíduo precisa ser batizado para
ir ao céu. Colocou-se a água do batismo no lugar do sangue de Jesus. Esse erro
é pai de um erro futuro que ainda demoraria a aparecer: O batismo infantil.
Formação de Uma Hierarquia Temporal
Hierarquia Dentro das Igrejas
Além desse grave erro [ensino da regeneração batismal] houve um outro. Foi o
surgimento dentro das igrejas de uma hierarquia temporal. Um erro que fere a
autoridade única do Senhor Jesus Cristo sobre sua igreja. Nenhum dos apóstolos,
jamais, em versículo algum do Novo Testamento, quis a primazia entre os outros
na igreja primitiva. Não vemos na Bíblia homens como Pedro, Paulo, ou qualquer
outro apóstolo subjugar seus irmãos na fé, ou ainda requerer deles uma cega
sujeição. Eles se consideram homens comuns, sujeitos aos desejos da carne e com
possibilidade de queda (At l0,15-16; Rom 7,24).
Mas alguns pastores não entendiam dessa forma. Viam no cristianismo um meio de
alcançar a primazia entre seus semelhantes. Muitos começaram a se desviar do
ensinamento de que todos os membros são iguais dentro da igreja. O pastor
começou a exercer um papel de "chefão". Alguns historiadores relatam
esse erro da seguinte forma:
O pastor de Hermas (cerca de 150 A.D.): "Mestres dignos não faltam, mas há também tantos falsos profetas, vãos,
cúpidos (desejosos) pelas primeiras sés, para os quais a maior coisa na vida
não é a prática da piedade e da justiça senão a luta para o posto de comando."
O Historiador Mosheim:
"Os pastores aspiravam agora a maiores graus de
poder e autoridade do que possuíam antes. Não só violavam os direitos do povo
como fizeram um arrocho gradual dos privilégios dos presbíteros..."
Os membros já não eram considerados irmãos, mas súditos do
"bispo". [Estes] comandavam a igreja como se comanda um exército.
João cita o exemplo de um crente chamado Diótrefes. O apóstolo deixa claro que
esse homem "buscava a primazia entre eles", referindo-se, é claro,
aos irmãos na fé. Diótrefes tornou-se tão audacioso, que, quando João escrevia
para a igreja ele impedia que os irmãos lessem a carta. Esse é só um simples
exemplo do que acontecia já no tempo dos apóstolos. Pedro ao comentar o assunto
diz que o pastor é o servo e não o senhor da igreja (I Pedro 5:1-4). Aliás, a
palavra por ele usada é muito clara: "Não como tendo domínio sobre a
herança de Deus". O pastor jamais deve ser o chefe da igreja, mas o servo
que irá conduzir o rebanho.
Essa terrível ideia de um bispo monárquico governar os demais pastores teve
início na pessoa de Clemente (95
A.D.), pastor da igreja em Roma. Foi ele o primeiro a buscar a primazia entre
os demais. Chegou a envolver-se num problema que não lhe pertencia por direito,
querendo mandar numa igreja a qual não pastoreava, que foi a igreja de Corinto.
Depois dele foi Inácio,
bispo de Antioquia na Síria, que viveu entre os séculos I e II. Ele exorta
todos os cristãos a obedecerem o bispo monárquico e aos presbíteros (20,2).
Chegou a comparar a obediência ao bispo monárquico com as cordas de uma harpa.
Ele é o primeiro a contrastar o ofício do bispo ao do presbítero e a subordinar
os presbíteros ou anciãos ao bispo monárquico, e os membros das igrejas a
ambos. Mas deve-se a Cipriano,
bispo de Cártago (morto em 258), que foi um dos principais autores desta
mudança de governo da igreja, pois pugnou pelo poder dos bispos com mais zelo e
veemência do que jamais fora empregada nessa causa.
Como se pode observar, não foi uma lei feita do dia para a noite. Foi uma heresia
que aos poucos penetrava dentro das igrejas, a saber, nas igrejas maiores dos
grandes centros.
Hierarquia
Entre as Igrejas
Esse erro [ditadura do bispo sobre os presbíteros, e destes sobre as ovelhas]
veio a favorecer a outro de tamanha maldade. Foi o erro de uma igreja ter
autoridade sobre outra igreja. A Bíblia ensina que a igreja deve ser
independente ou seja: a igreja de Antioquia não tinha autoridade sobre a igreja
de Éfeso; a igreja de Éfeso não tinha autoridade sobre a igreja de Laodicéia; e
assim por diante. No livro de Apocalipse, quando Cristo conversa com as sete
igrejas da Ásia, ele trata cada uma individualmente. Cada uma tem seu próprio
anjo (pastor), e nenhuma será recompensada ou corrigida pelo erro da sua
co-irmã.
Acontece que os pastores de muitas igrejas não viam as coisas como Deus
ensinou. Viam a sua ganância acima da vontade de Deus. Os pastores das grandes
igrejas como a de Roma, Alexandria, Antioquia, e muitas outras, iniciaram um
processo de subjugar as igrejas menores. Eram tempos difíceis. O imperador
perseguia a igreja. Junto com as perseguições vinha a fome. Com isso as igrejas
maiores engrandeciam-se, e numa falsa humildade, ajudavam as menores. Foi assim
que principalmente Roma passou a gozar de uma distinção especial. Essa ajuda
tinha um preço muito alto: A submissão de muitas igrejas menores. A igreja
co-irmã deixava de ser uma igual para tornar-se vassala.
Na luta para ver qual igreja ia ser a maior entre as igrejas erradas,
prevaleceu a igreja de Roma, mas é claro, sem o consentimento dos grandes
bispos monárquicos, iniciando-se assim uma luta interna entre as igrejas
heréticas. Esse assunto será tratado mais cuidadosamente na origem da igreja
Católica.
A DIVISÃO DAS IGREJAS TORNA-SE INEVITÁVEL
As
Igrejas Erradas Recusam-se a Voltar as Origens
Apesar destes dois erros terem
invadido as igrejas de Cristo, houve muitas, senão a maioria, que não admitiam
os tais. Houve tentativas no sentido de trazer as igrejas desviadas de volta ao
verdadeiro costume bíblico. Entretanto, o poder político das igrejas fiéis era
quase nada. A maioria destas igrejas eram pequenas congregações, e seus
pastores [eram] homens simples com o único objetivo de fazer a vontade de Deus.
Alguns não eram tão simples assim, como o pastor Montano, que veementemente
pregou em toda a Ásia contra essas heresias (160 d.C.) e Tertuliano (a partir
de 202 d.C.) no ocidente. Este último chegou mesmo a desafiar várias vezes os
pastores heréticos, principalmente o de Roma, a voltar a obedecer às
Escrituras.
As
Igrejas Fiéis Resolvem Tomar Uma Atitude
O fato é que as igrejas erradas ou heréticas não voltaram a obedecer a Bíblia.
Pior. Conforme os anos passavam mais erradas elas se tornaram. O assunto chegou
a um ponto que as igrejas certas deixaram de aceitar os membros vindos das
igrejas heréticas. Essa não aceitação, que a luz das escrituras é recomendada -
pois se alguém crê que o batismo salva deixa de acreditar que só Jesus salva -
foi acrescida com o rebatismo dos membros vindos das igrejas desobedientes. Daí
ter surgido o apelido "anabatista" [rebatizador] para os seguidores
de Montano e, principalmente, para as igrejas da Ásia Menor.
A
Exclusão das Igrejas Erradas é o Único Caminho
O rebatismo dos membros vindos das igrejas erradas acabou se tornando o objeto
da divisão da cristandade. As igrejas erradas (por serem grandes, mais famosas
e politicamente mais aceitas) não aceitaram passivamente a atitude das igrejas
que rebatizavam seus membros. Iniciaram-se grandes controvérsias a respeito do
assunto. Realizaram-se muitos concílios para tentar resolver a situação. Dois
deles se deram em Cártago em 225, um composto de 18 e o outro de 71 pastores,
em ambas as assembleias ficou decidido que o batismo dos heréticos - que
pregavam a salvação pelo batismo e iniciavam o sistema hierárquico católico -
não devia ser considerado como válido. Os historiadores McClintock e Strong
comentam como se deu essa desfraternização: V.I pg 210.
"Na Ásia Menor e na África, onde por muito tempo
rugiu amargamente o espírito da controvérsia, o batismo só foi considerado
válido quando administrado na igreja correta. Tão grandes foram as disputas
sobre a questão, que dois sínodos se convocaram para investigá-la. Um em Icônio
e outro em Sínada da Frígia, os quais confirmaram a opinião da invalidade do
batismo herético. Da Ásia passou a questão à África do Norte. Tertuliano
concordou com a decisão dos concílios asiáticos em oposição à prática da igreja
Romana. Agripino convocou um concílio em Cártago, o qual chegou a uma decisão
semelhante aos da Ásia. Assim ficou a matéria até Estevão, bispo de Roma, no
ano de 253, provocado pela ambição, que procedeu em excomungar os bispos da
Ásia Menor, Capadócia, Galácia e Cilícia, aplicando-lhes os epítetos de
rebatizadores e anabatistas".
Fica evidente que entre as igrejas erradas estava a de Roma. Sendo assim, ela
foi excluída no ano de 225 juntamente com as outras igrejas heréticas. A
atitude do bispo romano de excluir os pastores da Ásia mostra a que ponto
estava sua vontade de assenhorar-se do rebanho de Deus. Mas sua atitude de nada
valeria, pois, um membro excluído não pode excluir ninguém. Outro historiador,
Neander, V.I pg 318, tem o seguinte relato sobre estes acontecimentos:
"Mas aqui, outra vez, foi um bispo romano, Estevão,
que, instigado pelo espírito de arrogância eclesiástica, dominação e zelo sem
conhecimento, ligou a este ponto (salvação pelo batismo) uma importância
dominante. Daí, pelo fim do ano de 253, lavrou uma sentença de excomunhão
contra os bispos da Ásia Menor, Capadócia, Galácia e Cilícia, estigmatando-os
como anabatistas, um nome, contudo, que eles podiam afirmar que não mereciam
por seus princípios: porque não era o seu desejo administrar um segundo batismo
àqueles que tinham sido batizados, mas disputavam que o prévio batismo dado por
hereges não podia ser reconhecido como verdadeiro. Isto induziu Cipriano, o
bispo [de Cártago] a propor o ponto para a discussão em dois sínodos reunidos
em Cártago em 225 A.D., [tenso sido] um composto de 18, outro de 71 pastores,
ambas as assembleias declarando-se a favor das ideias de que o batismo de
heréticos não devia ser considerado como válido".
Num resumo simples destes dois relatos verifica-se que, no ano de 225 A.D., as
igrejas reúnem-se em concílios e decidem pela exclusão das igrejas que
administravam o batismo como forma de salvação, que eram, justamente, as
igrejas que admitiam um bispo monárquico sobre as igrejas. Entre as igrejas
erradas estão as de Roma, Antioquia, Cártago e muitas outras. Entre as igrejas
fiéis está uma muito conhecida pelos estudantes da Bíblia, a igreja de Éfeso.
O RESULTADO DA DESFRATERNIZAÇÃO DOS CRISTÃOS
A partir
desta data, 253 d.C., as igrejas de Cristo se dividiram em dois grandes blocos.
[De um lado,] os anabatistas, assim chamados por não aceitarem o batismo das
igrejas erradas, e [do lado oposto] os católicos, nome dado às igrejas
heréticas desde o ano de 170 por Inácio, pastor de Antioquia [ele
escreveu "Onde quer que o bispo apareça, ali deve o povo estar; como onde
quer que Jesus Cristo estiver, ali estará a Igreja Católica. Não é lícito
batizar ou dar comunhão sem o consentimento do bispo. Por outro lado, tudo o
que tem a sua aprovação é agradável a Deus. Assim, tudo o que for feito será
seguro e válido." - Carta ao Esmirnaenses, 8]. O futuro destes dois
grupos deu razão aos fiéis para o fato de terem excluído os demais. Com o
passar do tempo as igrejas erradas, como veremos, multiplicaram ainda mais suas
heresias. Enquanto isso, vivendo conforme as Escrituras, os cristãos
anabatistas lutavam para sobreviver e manter de pé as chamas do evangelho.
CAPÍTULO III
A ORIGEM
DOS "ANABATISTAS"
Como vimos
no final do capítulo dois, com a desfraternização dos cristãos entre os anos de
225 a 253 A.D., surgiu dois grandes blocos de cristãos. O bloco dos anabatistas
e o bloco das igrejas erradas. Neste capítulo trataremos especificamente com o
futuro que tomaram as igrejas fiéis cognominadas de "anabatistas".
QUEM FORAM OS ANABATISTAS?
Nos livros
de história e em muitas enciclopédias encontraremos algumas notas sobre quem
foram os anabatistas. Em alguns livros são chamados de "dissidentes",
e em outros de "seita de heréticos". Há escritores que, não querendo
se comprometer com sua maioria de leitores católicos ou protestantes, chama-os
de "fanáticos religiosos".
Observando estas poucas entre muitas referências erradas sobre eles, podemos
analisar cuidadosamente. Eram dissidentes? Não. Dissidente é uma pessoa que
[muda seu pensamento e, por isso,] se separa de outro por algum motivo. Eles
não [mudaram de doutrina nem, em consequência disso,] se separaram de ninguém.
Apenas não concordavam com heresias dentro da igreja. Se uma igreja tem 20
membros. Quinze resolvem mudar a fé. Cinco permanecem fiéis. Quem dissidiu? Os
quinze que estão no erro ou os cinco que permaneceram fiéis? É evidente que
dissidente é aquele que saiu daquilo que está certo e firmado.
Chamá-los de um ajuntamento de heréticos é o mesmo que chamar os apóstolos de
heréticos. Não foram os anabatistas que mudaram de fé. Nunca foi a intenção de
um anabatista mudar aquilo que Deus ordenou. Heréticos foram os pastores e
membros das igrejas erradas, os mesmos que posteriormente foram conhecidos como
católicos. Os anabatistas não eram uma facção [de desvio] de cristãos. Eles eram
os verdadeiros cristãos. Portanto, seita foi a igreja - Católica - que surgiu
tendo como membros indivíduos e pastores excluídos por motivos biblicamente
corretos.
Também não eram fanáticos religiosos. Seguir a Cristo como manda as escrituras
não é ser fanático, é ser discípulo verdadeiro. Discordar de heresias não é
fanatismo, é zelo pela palavra de Deus. Seria os apóstolos fanáticos? Zaqueu
foi um fanático por querer fazer a vontade de Deus? Paulo foi um fanático
quando condenou a idolatria? Pedro foi um fanático quando discordou da salvação
pelas obras? De forma alguma. A maior prova de que os anabatistas não eram
fanáticos está no exemplo dos primeiros cristãos mencionados no livro de Atos.
Podemos afirmar com certeza que os anabatistas foram os verdadeiros seguidores
de Jesus entre os anos de 225 até os anos de 1600. Homens que amavam servir a
Cristo. Eram cristãos que não concordavam com o erro grotesco de ver pessoas
acreditando que o batismo ajudava na salvação; Cristãos que não aceitavam em
ver um bispo monárquico querendo mandar no rebanho de Deus. Igrejas que tiveram
a coragem de excluir do meio cristão original as igrejas heréticas. Foram eles
os autênticos sucessores dos apóstolos na obediência a Jesus e a sua Palavra.
O QUE SIGNIFICA ESTE APELIDO?
O próprio
título confessa que o sobrenome dado aos cristãos fiéis - anabatistas - é um
apelido, e tem tudo a ver com o propósito para o qual ele foi dado. Anabatistas
é uma palavra grega que significa "batizar outra vez". O prefixo
"ana" quer dizer outra vez, e a raiz "batista" significa
mergulhar ou batizar nas águas. Assim, quando uma igreja era chamada de
anabatista por outra, significava que ela batizava outra vez os membros vindos
das igrejas erradas.
ONDE E QUANDO SURGIU ESTE APELIDO?
Este apelido
foi usado pela primeira vez na Ásia Menor para distinguir, nesta região, as
igrejas fiéis das erradas. O local mais aceito como sua origem é na Frígia,
local de onde saiu o pastor Montano para pregar contra os dois erros
mencionados no segundo capítulo, os quais, corrompiam as igrejas cristãs.
Montano foi um pastor muito itinerante, e por isso sua mensagem se esparramou
por toda Ásia Menor, fazendo que as igrejas dessa região permanecessem fiéis à
doutrina recebida pelos apóstolos. Montano viveu cerca de 156 A.D. Foi
justamente nessa época que as igrejas da Ásia Menor resolveram rebatizar
membros vindos de igrejas erradas. Então pela primeira vez uma igreja foi
conhecida como "anabatista".
Oficialmente, o apelido "anabatista" é usado em 253 A.D., pelo bispo
romano Estevão que, indignado com o fato de ver sua igreja excluída pelas
igrejas da Ásia, resolveu chamá-las de "anabatistas". O fato é que,
depois do bispo romano ter se manifestado, todas as igrejas que não concordavam
com a ideia de Salvação através do batismo, nem concordavam com a necessidade
de um bispo monárquico, foram conhecidas como anabatistas.
O PORQUÊ DESTE APELIDO
Talvez o
leitor esteja confuso e pergunte o porquê dos cristãos terem a necessidade de
receber outro apelido além de cristão.
Um crente fiel ao Senhor tem muito amor aos ensinos da Bíblia. Jesus ao enviar
a grande comissão dá três ordens: Fazer discípulos; batizar; e ensinar as
coisas que ele ordenou. Então, uma igreja fiel irá: pregar, batizar e ensinar o
que ele ordenou. Note que ele diz: "vos tenho ordenado". Ordem é
ordem. Mandamentos são mandamentos. A igreja não pode fazer aquilo que não lhe
foi ordenado, mas somente o que Jesus mandou. Por isso as igrejas fiéis não
podiam e nem podem se submeter a erros heréticos como mudar o plano de salvação
e a chefia da igreja!
A exclusão das igrejas erradas pelas igrejas fiéis, que ocorreu a partir de 225
A.D., foi uma atitude necessária para a conservação do evangelho puro e
original. Assim como um membro profano deve ser excluído do seio da igreja, da
mesma forma uma igreja profana deve ser excluída da comunhão com as outras
igrejas [, as que permanecem] fiéis. O próprio Senhor Jesus nos ensina no livro
de Apocalipse que o simples fato de uma igreja não ser fria nem quente é motivo
de ser "vomitada". Queiram os ecumênicos ou não, já no segundo século
havia dois tipos de cristãos: os fiéis ao evangelho e os infiéis. Os infiéis,
excluídos em 225, já não tinham mais o direito de batizar, ao menos que se
reconciliassem. Como isso não aconteceu perderam totalmente a ordem do batismo.
Aceitar o batismo de uma igreja excluída é o mesmo que aceitar que um crente
excluído saia por aí batizando todo mundo. Conclui-se que o rebatismo de
membros vindos de uma igreja excluída é algo necessário, pois quem não recebe o
batismo de uma igreja biblicamente aceita, não recebeu o batismo cristão.
Portanto, o apelido anabatista, só apareceu porque as igrejas erradas não
quiseram se arrepender de seus erros. Além do que, não se chamaram assim, mas
foram pelas igrejas erradas assim chamados. O fato dos anabatistas não terem
repudiado o apelido significa que o mesmo estava de acordo com uma realidade da
época, ou seja, precisava haver rebatizadores para enfrentarem as heresias das
igrejas erradas.
CAPÍTULO IV
AS
PERSEGUIÇÕES CONTRA OS ANABATISTAS
Como vimos
nos capítulos anteriores, as igrejas fiéis, a partir do ano de 253.A.D., foram
decididamente conhecidas pelas igrejas erradas pelo apelido de anabatistas. No
presente capítulo estudaremos as aflições que esses crentes passaram para
permanecerem leais ao ensino de Jesus. Foram duas fases distintas de
perseguição. Na primeira fase a perseguição foi sofrida juntamente com as
igrejas erradas, pois, para todos os efeitos, os pagãos não saberiam bem
distinguir quem era o certo e quem era o errado. Aos pagãos o que interessava
era eliminar o cristianismo. Essa fase durou até o ano de 313 A.D. A partir
desta data, o Imperador Constantino fez uma proposta de casar o Estado com a
Igreja. As igrejas erradas aceitaram o convite. As fiéis não. Começou então a
segunda fase de perseguição. Neste período vemos as igrejas fiéis sofrendo
perseguições nas mãos de igrejas erradas. Abaixo temos um breve relato destas
duas fases de perseguição.
PERSEGUIDAS JUNTAMENTE COM AS
IGREJAS ERRADAS, ATÉ 313 A.D.
Até o ano de
313 A.D., os cristãos - fiéis ou errados - sofriam as perseguições vindas com
os editos lançados pelos imperadores. As primeiras conhecidas foram as de Nero
(54-68). Pedro e Paulo morreram nesse período. A perseguição estourou pela
segunda vez em 95 durante o governo despótico de Domiciano. Foi nesse período
que o apóstolo João ficou preso em Patmos. Outras se deram em 112 por Plínio, e
em 161-180 por Marco Aurélio. Estas perseguições foram locais e esporádicas até
o ano de 250, quando se tornaram gerais e violentas, começando com uma dirigida
por Décio. Muitos pastores se desviaram nesta perseguição. Em 303, Diocleciano
ordenou o fim das reuniões cristãs, a destruição das igrejas, a deposição dos
oficiais da igreja, a prisão daqueles que persistissem em seu testemunho de
Cristo, e a destruição das Escrituras pelo fogo. Um último edito obrigou os
cristãos a sacrificarem aos deuses pagãos sob a pena de morte, caso recusassem.
Esta primeira fase de perseguição criou dois problemas internos [aos círculos
cristãos] que necessitavam de solução. Um dos problemas foi as duas duras
controvérsias que tiveram lugar no Norte da África e em Roma, envolvendo a
maneira de tratar aqueles que tinham oferecido sacrifícios em altares pagãos,
quando da perseguição movida por Décio, e aqueles que entregaram Bíblias na
perseguição dirigida por Diocleciano. As igrejas fiéis depuseram do cargo os
pastores que caíram durante este período. Foi o caso do bispo de Cártago,
Felix. Já as igrejas erradas achavam que estava tudo bem, afinal de contas eram
tempos de perseguição. Assim, apoiado pelo bispo de Roma, Felix manteve-se no
cargo de pastor. Esta atitude separou ainda mais as igrejas fiéis das erradas.
Os donatistas surgiram desta questão.
[Donatistas defendiam que o batismo administrado pelas igrejas de
pastores traditores era inválido: o pastor devia ser
reexaminado e reordenado (se genuinamente arrependido), e seus batizados deviam
ser evangelizados e rebatizados. (o nome "pastores traditores"
refere-se àqueles que negaram sua fé durante a perseguição de Diocleciano mas
que, tão logo passou a perseguição e veio a bonança, foram prontamente
perdoados e readmitidos nas más igrejas)]
A perseguição movida por Diocleciano provocou o segundo problema, que foi o do
Cânon do Novo Testamento. Se o possuir epístolas podia levá-los a morte, os
cristãos precisavam estar seguros de que os livros pelos quais poderiam padecer
a morte eram realmente livros canônicos. Esta preocupação ajudou nas decisões
finais acerca de qual literatura era sagrada. Foi assim que resolveu-se aceitar
os atuais vinte e sete livros do Novo Testamento seguindo a seguinte ideia:
verificar se ele tinha sinais de apostolicidade; verificar se foi escrito por
um apóstolo ou por alguém ligado intimamente aos apóstolos; verificar a
eficácia do livro na edificação da igreja quando lido publicamente; e verificar
sua concordância com a regra de fé dos apóstolos. [ver http://www.biblicaltraining.org/blog/curious-christian/7-10-2012/what-criteria-were-used-determine-canon-scripture ]
PERSEGUIDAS PELAS IGREJAS
HERÉTICAS, A PARTIR DE 313 A.D.
Em 313, com
o edito de Milão, Constantino fez cessar a perseguição aos cristãos em todo o
império e gradualmente foi cumulando-os de favores. O imperador logo percebeu a
clara divisão entre os cristãos. Percebera a importância de ser apoiado pela
hierarquia de uma religião poderosa. Mas precisava que essa hierarquia fosse
unânime em sua fidelidade ao Estado. Assim, embora pagão, presidiu concílios da
Igreja e obrigou-a a unificar-se. Devido a essa atitude foi prontamente
contrariado pelos anabatistas. Indignado, e aliando-se aos cristãos errados,
baniu e perseguiu os fiéis que não concordaram com sua unificação das igrejas.
Começaram as terríveis perseguições das seitas cristãs oficiais - protegidas
pelo imperador - contra as não oficiais, os anabatistas, que se mantiveram
independentes do governo. Pela primeira vez na história, a partir do ano 313,
encontramos a página mais triste da história das igrejas. Encontramos cristãos
errados perseguindo os cristãos fiéis. Esta perseguição, além de visar o
extermínio dos anabatistas, também foi a mais longa. Durou mais de mil e
trezentos anos, vindo a terminar após a Reforma no século XVII.
As heresias que levaram as igrejas erradas a serem excluídas eram de princípio
duas: Salvação pelo batismo e a ideia de um bispo monárquico. Agora, com a
igreja se tornando a religião oficial do Estado, e estando sob a orientação e o
comando do Imperador, temos mais uma heresia, e esta feriu a independência da
igrejas para com o Estado. Para a infelicidade dos fiéis, era esta uma heresia que
dava muita força aos cristãos errados. Os pastores das igrejas heréticas
tornaram-se mais fortes do que já eram. O bispo de Roma logo despontou como
soberano sobre os demais. Até algumas igrejas fiéis, vendo neste casamento o
cessar da perseguição, debandaram de lado, diminuindo consideravelmente o
número das igrejas fiéis às Escrituras.
Protegidos e armados com o apoio dos imperadores, as igrejas heréticas
mostraram sua verdadeira face. A face da intolerância. A face de um caráter
depravado que não tinha nada de Cristo. A face do ódio contra quem era fiel a
Cristo. Liderados pelo bispo Romano no Ocidente e pelo bispo de Constantinopla
no Oriente, as igrejas heréticas passaram a perseguir cruelmente as igrejas
fiéis. Proibiu-se o direito de culto; proibiu-se a livre interpretação das
Escrituras; proibiu-se o rebatismo; quem não pertencesse à igreja oficial - ou
Católica - seria perseguido e condenado à morte. Qualquer pessoa que fosse
rebatizada pelos anabatistas sofreria a pena de morte. Os pastores anabatistas
foram a uma condenados à fogueira, ao afogamento, à tortura e a toda sorte de
assassinato e extermínio possível.
Assustados com a perseguição e na busca da sobrevivência, as igrejas fiéis
fugiam de lugar a lugar. Iniciou-se o período de migração dos anabatistas para
os países onde havia a tolerância religiosa. Portanto, a partir do século IV
vamos encontrá-los em diversos países e com diversos nomes. No capítulo
seguinte serão estudadas estas fugas mais detalhadamente.
A FUGA DOS ANABATISTAS. MOTIVO DA FUGA: A
INQUISICÃO
Foi visto no
capitulo anterior que o motivo da fuga dos anabatistas deveu-se ao plano de
extermínio por parte das igrejas heréticas. O plano, primeiramente elaborado
pelo imperador Constantino, foi seguido pelos seus sucessores e levado a cabo
pelos bispos das principais igrejas heréticas, como as de Roma e
Constantinopla. Em qualquer enciclopédia o leitor poderá encontrar como foi
feito este plano. Chamava-se INQUISICÃO. Durou mais de 1200 anos e matou mais
de 50.000.000 (cinqüenta milhões) de anabatistas em todo o mundo. Vejamos o
relato da enciclopédia BARSA sobre a Inquisição:
"Se bem que a Inquisição só se apresentasse em plena
pujança no século XIII, suas origens, contudo, remontam ao século IV. A partir
de então data a perseguição àqueles que não aceitavam o credo católico. Tinham
seus bens confiscados e eram condenados à morte. As perseguições foram
acentuadas no século IV e V. Do século VI ao IX as perseguições diminuíram.
Aumentaram, porém, a partir da última parte do século X, registrando então
numerosos casos de execuções de hereges, na fogueira ou por estrangulamento. O
papa Inocêncio III (1198-1215) foi responsável por uma cruzada contra os
albingenses (anabatistas do sul da Franca), após a qual praticou execuções em massa".
Note na frase acima: "suas origens ... remontam ao século IV". Foi
justamente neste período - após 313 A.D - que os cristãos heréticos, por terem
unido a Igreja com o Estado, conseguiram forças para destruir os cristãos
fiéis. Fica claro, segundo este relato da BARSA, que o motivo ou a intenção dos
cristãos heréticos era o de exterminar os anabatistas, e o método que usaram
foi a famosa INQUISICÃO.
No mesmo relato mencionado somos informados de que as perseguições foram
acentuadas nos séculos IV e V. Só Deus sabe quantos cristãos fiéis foram
rudemente assassinados. Quando diz que "do século VI ao IX as perseguições
diminuíram", não foi pelo fato de haver misericórdia por parte dos
católicos. Quer dizer que não tinham tantos anabatistas para eles matarem,
pois, após trezentos anos de perseguição e genocídio, ficaram poucos para
contarem a história. A partir do século X, lá pelos anos 900, quando em alguns
países o números de anabatistas aumentava, a perseguição recrudescia, ou seja,
era mais sanguinária.
Um dos motivos pelo qual, no século XVI, os anabatistas apareceram em grande
número na Alemanha, Boêmia, Países Baixos e Inglaterra, é que nestes lugares a
Inquisição era bem menor. No sul da Europa, devido à influência papal, era
quase impossível um anabatista sobreviver.
Sem a liberdade de cultos e com a vida constantemente ameaçada, os anabatistas
só tiveram uma saída. Fugir para os montes e lugares distantes. Fugir da
inquisição promovida pela ira e maldade papal.
O motivo pelo qual os anabatistas eram perseguidos foram:
- não submissão à hierarquia
religiosa;
- não aceitação do batismo como um sacramento ou algo que tenha a ver com a
salvação;
- pregar que a salvação é só pela graça sem a ajuda das obras;
- negar o culto aos santos;
- negar que Maria é mãe de Deus.
CAPÍTULO V
IDENTIFICANDO
OS ANABATISTAS ATÉ O SÉCULO XII
Não é fácil
traçar um lugar exato para o movimento dos anabatistas [ou uma tabela dizendo
em que países ou regiões em que os rebatizadores estavam, a cada século], pois
os mesmos mudavam-se durante os períodos de graves perseguições. Outro problema
é os [vários] apelidos que eles levavam. Houve tempo em que mais de um apelido
foi usado para designar o mesmo grupo de pessoas, é o caso dos montanistas na
Ásia, Paulicianos na Armênia e Donatistas na
África do Norte, todos viveram na mesma época entre os séculos IV ao VIII [e
tinham doutrinas muito semelhantes nos aspectos básicos, uma vez que cada uma
era procurava ser basicamente idêntica à do Novo Testamento]. No período que
vai desde o ano 160 até 1100, houve pelo menos quatro grandes e influentes
grupos de anabatistas. São eles:
- os Montanistas - principalmente na Ásia Menor;
- os Novacianos - na Ásia Menor e na Europa;
- os Donatistas - por toda a África do Norte; e
- os Paulicianos - primeiramente no oriente médio, indo para o centro europeu e
de lá para os Alpes no sul e regiões campestres no norte da Europa.
Os apelidos que receberam derivavam-se ou de um nome pessoal (exemplo:
Donatistas de Donato) ou podia ser derivado de um lugar (exemplo: Albingenses
da cidade de Albi no sul da Franca). Porém, o que mais importava nestes quatro
grupos, não era o nome que recebiam, mas se realmente eram fiéis às doutrinas
da Bíblia.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "MONTANISTAS"
Oficialmente,
os "montanistas" foram os primeiros cristãos a serem chamados de
anabatistas pelos cristãos infiéis ou hereges. O apelido montanista vem do nome
próprio MONTANO, que foi um pastor frígio que viveu aí por volta de 156 A.D.
Foi um movimento que varreu toda Ásia Menor num momento em que as [demais]
igrejas estavam sendo destruídas pelas heresias da [doutrina da] salvação pelo
batismo e a ideia de um bispo monárquico. Os montanistas insistiam em que os
que tivessem decaído da primeira fé deveriam ser batizados de novo.
O historiador contemporâneo Earle E. Cairns diz que o movimento "foi uma
tentativa de resolver os problemas de formalismo na igreja e a dependência da
igreja da liderança humana quando deveria depender totalmente do Espírito Santo."
E também acrescentou que o "montanismo representou o protesto perene
suscitado dentro da igreja quando se aumenta a força da instituição e se
diminui a dependência do Espírito Santo." (O Cristianismo Através dos
Séculos, pg 82 e 83).
Como sua mensagem era uma necessidade para as igrejas, o movimento espalhou-se
rápido pela Ásia Menor, África do Norte, Roma e no Oriente. Algumas igrejas
grandes chegaram mesmas a serem chamadas de Montanistas. Foi o caso da igreja
de Éfeso. Tertuliano, considerado um dos maiores Pais da Igreja, por ser bom
estudante da Bíblia, atendeu aos apelos do grupo e tornou-se montanista. Apesar
de serem radicais quanto às regras de fé de uma igreja, formavam um povo
humilde e manso.
As igrejas erradas logo reagiram contra esse movimento. No concílio de
Constantinopla, em 381 (portanto, nesta época, a igreja e o Estado já estavam
casados um com o outro), os pastores das igrejas heréticas ou católicas
declararam que os montanistas deviam ser olhados como pagãos, serem julgados e
mortos [! como isto atesta que as igrejas estatais que sistematicamente
mandaram caçar e assassinar crentes discordantes delas, buscando o extermínio
total deles, tais igrejas estatais seguiram o exemplo do fratricida
Caim!]
As igrejas erradas tinham verdadeiro ódio aos montanistas. O próprio Montano é
visto [pelas igrejas erradas] como um arqui-herege da Igreja [errada, a
católica]. Os livros inventam e condenam o movimento chamando-o de pagão e
anti-cristão. Na verdade, pagãos e anti-cristãos eram os membros das igrejas
erradas. Assim que as igrejas erradas se casaram com o Estado veio a
perseguição das mesmas contra os montanistas.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "NOVACIANOS"
O segundo
grupo de anabatistas oficialmente conhecido é o dos "novacianos".
Assim como os montanistas, este apelido [novaciano] é proveniente do nome
próprio "Novácio". Novácio foi um pastor da Ásia Menor que viveu em
cerca de 251 A.D. Pouco sabemos sobre sua pessoa, mas, a julgar pelos
[testemunho dos] membros de sua igreja, ele foi um homem fiel a Deus. Os
novacianos formaram o primeiro grupo a ser chamado de catharis, ou seja, os
puros. Isso devido à pureza de vida que levavam. Temos algumas informações a
respeito destes anabatistas pelos maiores historiadores da história da Igreja:
Mosheim, Vol. I, pag 203:
"Rebatizavam a todos que vinham do
Catolicismo".
Orchard em Allix's Piedmont C 17, pg. 176:
"As igrejas, assim formadas sobre
o plano de comunhão restrita e de rígida disciplina, receberam a alcunha de
puritanos. Formaram a corporação mais antiga de igrejas cristãs das quais temos
qualquer notícia, e uma sucessão delas, provaremos, continuou até hoje. Tão
cedo como em 254 esses dissidentes (cristãos verdadeiros) são acusados de terem
infeccionado a França com as suas doutrinas, o que nos ajudará no estudo dos
albingenses...
Estas igrejas existiram por sessenta anos sob um
governo pagão, durante cujo tempo os velhos interesses corruptos em Roma,
Cártago e outros lugares não possuíam meios senão os da persuasão e da censura
para pararem o progresso dos dissidentes. Durante este período as igrejas
novacianas foram muito prósperas e foram plantadas por todo o império romano. É
impossível calcular o benefício do seu serviço à comunidade. Conquanto rígidos
na disciplina, cismáticos no caráter, foram achados extensivos e numa condição
florescente quando Constantino subiu ao trono em 306 A.D."
W. N. Nevins, comenta que: "Na conclusão do quarto século, tinham os novacianos três ou quatro
igrejas em Constantinopla, assim como em Nice, Nicomédia, Cocíveto e Frigia,
todas elas grandes e extensivas corporações, além de serem muito numerosas no
Império Ocidental. Havia diversas igrejas em Alexandria no século quinto. Aqui
Cirilo, ordenado bispo dos Católicos Romanos, fechou as igrejas dos novacianos.
O motivo foi o rebatismo dos católicos. Foi lavrado um edito em 413 pelos
imperadores Teodósio e Honório declarando que todas as pessoas rebatizadas e os
rebatizadores seriam punidos com a morte. Conformemente, Albano, zeloso
ministro com outros, foram assim punidos por batizar. Como resultado da
perseguição nesse tempo, muitos abandonaram as cidades e buscaram retiro no
país e nos Vales do Piemonte, onde mais tarde foram chamados de valdenses.".
O Dr. Robinson, em Eclesiastical Reserches, 126, traça a continuidades dos
anabatistas [rebatizadores, sob diversos nomes a eles dados através dos
séculos] até à Reforma e à aparição do movimento [novamente chamado de]
anabatista do século XVI. E acrescenta: "Depois, quando as leis penais os
obrigaram a se esconder em lugares retirados e a adorarem a Deus secretamente,
foram designados por vários nomes".
Parece que o movimento dos novacianos, apesar de se iniciar um século depois do
movimento montanista, cresceu mais que o primeiro, pelo menos no ocidente.
Enquanto o Montanismo crescia na Ásia Menor e no Oriente, os novacianos
cresciam mais no ocidente. Um terceiro grupo, os donatistas, crescia mais na
África do Norte.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "DONATISTAS"
Os
donatistas formaram o terceiro grupo cujos membros eram oficialmente chamados
de anabatistas. Foram assim chamados devido serem da mesma opinião que Donato,
pastor na cidade de Cártago por volta do ano 311 A.D.
A Origem
dos Donatistas
Este movimento apareceu em Cártago durante a perseguição de Diocleciano. O
motivo foi simples: Recusaram comunhão comum com os pastores apóstatas como foi
o caso de Felix, pastor da maior igreja em Cártago. Felix sacrificou [em
adoração] aos ídolos e [em adoração] ao imperador, durante a perseguição de
Diocleciano. Muitos fiéis morreram na mesma época por recusar agir da mesma
forma. Findada a perseguição, Felix ordenou ao ministério Ciciliano, que era
acusado de ser um traidor. Donato solicitou a sua deposição, pois sustentava
que o fato de não ter sido fiel no tempo da perseguição invalidava a
possibilidade de Felix ordenar. Esta solicitação é justa e bíblica. Se um
pastor é deposto de seu cargo por cair na apostasia, que direito ele terá de
ordenar alguém? Apoiado pelos pastores das grandes igrejas do ocidente, Felix
permaneceu no cargo. Desapontados em ver as Escrituras sendo atropeladas, os
cristãos fiéis do norte da África fizeram o mesmo que os do Oriente, Ásia Menor
e do Ocidente: excluíram da comunhão os pastores e igrejas infiéis. Os que
assim agiram foram conhecidos como Donatistas.
A
Identificação dos Donatistas com os outros grupos de anabatistas
Donatistas e Novacianos eram idênticos em sua doutrina e disciplina. Crispim,
historiador francês, diz deles que concordavam:
"Primeiro, pela pureza dos membros da igreja, por afirmarem que ninguém
deverá ser admitido na igreja senão tais como verdadeiros crentes santos e
reais.
Depois, pela pureza da disciplina da igreja.
Terceiramente, pela independência de cada igreja. Quartamente, eles batizavam
outra vez aqueles cujo primeiro batismo tinham razão de pôr em dúvida".
Não há dúvida de que a maior identificação que liga os quatro grupos de
anabatistas primitivos - montanistas, novacianos, donatistas e paulicianos -
foi a recusa em aceitar as heresias pós-apostólicas das igrejas erradas. Isso
os levou a rebatizar os membros vindos dessas igrejas e, consequentemente,
recusar a comunhão com as mesmas. O certo é que todas [as igrejas dos quatro
grupos], por defenderem as verdades bíblicas, receberam o apelido de
anabatistas [que significa rebatizadores].
Os
Donatistas perseguidos verbalmente por Agostinho
Um fato interessante da história dos donatistas é a disposição de Agostinho, o
tão famoso pai da igreja, concentrar discursos públicos acusatórios contra
esses fiéis, mais precisamente contra o bispo donatista Petiliano. Agostinho
tentou censurá-los em palavras, mas diante da Bíblia não houve como vencê-los,
pois a Bíblia dava-lhes razão. Perdendo o combate em palavras, Agostinho passou
a persegui-los com a espada imperial. Condenou os donatistas nas seguintes
questões:
- Eram separatistas. Negavam-se a unirem com as igrejas oficiais [aplaudamos
isso!];
- Insistiam no rebatismo dos que passavam da igreja oficial para a deles [aplaudamos
isso!];
- Eram irredutíveis em questão de fé [aplaudamos isso!];
O bispo donatista Petiliano, contra quem Agostinho concentrar discursos
públicos acusatórios, assim respondeu ao bispo católico: - "Pensai vós em servir a Deus matando-nos com as vossas mãos? Enganais a
vós mesmos. Deus não tem assassinos por sacerdotes. Cristo nos ensina a
suportar a perseguição, não vingá-la". E o bispo donatista Gaudencio diz:
- "Deus não nomeou príncipes e soldados para propagarem a fé. Nomeou profetas
e pescadores".
Os bispos católicos (alguns na África) começaram uma nova moda a partir de 370
A.D. Foi a de batizar criancinhas recém-nascidas. Uma ideia prontamente
defendida por Agostinho, que fez o seguinte comentário: "Quem não quer que as criancinhas recém-nascidas do ventre das suas mães
sejam batizadas para tirarem o pecado original... seja anátema". Essa ideia tão
antibíblica foi totalmente recusada pelos donatistas. Aumentaram, assim, as
divergências entre católicos e donatistas.
O
Crescimento dos Donatistas
O crescimento desse grupo de anabatistas foi espantoso. No concílio feito por
Teodósio II em 441, na cidade de Cártago, compareceram 286 bispos da igreja
oficial e 279 bispos donatistas. Robinson declara que: "tornaram-se tão
poderosos que a corporação católica invocou contra eles o interesse do
imperador Constantino [a favor dos católicos], pelo que os donatistas
inquiriram: - que tem o imperador a ver com a igreja? Que têm os cristãos a ver
com o rei? Que têm os bispos a ver no tribunal?". O historiador Orchard,
relatou que: "tornaram-se quase tão numerosos quanto os católicos
romanos". E o historiador Jones diz na sua Conferência
Eclesiástica, Vol. I, pg 474: "Rara era a cidade ou vila na
África em que não houvesse uma igreja donatista".
A
Perseguição contra os Donatistas
O crescimento foi tanto que espantou Constantino.. Este imperador, que dizia-se
cristão, encheu as igrejas oficiais de favores. Na História da Igreja Católica,
página 20, temos o seguinte relato: "O clero foi colocado no mesmo pé de
igualdade dos sacerdotes pagãos em matéria de isenção e obrigação civis. Eram
permitidos os testamentos em favor da igreja". O mesmo livro, na página 20, diz: "Constantino fez doações, saídas do tesouro público para a igreja que
começava a acumular bens e grandes rendimentos".
Estes favores porém, só eram concedidos às igrejas oficiais, justamente aquelas
que venderam a fé por privilégios humanos, aquelas que desde o princípio
precisaram ser excluídas por mudarem até o plano de salvação. Na página 24 do
livro já mencionado, segue-se o seguinte relato: "Aboliram a lei da crucificação, porém, não estendeu nenhum desses
favores aos cristãos dissidentes, os montanistas por exemplo. No seu entusiasmo
de preservar a unidade de fé e disciplina, o imperador mostrou-se tão
ativamente hostil para com os dissidentes, tais como os donatistas, que
qualquer um que novamente estivesse preocupado com a futura liberdade da igreja
teria passado um mal bocado". No livro O Papado na Idade Média, página 24, esse relato é confirmado:
"Constantino não podia tolerar, especialmente a
diversidade das crenças e dos cultos que caracterizava a igreja enquanto ainda
vaga a confederação. Manifestou essa resolução imediatamente, quando, após os
sínodos poucos categóricos de Roma, Cártago, e Arles, condenou pessoalmente os
donatistas no ano de 316 A.D."
O movimento [Donatista] foi praticamente exterminado com a chegada dos
muçulmanos. Em 722 A.D., o islamismo tomou conta do norte da África. As igrejas
cristãs na África, tanto donatistas, como as católicas - tanto as de rito
ocidentais como as orientais - foram destruídas. O movimento sobreviveu com
outros nomes em outros lugares. Os [cristãos do norte da África] que
conseguiram sobreviver foram para o sul da França, em Albi, ou para os Alpes no
sul da Europa, como o Piemonte. Devido aos decretos de punição com a morte de
quem não batizasse as criancinhas, ficaram os donatistas praticamente impedidos
de entrar nas cidades ocidentais e orientais da Europa.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO "PAULICIANOS"
Os
Paulicianos podem ter sido o mais antigo grupo de anabatistas que se conhece. A
falta de dados sobre o seu princípio, e o falso relato das igrejas orientais
sobre eles, dificultam uma data exata para o início desse movimento.
A Origem
dos Paulicianos
As tradições narradas pelos monges da igreja grega dizem que os paulicianos
surgiram na segunda metade do século sétimo, tendo como fundador um tal
Constantino. Realmente Constantino , um pastor pauliciano, existiu. Mas era
simplesmente uma pastor, que, em 690 A.D., foi morto por lapidação
[apedrejamento] por ordem dos bispos gregos.
Na História de Gibbon, VI, pg 543, Gibbon classifica o
paulicianismo como a forma primitiva [isto é, original] do
cristianismo: "De Antioquia e Palmira deve ter sido espalhada para a Mesopotâmia e a
Pérsia; e foi nestas regiões que se formou a base da fé, que se espalhou desde
as cordilheiras do Tauro até o monte Arará. Foi esta a forma primitiva do
Cristianismo."
Noutro lugar, V, pg 386, diz ele: "O nome pauliciano, dizem os seus inimigos que se deriva de algum líder
desconhecido; mas tenho certeza de que os paulicianos se gloriaram da sua
afinidade com o apóstolo aos gentios".
O livro A Chave da Verdade, escrito pelos próprios paulicianos,
citado por Gregório Magistos no décimo primeiro século, e descoberto pelo Sir.
Fred C. Conybeare, de Oxford, em 1891, na Biblioteca do Santo Sínodo, em
Edjmiatzin da Armênia, afirma nas páginas 76-77 que [os paulicianos] são de
origem apostólica: "Submetamo-nos então humildemente à santa igreja universal, e sigamos o
seu exemplo, que, agindo com uma só orientação e uma só fé, NOS ENSINOU. Pois
ainda recebemos, no tempo oportuno, o santo e precioso mistério do nosso Senhor
Jesus Cristo e do pai celestial: a saber, que no tempo de arrependimento e fé.
Assim COMO APRENDEMOS DO SENHOR DO UNIVERSO E DA IGREJA APOSTÓLICA,
prossigamos; e firmemos em fé verdadeira aqueles que não receberam o santo
batismo (na margem: a saber, os latinos, os gregos e armênios que nunca foram
batizados); como assim nunca provaram do corpo nem beberam do santo sangue do
nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, de acordo com a Palavra do Senhor, devemos
traze-los à fé, induzi-los ao arrependimento, e dar-lhes o batismo -
rebatiza-los." [ênfase por Hélio]
Fica claro que eles não se denominavam paulicianos, porém, "a igreja Santa, Universal e Apostólica". As igrejas romanas,
gregas e armênias eram duramente condenadas por eles. Condenavam principalmente
o batismo por imposição (praticado pelos imperadores) e o batismo infantil.
[Exemplos de batismo por imposição: no ano 311, Constantino ordenou que todos
os soldados de seu exército passassem através de um rio (com cavalos e tudo
mais!), e os declarou batizados. Justiniano, imperador de 527 a 563, ordenou
que todos os habitantes do império fossem batizados.]
Outro relato interessante é o do professor Wellhausen, na biografia que
escreveu sobre Maomé, na Enciclopédia Britânica, XVI, pg 571, pois
ali os paulicianos são chamados de "sabian", que é uma palavra árabe
que significa "batista".
Crescimento
e Perseguição dos Paulicianos
Na enciclopédia acima mencionada é dito que os sabianos - ou batistas -
encheram, com seus adeptos, a Síria, a Palestina, e a Babilônia. O maior grupo
estava fixado nas regiões montanhosas do Ararat e do Tauros. O motivo de
escolherem este lugar de tão difícil acesso é a perseguição movida contra eles
pelas igrejas gregas. Enquanto Montanistas, Novacianos e Donatistas eram
perseguidos mais pelas igrejas romanas, as igrejas gregas perseguiam os
paulicianos no oriente.
O crescimento não podia deixar de despertar os inimigos. No ano de 690, o já
mencionado pastor Constantino foi apedrejado por ordem do imperador, e seu
sucessor foi queimado vivo. A imperatriz Teodora instigou uma perseguição na
qual, dizem, foram mortos, na Armênia, cem mil paulicianos.
Por incrível que pareça, [os Paulicianos] foram tolerados por muito tempo pelos
maometanos. Isso os deixou à vontade e foram eles os grandes missionários da
idade das trevas entre os anabatistas. Espalharam-se pela Trácia em 970, pela
Bulgária, Bósnia e Sérvia após o ano 1100. Em todos estes lugares foram como
missionários enviados pelas igrejas paulicianas. O historiador Orchard revela
que "um número considerável de paulicianos esteve
estabelecido na Lombardia, na Insubria, mas principalmente em Milão, aí pelo
meado do século onze, e que muitos deles levaram vida errante na Franca, na
Alemanha e outros países, onde ganharam a estima e admiração da multidão pela
sua santidade. Na Itália foram chamados de Paterinos e Cátaros.
Na França foram denominados búlgaros,
do reino de sua emigração, também publicanos e boni homines, bons homens; mas foram
principalmente conhecidos pelo termo albigenses, da cidade de Albi, no Languedoc superior".
Em 1154, um grupo de paulicianos emigrou para a Inglaterra, tangidos ao exílio
pela perseguição. Uma porção deles estabeleceu-se em Oxford. Willyan Newberry
conta do terrível castigo aplicado ao pastor Gerhard e ao povo. "Seis anos mais tarde outra companhia de paulicianos entrou em Oxford.
Henrique II ordenou que fossem ferreteados na testa com ferros quentes,
chicoteados pelas ruas da cidade, suas roupas cortadas até à cintura e
enxotados pelo campo aberto. As vilas não lhes deviam proporcionar abrigo ou
alimento e eles sofreram lenta agonia de frio e fome." É interessante lembrar ao
leitor que João Wycliff (1320-1384), considerado a "estrela d'alva"
da Reforma, iniciou justamente em Oxford sua luta para reformar a podridão do
catolicismo. Sem dúvida ele teve algum contato com algum sobrevivente dos
paulicianos.
A partir do século XII ,o nome pauliciano foi caindo em desuso. Conforme suas
emigrações e campos missionários, foram recebendo novos nomes ou se fundindo
com os outros grupos de anabatistas da Europa. No sul o nome perdeu-se entre
os albingenses e valdenses. No centro e norte da Europa
foi aos poucos prevalecendo o nome de "anabatistas".
CAPÍTULO VI
IDENTIFICANDO
OS ANABATISTAS DOS SÉCULOS XII A XV
Os
anabatistas dos séculos XII ao XV são a continuação ou os descendentes diretos
dos anabatistas primitivos. A única coisa que vai mudar é o sobrenome do
apelido. Vimos que na primeira geração de anabatistas havia quatro grandes
correntes, que iam desde o Oriente Médio até a Europa. A partir do século XII,
a mais forte destas correntes (os paulicianos) fundiu sua identidade com os
irmãos europeus que serão estudados neste capítulo.
Dois grandes grupos de anabatistas apareceram neste período. Esse número pode
ser bem maior, mas me falta conhecimento para integrá-los aos demais. Não é
nossa ideia trabalhar com hipóteses. Trabalhamos com declarações e documentos
de estudiosos no assunto de história das igrejas. Por isso consideraremos
apenas dois grupos como autênticos anabatistas. São eles: os albingenses e os valdenses. A história de amor pela
palavra de Deus, e a perseguição que sofreram decorrente deste amor, é uma das
histórias mais lindas e tristes que já li.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO ALBIGENSES
Após os
quatro grupos primitivos de anabatistas, os albigenses é o primeiro a se
destacar como seus descendentes. Já se notou que os montanistas, donatistas e
novacianos, após a investida de Roma e Constantinopla sobre eles, foram
obrigados a se refugiar na região dos Pirineus, sul da Franca. Também os
paulicianos, a partir do século XI, se fixaram nestes lugares. Foi exatamente
assim que Deus guardou sua igreja pura e viva, para descobri-la novamente ao
mundo e pregar as boas novas. Os velhos nomes morreram, mas a fé permaneceu a
mesma. A doutrina também não mudou. Também não mudou o costume de rebatizar os
católicos, e por isso todos os dois grupos eram identificados como seus
antecessores, ou seja, "anabatistas".
A Origem
dos Albigenses
Alguns historiadores traçam a origem dos albigenses como tendo provindo dos
paulicianos (Enc. Brit. I, pg 45), enquanto outros afirmam que eles
se achavam no sul da França desde os primeiros dias do cristianismo. Este
apelido não provém do nome de um pastor famoso, como, por exemplo, os
novacianos. É um apelido proveniente do lugar onde os anabatistas se
encontravam. Albi era uma cidade no distrito de albigeois, no sul da França.
Após a perseguição desencadeada por Roma e Constantinopla sobre os montanistas,
novacianos e donatistas, estes três grupos, sem exceção, ficaram impedidos de
pregar nas cidades do ocidente e do oriente onde prevalecia o poder papal. A
prática de rabatizar os católicos era punida com a morte. Então, num gesto de
conseguir a sobrevivência da fé e da ordem apostólica, estes grupos procuraram
esconder-se nos Alpes e nos Pirineus. Ao chegarem nestes lugares perderam o
antigo apelido e foram conhecidos por outros apelidos: ALBIGENSES - pelo lugar
onde se refugiaram; CÁTAROS - Devido a pureza de vida que levavam; HOMENS BONS
- Pela inegável integridade desses crentes; e ANABATISTAS - por rebatizaram os
que vinham do catolicismo romano ou ortodoxo.
Não existia diferença entre as doutrinas dos recém-chegados a esse refúgio -
como foi o caso dos paulicianos - e os anabatistas já instalados ali há quase
um milênio - a saber, os montanistas, novacianos e donatistas. Mesmo vindos de
cantos totalmente diferentes e de diversos lugares do mundo antigo, ao chegarem
nos vales dessas montanhas, uniam-se facilmente uns com os outros. O
crescimento dos anabatistas neste lugar fez o dr. Allix calcular o seu número
em três milhões e duzentos mil pessoas só nos Pirineus. (O Batismo Estranho
e os Batistas, pg 63). É maravilhoso saber como Deus guardou os anabatistas
por tantos séculos e depois ajuntou-os num mesmo lugar. É maravilhoso saber que
a podridão do catolicismo não conseguiu penetrar nessas igrejas de Jesus Cristo
por todos estes séculos.
Perseguição
contra os Albigenses
Qualquer pessoa pode por si mesma fazer um estudo minucioso sobre as atrocidades
cometidas contra os albigenses. O que o catolicismo fez por mais de um século
contra esse grupo de anabatistas pode ser lido em qualquer biblioteca de uma
simples escola pública. Basta pegar uma enciclopédia e abrir na página de
Inocêncio III. Este papa católico foi um dos muitos que mataram friamente
anabatistas por mais de mil e trezentos anos. Só que as atrocidades deste papa
foram todas registradas e não podem ser escondidas da sociedade. Para a igreja
católica ele é um santo. Para mim, o mais usado por Satanás, em seu tempo.
O Papa Inocêncio III (1198-1216) desencadeou contra os anabatistas de Albi o
que foi chamada de "a quarta cruzada". A chacina, iniciada em fins do
século XII, iria se prolongar até meados do século XIII. Centenas de milhares
de albigenses - também chamados de cátaros e bons homens, foram cruelmente
assassinados pelo mandato papal. Houve em 1167, na cidade de Toulouse, o
chamado "Concílio Albigense". Assunto: Tratar simplesmente dos
hereges anabatistas que lá viviam. O resultado desse concílio foi a quarta
cruzada, posta em vigor pelo papa Inocêncio III. Em 22 de Julho de 1209, quase
toda a população de Béziers foi massacrada. O papa Inocêncio e seus sucessores,
em nome de Deus, matavam anabatistas como se mata porcos. Alguns albigenses que
conseguiram se refugiar em Montségur (foram estes os últimos albigenses
anabatistas a assim serem chamados), conseguiram sobreviver [somente] até o ano
de 1244.
O escritor Nicolas Poulain assim descreveu o seu fim:
"A 16 de Marco de 1244, os sitiadores prepararam uma
enorme fogueira no sopé do rochedo de Montségur. Então, os 200 [últimos]
sobreviventes saíram do refúgio e desceram em lenta procissão até seus
carrascos. Os sãos sustinham os enfermos; de mãos dadas, entoavam hinos religiosos.
Entre eles, havia uma mãe com sua filha doente... impassíveis, todos entraram
nas chamas... o local onde foi erguida a fogueira ainda é conhecido como o
"campo dos queimados"; ali se erigiu uma estela [um marco de pedra,
memorial ou de comemoração] funerária onde foi gravada a seguinte inscrição:
"EM MEMÓRIA DOS CÁTAROS, MÁRTIRES DO PURO AMOR CRISTÃO."
E ainda há quem defenda um homem como Inocêncio III. E ainda há quem ache a
igreja católica ser a igreja que Jesus deixou. Não, não é. Deus não tem assassinos
como pastores. Sua igreja não é uma igreja assassina, pois, "a porta do
inferno não prevalecerá contra minha igreja." Se o leitor duvida do que
aqui está escrito procure saber por si mesmo a verdade. Mas busque a verdade.
OS ANABATISTAS CONHECIDOS COMO VALDENSES
A
perseguição que o papado moveu contra os albigenses durante várias décadas
levou os anabatistas a se deslocarem para muitos lugares. O nome albigense era
sinônimo de morte. Surgiu então um outro apelido para designar os anabatistas
deste tenebroso período. Foram chamados de Valdenses.
A Origem
dos Valdenses
Os livros relatam que os valdenses se originaram de um rico comerciante de Lion
em 1176. Seu nome era Pedro de Valdo, daí [vem o nome] valdenses. Mas a verdade
é que esse grupo é uma continuação dos albigenses. Vendo os anabatistas
albigenses que a perseguição no sul da França não ia ter fim - como não teve -
fugiram para outras localidades. Em suas fugas iam evangelizando e rumando
sempre para o norte da Europa. Foi onde Pedro de Valdo se converteu, e por ser
famoso, os inimigos logo apelidaram os antigos albigenses de Valdenses.
[Correção por Hélio: Até mesmo alguns reformadores (por exemplo, Beza)
reconheceram que a Igreja Valdense foi organizada não por Valdo, mas pelos
habitantes do Vale de Vaudois (donde derivou-se o nome Valdense), nos Alpes
Italianos, cerca de 120 AD, a partir de quando eles passaram de pai para filho
os ensinamentos que receberam dos apóstolos. A Bíblia Latina, a Itálica, foi
traduzida do grego (depois chamado de Textus Receptus) o mais tardar em 157
AD. http://www.giveshare.org/library/bible/waldensesandbible.html (The Waldenses and the Bible. The Primitive Baptist Library)]
Significativo é o depoimento de Raisero Sachoni. Ele foi por dezessete anos um
dos mais ativos pregadores dos "Cátaros" ou "Valdenses".
Mais tarde uniu-se à ordem [de frades católicos mendicantes] dominicana,
apostatando da fé. Tornou-se um acérrimo inimigo dos Valdenses, e por isso o
papa o fez ser inquisitor da Lombardia. Por muitos anos, até à sua morte,
acusou e mandou matar seus ex-irmãos anabatistas. Foi um judas. Sua opinião
sobre a origem dos valdenses é como se segue:
"Entre todas as seitas não há mais perniciosa à
igreja (católica, é claro) do que os valdenses. Por três razões:
- Primeira, porque é a mais antiga, pois alguns dizem que data do tempo de
Silvestre, 325 A.D. (Silvestre foi o papa que, junto com Constantino, condenou
os donatistas, montanistas e novacianos), outros [dizem que data] do tempo dos
apóstolos.
- Segunda, é a mais largamente espalhada, porque dificilmente haverá um país
onde não existam.
- Terceira, porque, se outras seitas horrorizam aos que a ouvem, os valdenses,
pelo contrário, possuem uma grande aparência de piedade. Como matéria de fato,
eles levam vidas irrepreensíveis perante os homens e no que respeita à sua fé,
aos artigos do seu credo, são ortodoxos. Sua única falta é que blasfemam contra
a igreja e o seu credo".
O testemunho desse apóstata é muito importante. Não é fácil para um prelado
católico dizer que [os anabatistas Valdenses] "datam do tempo de Silvestre
(ano 325 A.D.) ou dos apóstolos".
Outro escritor, dessa vez um francês, Michelet, diz na Historie de France,
II, pg 402, Paris 1833: "Os valdenses criam
numa continuidade secreta através da Idade Média, igual à da Igreja
Católica".
E Neander adiciona na History of the
Christian, pg 605, Vol. IV, 1859: "Não é
sem fundamento a afirmação dos valdenses deste período (1100 em diante), a
respeito da antigüidade de sua seita, e que tinha havido, desde o tempo da
secularização da igreja, a mesma oposição (à igreja Romana) que eles
sustentavam".
Os historiadores que se tem especializado na história dos valdenses sustentam a
ideia de que as doutrinas dos valdenses não se originaram com Pedro Valdo. Diz
Faber, The Waldenses and Albigenses:
"A evidência que acabo de produzir, prova, não somente que os valdenses e
albigenses existiram antes de Pedro de Lião; mas também que, no tempo do
aparecimento dele nos fins do século doze, havia duas comunhões de grande
antigüidade (O autor refere-se aos albingenses e valdenses ao dizer que
existiam duas comunhões). Segue-se, portanto, que, mesmo nos séculos doze e treze,
as igrejas valdenses eram tão antigas, que a sua origem remota foi atribuída,
mesmo pelos seus inimigos inquisitoriais, ao tempo além da memória do homem. Os
romanistas mais bem informados do período não ousaram fixar a data da sua
origem. Eram incapazes de fixar a data exata dessas veneráveis igrejas. Tudo
que se sabe é que eles tinham florescido ao longo do tempo, e que eram muito
mais antigos do que qualquer seita moderna".
Portanto, se alguém quer saber a origem dos valdenses, saiba que, apesar de
receberem esse apelido somente a partir de 1100, já eram conhecidos como
albigenses, paulicianos, donatistas, novacianos e montanistas. Tinham de
diferente apenas o apelido, mas eram todos de uma mesma comunhão. Também todos,
sem exceção, foram chamados de "anabatistas". O fato de aparecer
paralelamente no mesmo período albigenses e valdenses, não quer dizer que os
valdenses não seja uma continuação dos albigenses. Quer dizer que durante um
período de mais ou menos meia década, enquanto o apelido albigense caía em
desuso, crescia o nome valdense. É o que chamo de período de transição. O
estudante notará que a mesma coisa aconteceu no século XVI. Neste período,
enquanto caía o apelido anabatista, surgia o apelido batista.
A
doutrina dos valdenses
Suas doutrinas eram idênticas à dos primitivos anabatistas. Há dois documentos,
datados de cerca do ano 1260 A.D., escritos por católicos que descrevem os
valdenses: Um deles diz: "os valdenses se vestiam com relativa
simplicidade, comiam e bebiam moderadamente, sempre eram laboriosos estudiosos,
havendo entre eles muitos homens e mulheres que sabiam de cor todo o Novo
Testamento".
O outro documento é o tratado de Davi de Augsburgo, escrito sobre os
"pobres de Lião" ou valdenses, e impregnado de ódio e antipatia. Este
documento diz que os valdenses proclamavam-se "discípulos de Cristo e
sucessores dos apóstolos" e, quando eram excomungados [pelas igrejas
papistas romanistas], regozijavam-se com o fato de terem de sofrer perseguição
como outrora os apóstolos, "nas mãos dos escribas e fariseus". O
documento informa que eles rejeitavam os milagres eclesiásticos e os festivais,
ordens, bênçãos, etc., dizendo que essas coisas foram introduzidas pelo clero
cobiçoso; batizavam os que abraçavam seus princípios, dizendo alguns deles que
o batismo de crianças não vale nada, pois elas são incapazes de crer. Não criam
que o sangue e o corpo de Cristo estão na eucaristia, limitando-se a abençoar o
elemento como um símbolo. Celebravam a ceia, recitando palavras do evangelho; negavam
o purgatório, o concubinato, o sacerdotalismo, o legalismo, etc.
A Perseguição aos Valdenses
Assim como os albigenses, os valdenses foram tenazmente perseguidos pela Igreja
Católica. A Inquisição matou, queimou, afogou, esfolou, torturou e fez muito
mais para destruir os valdenses. Só para o estudante ter uma idéia, o Papa João
XXII (1316-1334), tendo um rendimento farto e regular dos impostos criados por
ele mesmo, gastava 63% do tesouro papal para financiar a guerra contra os
anabatistas e os muçulmanos. (O Papado na Idade Média, pg 140 e 143). O
papado obrigou o povo a pagar impostos com o intuito de financiar guerras
visando o extermínio dos anabatistas. Em todos os países era passada a chamada
"rota romana" com os ad doc - que significa "a isto" -
pressionando e atormentando o povo a pagar o tributo para o papa.
No final do século XV os valdenses ainda estavam de pé. Suas forças estavam nos
vales dos Alpes. Tinham uma escola prática em Milão e de ramificações em zonas
distantes como a Calária e a Apúlia. Possuidores de um noviciado e de
seminários independentes, os valdenses punham em campo uma grande quantidade de
missionários itinerantes, os quais conheciam de cor longas passagens dos
evangelhos e das epístolas.
Infelizmente, muitos se ligaram com os hussitas [seguidores do mártir John
Huss] na Boêmia e com os Lolardos na Inglaterra. Isso degradou em muito a
pureza de muitas igrejas valdenses, pois estas igrejas, assim como as
protestantes, pregavam uma fé em que podia-se pegar em armas para defender
direitos [ué, Hélio vê como permitido pela Bíblia que defendamos
nossa vida e da nossa família, e que, como soldados convocados, defendamos
nossa pátria contra invasores]. No século XVI, a euforia da Reforma
também varreu uma grande parte dos valdenses. Acredito que isso destruiu o
grupo como denominação. Alguns se aliaram com os luteranos na Alemanha, outros
a Zuinglio na Suíça, e uma grande parcela com Calvino. Os fiéis, que não se
misturaram, continuaram anabatistas puros. Até hoje existe algumas igrejas com
o nome denominacional "valdense" [pena que a maioria delas parece ter
se tornado ecumênica e de evangelho social, ver http://www.waldensian.org/]
CAPÍTULO VII
OS
ANABATISTAS DO SÉCULO XVI
Tenho visto
muitos historiadores da Igreja tentando responder erroneamente a questão de
onde vieram os anabatistas do século XVI. A resposta correta é simples: Não
vieram, já estavam. O movimento anabatista do século XVI é uma continuação dos
movimentos anabatistas que atravessaram toda a Idade Média. Os costumes são
iguais; a doutrina é a mesma; os membros tinham a mesma característica diante
da sociedade. O fato de sabermos mais sobre os anabatistas do século XVI do que
os anabatistas da Idade Média, não se deve ao fato de estarmos incertos sobre a
existência dos últimos. Deve-se ao fato de que agora já tinham inventado a
imprensa. E também, com a divisão do catolicismo no advento da Reforma,
teríamos informações oficiais de dois lados, o catolicismo e o protestantismo.
Além do que o século XVI está bem mais próximo de nossa época que o século IV.
Pense bem: O que você sabe sobre o papa Silvestre do século IV? Quase nada. Que
tal verificar na sua memória o que você sabe sobre Lutero, Cabral, e outros que
viveram no século XVI? Tenho certeza que as informações sobre os últimos são
bem mais amplas. Porque seria diferentes com os anabatistas?
A ORIGEM DOS
ANABATISTAS DO SÉCULO XVI
Admitir que os anabatistas atravessaram toda a idade média, mesmo que
levando outros nomes, não é uma tarefa fácil. Para igreja católica admitir isso
ela estará afirmando ter sido exclusão [da comunhão deles] em 225, além do que,
[estará reconhecendo] que ela [a igreja católica] não é a igreja mais antiga.
Para os protestantes - principalmente luteranos e presbiterianos - é dizer que
não foram seus patronos Lutero e Calvino os resgatadores da verdade.
Os anabatistas têm sua origem nas igrejas anabatistas que conseguiram escapar
da perseguição católica durante o período das Trevas, que vai desde século IV
até o século XVI. Apesar de terem outros apelidos além de anabatistas, estas
igrejas eram o verdadeiro cristianismo, e todas, sem exceção, eram chamadas de
"anabatistas".
SUAS CARACTERISTICAS ORGANIZACIONAIS E
DOUTRINÁRIAS
O historiador A.G. Dickens, no seu livro A Reforma, pg 131-
140-141, faz um relato muito significativo sobre a origem, organização e
doutrina dos anabatistas do século XVI. Ele não defende os anabatistas, mas
também não pode negar o fato de serem eles um grupo de cristãos totalmente
diferente do catolicismo e protestantismo. Eis o relato de Dickens:
"Em que sentido pode o anabatismo ser chamado de um
movimento? Não podemos certamente falar de uma reforma anabatista como falamos
de uma reforma luterana, zuingliana ou calvinista. Os anabatistas não tinham
nenhum chefe espiritual, nenhum código de doutrina largamente aceito, nenhum
órgão central dirigente (eram independentes). Não influenciaram os governos,
não modelaram as sociedades nacionais, não conservaram uma administração
política. Nessa comunidade de crentes fora das margens [isto é, fora do
catolicismo romano], a disciplina não se limitava apenas ao batismo. A
confissão de Schleitheim, um de seus documentos mais largamente divulgados,
redigida em 1527, talvez pelo mártir Miguel Satler, reduz-se a sete
artigos:
- O batismo, diz-se, só será concedido aos que conheceram o arrependimento e
mudaram de vida, e que entrem na ressurreição de Jesus Cristo.
- Os que estão no erro não podem ser excomungados antes de advertidos por três
vezes, e isto deve-se fazer antes do partir o pão, de maneira que uma igreja
pura e unida se reuna.
- A ceia do Senhor é só para os batizados, e é um serviço comemorativo.
- Os membros devem deixar o culto papista (católico) e antipapista (protestante),
não tomarem parte dos negócios públicos (que eram na sua maioria imoral),
renunciam à guerra e às diabólicas e anticristãs arma de fogo.
- Os pastores devem ser sustentados pelas congregações, afim de poderem ler as
escrituras, assegurar a disciplina da igreja e dirigir a oração. Se um pastor é
expulso ou martirizado, deve imediatamente ser substituído, e ordenado outro,
para que o rebanho de Deus não seja destruído.
- A espada destina-se aos magistrados temporais, a fim de poderem castigar os maus,
mas os cristãos não devem usá-la, mesmo em legítima defesa, como também não
devem recorrer à lei ou tomar o lugar dos magistrados.
- São proibidos os juramentos."
O estudante deste tratado pode comparar o elo que liga os anabatistas do século
XVI aos dos séculos anteriores e aos batistas. São o mesmo povo. Olhe bem para
os artigos de fé acima mencionados. Compare com as doutrinas dos batistas.
Existe alguma coisa que não está de acordo? São todos o mesmo povo. Todos eram
e devem ser verdadeiros seguidores das Escrituras Sagradas.
AS DIVISÕES
ENTRE OS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI
Muitos há que condenam o movimento anabatista do século XVI dizendo que
eles por algum tempo apelavam para a violência. Os que assim pensam se esquecem
que toda igreja tem seu lado ruim. Veja a Igreja de Jesus. Não havia lá o
Judas? Era Judas o verdadeiro representante da igreja ou um membro errado? Sim,
os anabatistas tiveram membros e pastores que não honravam suas doutrinas. E
eram justamente aqueles que estavam misturados com as revoluções luteranas,
calvinistas e zuinglianas. Foi o caso de Melchior. Dickens afirma no seu
livro A Reforma, pg 142 sobre ele:
"Pode-se dizer que a Confissão de Schleitheim, no
seu conjunto, contém muitas posições características e que era aceita pela
maior parte dos anabatistas. Fora dela havia muitos preceitos religiosos ou
sociais não aceitos por todos eles e sujeitos a controvérsias. Doutrinas não
incluídas na confissão eram rigorosamente sustentadas por certas comunidades,
como a cristologia Melchiorita [ele marcou a volta de Cristo para 1533, em
Strasbourg, que seria a nova Jerusalém. Falhou. Isto o levou a ser um dos pais
da Rebelião de Munster]."
Para quem não sabe Melchior Hoffiman é acusado de ser anabatista e de fazer um
levante contra o Estado de Lutero na Alemanha. Dickens considera-o
"sectários e extremistas à margem [isto é, fora] do anabatismo" (A
Reforma pg 143). O historiador Christian diz que ele nunca foi um
anabatista.
Hoje estamos vivendo uma situação parecida. [Porventura] são batistas aqueles
que se dizem batistas e não honram os artigos de fé bíblicos? [Porventura] são
batistas os batistas que acreditam na salvação pelas obras? [Porventura] são
batistas os que acreditam na salvação pela guarda do sábado? Porém na parede da
frente de suas igrejas está escrito: Igreja Batista. Realmente, somente é
batista quem realmente vive como um batista deve viver. Foi o caso dos
anabatistas do século XVI. Uma maçã podre não invalida as maçãs boas.
OS ANABATISTAS
E LUTERO
Os anabatistas do século XVI e o reformador católico Martinho Lutero
escreveram uma página especial do cristianismo naquele período. Quando Lutero
iniciou o seu movimento encontrou nos anabatistas um apoio antipapista. [Lutero
e os anabatistas] tinham de comum o fato de saberem que o papa era um servo de
Satanás. Muitos anabatistas migraram-se para a Alemanha animados com o discurso
antipapista de Lutero. A decepção não demorou a chegar. Quando Lutero conseguiu
o poder temporal ele passou a perseguir os anabatistas. Primeiro, usando
discursos inflamados. Depois usou a intimidação. E por fim, usou a força. Para
decepção de muitos de seus admiradores, Lutero não ficou devendo nada a nenhum
papa em questão de crueldade contra os anabatistas. Veja alguns relatos sobre a
perseguição de Lutero aos camponeses anabatistas feitas pelo escritor Stefan
Zweig em seu livro Os Caminhos da Verdade, páginas 184 e 198:
"Lutero abraçava, sem restrições e definitivamente,
a causa da autoridade contra o povo. O asno, dizia ele, precisa de pauladas; a
plebe deve ser governada com a força... Iniciava-se já a perseguição aos livres
pensadores e aos dissidentes, instaurava-se a ditadura do partidarismo...
Arrancava-se a língua aos anabatistas, os atenazavam com ferros candentes e os
condenavam a fogueira como hereges os seus pregadores, profanavam-se os
templos, queimavam-se os livros e incendiavam-se as cidades."
Lutero não pode ser visto como um defensor da causa de Deus. Tampouco como
alguém que resgatou o direito de ler a Bíblia. Não, de forma alguma. Ditadores
não são homens de Deus. Homens que matam por causa de doutrina não são homens
de Deus. Não vemos Jesus arrancar a língua de ninguém para pregar o evangelho.
Porque então seus pregadores agiriam dessa forma? Lutero perseguiu os anabatistas
porque estes não se sujeitaram a seus caprichos de ditador.
Em Abril de 1525, por ordem de Lutero, o qual chegou a redigir um panfleto,
numa linguagem violenta contra os anabatistas, pediu que seus súditos
colocassem fim na desordem anabatista que atormentava o seu país. Naquele mês,
mais de cem mil anabatistas morreram assassinados pelos soldados luteranos.
Essa é a verdadeira história sobre os anabatistas e Lutero.
OS ANABATISTAS
E CALVINO
A relação entre Calvino e os anabatistas do século XVI não foi diferente
da que houve com Lutero. Todo revolucionário tem a tendência de se tornar um
ditador. Aconteceu primeiro com Lutero na Alemanha. Pouco depois aconteceu com
Calvino na cidade de Genebra. Nos livros que temos sobre a reforma não se pode
esconder os atos de atrocidades que Calvino cometeu contra feiticeiros,
humanistas e aos anabatistas residentes em sua cidade. No livro O
Cristianismo Através dos Séculos, pg 254, diz que:
"Para garantir a eficácia de seu sistema (o sistema
de uma cidade santa), Calvino estabeleceu penalidades severas. Vinte oito
pessoas foram executadas e setenta e seis exiladas em 1546."
Temos o relato de uma testemunha ocular dos fatos, chamado Sebastião Castellio,
que fora um pastor Calvinista e tornou-se depois um humanista, abandonando seu
ministério devido a evidências tais quais temos a seguir:
"Revolta-me o exemplo de como se procede nesta
cidade o emprego da violência contra os anabatistas. Eu mesmo vi arrastarem
para o cadafalso uma mulher de oitenta anos com sua filha, esta mãe de seis
filhos, que não cometeu outro crime senão o de negar o batismo das crianças." (Extraído do livro Uma
Consciência Contra a Violência, página 115).
Se Calvino fosse um homem de Deus certamente agiria como a Bíblia ensina.
Saberia que somente teremos uma cidade perfeita quando estivermos no céu.
Saberia conceder a liberdade religiosa a seus concidadãos. Saberia que lugar de
pastor não é no comando de cidades e sim conduzindo o seu rebanho. Quem manda
matar a mãe de seis crianças por não aceitarem o erro do batismo infantil não
pode ser um homem da dispensação da graça. Os verdadeiros batistas não tem nada
a ver com o calvinismo.
OS ANABATISTAS
E ZUINGLIO
Zwinglio (ex-sacerdote católico) foi um grande reformador e da mesma
época que Lutero. Zurique foi a cidade que ele escolheu para fazer notório o
seu movimento reformador. Muitos anabatistas foram para lá pensando justamente
na liberdade religiosa que os reformadores pregavam antes de se tornarem cruéis
ditadores. No começo houve uma grande amizade entre os anabatistas
(principalmente os valdenses) e os simpatizantes de Zwinglio. Muitos
anabatistas inclinaram-se para o zwinglianismo, principalmente em setembro de
1532. Parece que a maioria dos valdenses seguiram Zwinglio por este tempo. Mas
foram decepcionados. Zwinglio aceitou a adesão dos que queriam, mas condenou
aqueles que não quiseram se juntar a ele.
Assim que Zurique ficou em suas mãos, Zwinglio iniciou uma perseguição contra
os indomáveis anabatistas. Por sua ordem, o senado promulgou uma lei, segundo a
qual aquele que se atrevesse a batizar alguém que tivesse sido batizado antes,
na infância, fosse afogado. Suas ideias se espalharam por todas as cidades
suíças de ascendência alemã, e consequentemente, nestes lugares, os anabatistas
eram afogados por batizarem seus membros.
PORQUE OS
ANABATISTAS NÃO SE UNIRAM COM OS REFORMADORES?
Uma igreja que representa a pura doutrina deixada pelo Senhor Jesus não
poderia se unir com nenhum movimento reformador do século XVI.
- Primeiro, porque, como o próprio nome diz, era uma reforma da igreja
Católica. Se queriam reformá-la é porque admitiam que ela era uma igreja de
Jesus, quando, na verdade, tinha deixado de ser desde 225.
- Segundo, porque quando os reformadores vieram da igreja Católica, não houve
entre seus pastores iniciantes uma conversão de seus pecados. O que houve foi
uma convicção da parte deles de que a igreja católica estava errada. Até os
católicos tinham essa convicção.
- Terceiro, que, não se convertendo, também não foram e nem podiam ser
batizados, ordenança pela qual um crente professa publicamente que está
aceitando Jesus e sua Igreja. Se não foram batizados com que autoridade podiam
ministrar o batismo ou passar esta autoridade a outros?
As igrejas que saíram da reforma cometiam erros que jamais podiam ser aceitos
como sendo realizados pela igreja de Jesus.
- O primeiro é o batismo infantil. Todas as igrejas da Reforma batizavam
crianças recém-nascidas. A Igreja de Jesus nunca realizou e nem permitiu o
batismo infantil.
- O segundo erro é a formação de uma igreja oficial [estatal, intimamente
ligada ao governo, idealmente controlando-o]. Por exemplo: Luterana na
Alemanha; Anglicana na Inglaterra; Presbiteriana na Escócia; Jesus nunca quis
casar sua igreja com o Estado. Antes ensinou: "Dai a César o que é de
César e a Deus o que é de Deus".
- Terceiro é a formação de uma hierarquia dentro da igreja, colocando uma
igreja acima da outra e pastores comandando outros pastores.
- O quarto erro é o uso de armas para impedir a liberdade religiosa e se meter
em guerras contra católicos.
- O quinto erro é o de praticarem o batismo por aspersão e não por
imersão.
Por estes e outros motivos os anabatistas jamais poderiam ter se aliado com as
igrejas da reforma.
A OPINIÃO DE
HISTORIADORES DA IGREJA SOBRE OS ANABATISTAS
Apesar de não concordar com os historiadores convencionais a respeito da
história dos anabatistas (pois eles tratam os tais como dissidentes e hereges),
penso ser importante a opinião destes homens sobre os anabatistas.
A opinião de A.G. Dickens, no livro a
Reforma: "Durante os últimos anos fizeram-se estudos que nos levam a ver com
novo respeito o sopro do idealismo cristão que alimentava os anabatistas. As
horríveis crueldades de que foram alvo por parte dos católicos e dos
protestantes chocam mesmo aqueles que os estudos dos costumes do século XVI
endureceu... a maioria destes sectários era constituída por homens sinceros e
pacíficos, que teriam podido ser dirigidos sem recorrer ao fogo e ao
afogamento... Haveria muito a dizer, se nos quiséssemos referir aos seus
descendentes espirituais, as seitas do século XVII, da Inglaterra e da Nova
Inglaterra (os batistas e menonitas), e para podermos afirmar que os
anabatistas deram grande contribuição à liberdade religiosa e cívica."
(página 143).
"Uma revisão realista obriga-nos a acrescentar que nenhuma outra seita
religiosa mostrou maior heroísmo passivo, face à perseguição." (página
141).
Quando afirmamos que os anabatistas são os sucessores autênticos dos apóstolos não
estamos idealizando uma fantasia. Estamos relatando uma verdade que jamais será
publicada nos livros de história eclesiástica.
CAPÍTULO VIII
A QUEDA
DO APELIDO ANABATISTA E O SURGIMENTO DO
APELIDO BATISTA
Na metade do
século XVI, e no princípio do século XVII, há uma súbita queda do apelido
"anabatista" e o aparecimento rápido do apelido "batista"
em toda a Europa. Muitos procuram ligar a fundação das igrejas batistas à
pessoa de John Smith (morto em 1612). Grandes historiadores como Orchard e
Christian já fizeram o favor de desmentir essa teoria. Qualquer estudante da
história das religiões, se agir com sinceridade, descobrirá que os batistas são
o fim dos anabatistas. Os batistas são a junção de diversos grupos anabatistas
em torno desse nome com a queda do prefixo "ana". E isso não
aconteceu de repente ou de uma só vez. Foram necessário quase um século para
que a junção dos anabatistas ao nome batista fosse possível. E só se tornou
possível devido ao laborioso trabalho de resgate de pastores itinerantes que,
levantados por Deus, uniram os diversos grupos ao nome batista e também, ao
nome "menonita".
POR QUE O
APELIDO ANABATISTA CAIU?
Vimos que no início do século XVI, muitos anabatistas, iludidos com o
aparecimento de alguns líderes da reforma, saíram de seus esconderijos e foram
habitar nas cidades e povoações onde a reforma explodia. Não demorou muito e
toda a Europa Central foi minada com a chegada desses cristãos. No sul da
Alemanha, na Boêmia, na Suíça, na França, na Hungria e nos países baixos [a
Holanda], os anabatistas estavam fortemente organizados. Animados com a chance
de novamente poderem pregar publicamente - isso depois de 1200 anos - deixaram
os Pirineus e os Alpes e marcharam rumo ao norte da Europa.
O sucesso foi imediato. As conversões multiplicavam-se. A cidade de Estraburgo,
na França, chegou a ter mais de dez por cento de sua população anabatista. Só
na Morávia, o pastor Jacob Hutter, organizou mais de oitenta igrejas em menos
de dez anos. Hutter foi morto em 1526 pregando o evangelho. O pastor Hans Huth,
encadernador itinerante, estendeu o evangelho por numerosos países da Europa.
Abriu centenas de igrejas no sul da Alemanha e na Áustria. Em 1527 ele foi
preso em Ausburgo, interrogado e submetido a tortura; morreu no mesmo ano,
devido a queimaduras publicamente sujeitado. O pastor Hubmaier teve grande
participação dos trabalhos na Morávia, onde encontrou auditório e leitores para
seus panfletos. Em 1528 ele foi queimado na cidade de Viena. Sua esposa foi
lançada ao Danúbio com uma grande pedra no pescoço.
Cálculos menores indicam que só nos Países Baixos [Holanda] morreram mais de
30.000 anabatistas em menos de cinco anos de perseguição. A perseguição foi
brutal e desumana. Além dos casos mencionados acima temos um muito famoso: O
martírio de Miguel Satler. Este era um pastor batista. Sendo um homem de muita
sabedoria, coube a ele, em 1527, redigir a Confissão de Schleitheim, o credo
anabatista. Foi o documento mais largamente divulgado entre os anabatistas, o
qual, como já mencionamos, era um precioso resumo dos artigos de fé das igrejas
anabatistas e posteriormente batistas. O ato lhe custou o martírio. No
livro Breve História dos Batistas, pg 59, temos um comentário
extraído de sua sentença de morte:
"Miguel Satler deverá ser entregue ao carrasco. Este
o levará até a praça e aí primeiro lhe cortará a língua. Depois o amarrará a
uma carroça e com tenazes incandescentes tirará, por duas vezes, pedaços de
seus corpo. Em seguida, a caminho do lugar da execução fará isso cinco vezes
mais e depois queimará seu corpo até o pó como um arqui-herege"
Assim ele morreu. Quando já na fogueira, as chamas queimaram as cordas que lhe
prendiam as mãos, e ele levantou os dedos indicadores. Era o sinal combinado
com os irmãos anabatistas para indicar que os sofrimentos eram suportáveis.
Os anabatistas cresceram tanto no século XVI que despertou o ódio dos católicos
e protestantes. A ilusão de que a reforma os ajudaria transformou-se numa
grande desilusão. Os protestantes do norte da Europa fecharam-lhe as portas e
iniciaram um período de perseguição intimidadora, que visava apenas fazerem
parar de crescer. Não adiantou. Continuaram a crescer. Foi Lutero, em 1525, que
desencadeou uma perseguição em massa. Essa perseguição atravessou as fronteriras
da Alemanha e o apelido "anabatista" tornou-se um sinônimo de morte.
O historiador Dickens relata sobre esse fato escrevendo um comentário de
Bullinger, um escritor luterano contemporâneo de Lutero: "Por toda a
parte, tanto a católicos como a protestantes, estes sangrentos sucessos -
referindo-se à chacina causada por Lutero - serviram de aviso. Deus abriu os
olhos dos dirigentes, e de futuro ninguém poderá acreditar num anabatista,
mesmo nos que se dizem inocentes."
Bullinger deixa claro o que Lutero fez aos anabatistas no dia 25 de Junho de
1535 na cidade de Munster ao chamar o ato de "sangrentos sucessos".
Sua ironia em comentar o caso mostra que o reformador tinha pleno apoio de seus
seguidores. Além do que a opinião de Bullinger foi certeira no que se refere ao
futuro difícil que os anabatistas teriam pela frente. Após a chacina, até o ano
de 1566, tanto católicos como protestantes buscaram tenazmente a destruição das
igrejas anabatistas.
Assustados, os anabatistas começaram a deixar de usar este apelido. Sabiam que
a simples identificação como anabatista bastava-lhe para ser morto. A partir de
1533, tanto católicos como protestantes resolveram que iriam exterminar o
anabatismo. Por isso, eles se refugiaram pelos Países Baixos e já não podiam
pregar publicamente. Na busca pela sobrevivência espalharam-se como uma
denominação organizada. Alguns pastores, tentando evitar o martírio, mudavam-se
de lugar e de nome também. Os pastores mais famosos eram os mais procurados.
Foi o caso de João de Leida, que fugindo de Munster, instalou-se em Basiléia.
Lá, gozando de uma certa liberdade, trocou seu nome para David Joris, e pregava
na clandestinidade. Considerado o mais famigerado de todos os anabatistas,
depois de morto, seu corpo é retirado do túmulo e queimado junto com seu livro
"Wonderboek".
O que aconteceu a João de Leida foi a realidade de milhares de anabatistas do
mesmo período. Mas tinha um problema. Mudavam de lugar e de nome, porém, como
mudar de Senhor? Como não rebatizar os católicos e protestantes que eram
convertidos na clandestinidade? Por onde iam, acabavam sendo descobertos pelo
fato de batizarem por imersão os seus membros. Foi assim que seus inimigos
começaram a chamá-los de "batizadores" ou "batistas".
Earle Cairns, em seu livro O Cristianismo Através dos Séculos,
página 248, afirma que: "os anabatistas são os ancestrais diretos das
igrejas menonitas e batistas hoje espalhadas pelo mundo."
O RESGATE DOS
ANABATISTAS
Com a dispersão dos anabatistas, muitos acabaram em lugares longínquos.
Foi preciso haver um "resgate" dos membros dispersos. Muitos
anabatistas foram encontrados e resgatados às fileiras da fé pela ação
itinerante de pastores que viajavam por toda a Europa em busca das ovelhas
dispersas. Veja o relato de Dickens:
"Sabe-se que, durante estes anos (de 1536 a 1561),
Menon Simon viaja infatigavelmente através da Alemanha e dos Países Baixos,
confirmando e estendendo os grupos que haviam conseguido escapar à
perseguição... O pintor de Vitrais David Joris (morto em 1556) tornou-se também
um outro organizador itinerante. Foi finalmente obrigado a fugir para Basiléia,
onde, escondido durante largos anos, conseguiu evitar a fogueira."
Assim fica claro que, após a perseguição desencadeada de 1533, os anabatistas
que se dispersaram foram reagrupados por pastores itinerantes. Os resgatados
por Menon Simon - nem todos - acabaram sendo conhecidos por menonitas, e
existem como denominação até hoje. Os que foram resgatados por David Joris, e
muitos outros pastores anabatistas, ficaram sendo conhecidos como
"batistas".
A ÉPOCA DA
MUDANÇA OFICIAL DO APELIDO ANABATISTA PARA BATISTA
A época exata da mudança do apelido anabatista para batista está entre
os anos de 1533 até o ano de 1638. Temos relatos de que o nome batista era
usado já no século XVI, e também que o apelido anabatista ainda foi usado no
século XVII. Para se ter uma idéia clara sobre esse assunto basta o estudante
lembrar que David Joris, que morreu em 1556, agrupava os anabatistas em torno
do nome "batista". Mas por outro lado, a primeira Igreja Batista dos
Estados Unidos, em Rhode Island, antes de ser chamada de batista era formada
por crentes "anabatistas", isso no ano de 1638.
Relatos oficiais dos batistas norte-americanos nos informam que: Nos Estados
Unidos, na província de Rhode Island, foram fundadas as duas primeiras igrejas
batistas da América. Uma em 1638 e a outra em 1639. A primeira em Newport e a
segunda em Providence. A primeira, quando foi fundada em 1638 pelo pastor John
Clark, foi conhecida como "Igreja Anabatista". Já em 1648, talvez
pela tendência que todas as igrejas anabatistas tomavam, eles já tinham mudado
o nome para "Igreja Batista". A segunda igreja, de Providence, é na
verdade filha da primeira. Roger Williams, um de seus memoráveis fundadores,
foi batizado por John Clark em 1638. Assim, a autoridade da ministração do
batismo dos batistas americanos foi concedida diretamente de autênticos
pastores anabatistas e que depois foram conhecidos como batistas.
Também na Inglaterra, a primeira igreja tida oficialmente como
"batista", foi formada por membros que receberam o batismo dos
anabatistas resgatados por Menon Simons. O nome do primeiro pastor desta igreja
é Tomaz Hellys, convertido em 1612.
Portanto, a partir de 1612 na Inglaterra e de 1638 nos Estados Unidos, já
estava definitivamente caído o prefixo "ana" dos anabatistas. Ficou
somente a raiz da palavra, "batistas", apelido este que o precursor
de Jesus já levava por seu costume de batizar crentes arrependidos de seus
pecados.
CAPÍTULO IX
OS BATISTAS
[O início
de] a história dos batistas coincide com o final da história anabatista do
século XVI. Na verdade, é uma clara continuação das igrejas fiéis desde os
tempos apostólicos até hoje. Escritores há que, movidos de inveja, e até mesmo
de uma certa ignorância do caso, e outros, batistas, que não se importam com a
origem de sua denominação, desejam dar aos batistas um começo no século XVII.
Para tanto distorcem a história de algumas igrejas batistas, principalmente da
Inglaterra, usando ora John Smith, ora Tomas Hellys como fundadores do
movimento. Sinto em informar aos que concordam com essa ideia que estão errados
ou mal intencionados a respeito da origem e história dos batistas.
A ORIGEM DOS
BATISTAS
Podíamos simplificar e dizer que os batistas se originaram com os
apóstolos. E é a pura verdade, pois, os apóstolos foram batistas, ou seja,
batizavam [as pessoas que tinham crido biblicamente, depois tinham pedido o
batismo]. Mas os batistas têm sua origem nas igrejas antes denominadas de "anabatistas".
É uma continuação do apelido. A única coisa que muda é o prefixo
"ana", e este não caiu de uma hora para outra, foi um processo que
levou quase cem anos para acontecer. A prova disso é a declaração do bispo
Hosius, no concílio de Trento que chamou os anabatistas de
"batistas", já em 1554. E nos Estados Unidos, a Igreja Anabatista de
Newport foi fundada em 1639, e dez anos depois mudaria seu nome para igreja
batista de Newport. Portanto, são 85 anos de transição de um nome para o outro.
O fundador da Igreja Batista foi Jesus Cristo. Continuada pelos apóstolos ela
teve uma grande ruptura em 225, quando as igrejas infiéis precisaram ser
excluídas - que eram os católicos romanos e ortodoxos. Outra ruptura veio em
313, quando muitas igrejas fiéis aceitaram se unir com o Estado. Foram os
batistas massacrados pelas igrejas infiéis durante treze séculos, tendo como
apelido mais comum o epíteto de "anabatistas". No século XVII ela tem
novo apelido, que é o de batista. Continuou sendo perseguida e só teve paz no
século XVIII. Foi a partir dessa época que ela realmente conseguiu uma certa
liberdade e cresceu, chegando hoje a milhões de adeptos espalhados em mais de
duzentos países. Foi a primeira denominação a lançar um missionário na era
moderna com Willyan Carey. Foi a primeira denominação a requerer liberdade
religiosa para todas as denominações. É e continuará sendo uma igreja que segue
princípios puramente bíblicos, os mesmos princípios dos seus antepassados
anabatistas, os quais herdaram os princípios das igrejas apostólicas.
A DECLARAÇÃO
DE ESCRITORES NÃO BATISTAS SOBRE SUA ORIGEM
O Cardeal Hosius, católico,
1554, presidente do Concilio de Trento, escreveu: (Orchard's History of
Baptists, seção 12, parte 30, página 364): "Não fosse o fato de terem os batistas sido penosamente atormentados e
apunhalados durante os doze últimos séculos e eles seriam mais numerosos mesmo
que todos os que vieram da Reforma".
Notem que a data é de 1554, ou seja, quase setenta anos a menos que os
escritores errados afirmam [ter sido] o início da primeira igreja batista. Este
bispo já chamava os anabatistas de batistas, e para ser bem sincero, é mesma
coisa na prática religiosa. Sou batista porque? Porque batizo todas as pessoas
que desejam fazer parte de uma igreja batista. Eles eram anabatistas porque?
Porque rebatizavam os católicos. Não é de fato a mesma coisa?
Outra coisa interessante dessa declaração (e é preciso lembrar que foi o
presidente de um concílio católico que durou de 1545 até 1563) foi o fato de
Hosius mencionar a data de quanto tempo eles já haviam sido perseguidos, ou
seja, doze séculos antes desta data. Então, 1554, menos 1200 anos, é igual a
324, data do início da perseguição das igrejas fiéis (ou anabatistas) pelas
igrejas infiéis ou erradas (os católicos).
Note que ele não diz a data da origem dos batistas. Diz a data da origem da
perseguição que eles sofreram. A data, como já dissemos, está primeiramente em
Jesus, e depois na exclusão das igrejas infiéis em 225.
O bispo Hosius também faz uma diferença clara entre "batistas" e os
que "vieram da Reforma". Hosius sabia muito bem que os batistas não
eram reformistas nem protestantes. Eram a igreja original, não poluída, não
dividida, a verdadeira igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo.
Moshein, um dos maiores escritores da
história luterana, testifica (Eccl. Hist. Cent. 16, secção 3, parte 2, capítulo
III. Fuller Church History B.4): "Antes de se levantarem Lutero e Calvino, estavam ocultas, em quase
todos os países da Europa, pessoas que seguiam tenazmente os princípios dos
modernos Batistas Holandeses".
"Vasto número dessa gente, em quase todos os
países da Europa, preferiam perecer miseravelmente por afogamento, fogueira ou
decapitação, do que renunciar às opiniões que abraçaram... É realmente verdade
que muitos anabatistas foram mortos, não por serem maus cidadãos, nem membros
malfazejos da sociedade civil, mas apenas por serem hereges incuráveis,
condenados pelas antigas leis canônicas. Pois o erro de batismo de adultos era,
naquela época, considerado uma ofensa terrível"
Esta declaração é muito útil porque vem de um autêntico protestante. Já que
muitos gostam de afirmar que os batistas são protestantes, esse protestante, um
luterano, está afirmando que os batistas já existiam antes de se levantarem
Lutero e Calvino.
Enciclopédia de Endinburg (autor
presbiteriano). "Nossos leitores
percebem agora que os batistas são a mesma seita dos cristãos que antes foram
descritos como Anabatistas. Realmente parece ter sido o seu princípio dominante
desde o tempo de Tertuliano até o presente".
Apesar de chamar os batistas de "seita", este presbiteriano, querendo
[nós] uma veracidade de datas em sua narração da origem dos batistas, não pode
negar de onde eles surgiram, ou seja, das igrejas anabatistas. Ele é firme em
afirmar que "são a mesma seita", para nós, a mesma igreja. Além do
que ele garante que já havia anabatistas nos dias de Tertuliano (160-230 d.C.).
Essa é a data que este tratado dá para o aparecimento do primeiro grupo de
anabatistas - os montanistas, em cerca de 160 (ver [nossa] página 11, sobre os
montanistas).
Sir Isaque Newton, 1710, escreveu. "Os batistas são o único corpo de cristãos que nunca tiveram
similitudes com Roma".
Este anglicano, um grande inventor, nada tem a ver com a história da religião.
O que vale a pena ressaltar é a data de sua declaração e a firmeza em que ele
separa os batistas como a única igreja que não saiu de Roma. Nessa época havia
mais cinco denominações reconhecidas: Luteranos, Anglicanos, Congregacionais, Presbiterianos
e Ortodoxos.
Não existe dúvida. Os batistas são a continuação das igrejas fiéis (ou
anabatistas) que excluíram as igrejas infiéis (ou católicas) em 225. Sua origem
é esta. Somente os opositores, e os batistas ecumênicos, serão contrários a esta
tão grande realidade.
Enciclopédia Britanica Barsa,
relata: "Esse nome é uma forma
abreviada da palavra anabatista. É um nome dado pelos seus adversários às
várias seitas que negavam a validade dos batismo das crianças".
PERSEGUIÇÃO
AOS BATISTAS
A história dos batistas é toda regada com o sangue dos seus mártires. Da
mesma forma que seus antepassados, os mártires que que seguiram logo após os
apóstolos, os anabatistas sofreram nas mãos do judeus e do império, que os
colocou nas prisões e nas arenas para serem engolidos pelos leões. E [tal como]
seus antecessores, os anabatistas, sofreram toda sorte de atrocidades e
torturas nas mãos dos católicos, também os batistas sofreram horrores nas mãos
dos católicos e protestantes por um longo período de tempo. Onde uma igreja
batista era descoberta ou estabelecida, logo vinha a perseguição, e com ela a
morte dos batistas.
A Perseguição na Inglaterra
Até o ano de 1534 a Inglaterra foi um país católico. A partir desta data,
liderados pelo rei Henrique VIII, os ingleses passaram a ser protestantes, mais
precisamente pertencentes à Igreja da Inglaterra, conhecida como Episcopal ou
Anglicana. Os templos católicos tornaram-se templos anglicanos. Padres foram
muitas vezes transformados em pastores. O batismo foi o mesmo dos católicos,
infantil e por aspersão. Os batistas, vendo tanta coisa errada, nunca aceitaram
a igreja anglicana como uma igreja de Jesus. Seus pastores batizavam todos os
que vinham do catolicismo ou do anglicanismo. Isso pareceu ruim aos olhos do
rei e dos pastores anglicanos. Por isso ficou resolvido pelos anglicanos que os
batistas precisavam morrer.
Muitos pastores e membros das igrejas batistas foram cruelmente mortos pela
igreja anglicana. De 1534 até 1688 a igreja anglicana comandou o ato de
intolerância contra as igrejas batistas. Foi nesta época que viveu John Bunyan.
Neste período a perseguição era geral. As igrejas batistas não tinham o direito
legal de existir, e quando descobertas, eram fechadas e destruídas. Não é por
um acaso que muitas igrejas batistas, tanto na Inglaterra como no País de
Gales, mudavam-se inteiramente para a América do Norte.
A partir de 1688 foi permitido aos batistas realizarem seus cultos
publicamente, sem é claro, atormentar a igreja anglicana. Isso era coisa impossível
aos batistas. Como pregar Jesus sem mostrar o pecado? Como ensinar a Bíblia sem
mostrar o erro? O ensinamento da Bíblia, foi, muitas vezes, o fator principal
das perseguições contra os pastores batistas. Apesar dessa tolerância, era
negado aos batistas o direito de ter acesso a cargos públicos, bem como ao
parlamento. Somente em 1818 foram os batistas munidos deste direito. Mesmo
assim não eram considerados válidos o registro de nascimento (pois negavam dar
suas criancinhas ao batismo anglicano), e o registro de casamento (pois não
casavam-se diante de um pastor anglicano e numa igreja anglicana). A
intolerância do registro de nascimento só foi revogada em 1836, e a de
casamento em 1844. Porém ainda não podiam ser aceitos nas Universidades de Cambridge
e Oxford. Até este tempo os filhos dos dissidentes não possuíam o direito de
acesso a nenhuma das grandes instituições. O ato de libertação veio somente no
ano de 1854.
Alguns escritores tem revelado ao mundo um pouco das atrocidades sofridas pelos
batistas nas mãos dos católicos e dos protestantes da Inglaterra.
O Missionário W.C. Taylor relata no Manual das Igrejas Batistas, pg
149-151, que: "Desde o século XII até o século XVII, muitos batistas sofreram
perseguição e morte por meio da fogueira, do afogamento, da decapitação, além
de outros métodos, que algumas vezes importavam em torturas desumanas. E isso
sofreram [tanto] dos papistas como dos protestantes..."
Escreve Brande que: "No ano de 1538, trinta e um batistas, que haviam fugido da Inglaterra,
foram executados em Delf, na Holanda; os homens foram decapitados, e as
mulheres foram afogadas (History of Reformers pg 303)..."
O bispo Latimer declara que: "Os batistas que foram queimados em diferentes partes do reino, seguiam
para a morte intrepidamente, sem qualquer temor, durante o tempo de Henrique
VIII. (Neals History of Puritans, V. III, pg 356)..."
O Dr. Featley, um dos seus mais figadais inimigos, escreveu a respeito deles,
em 1633: "Essa seita, entre outras, até
agora tem presumido da paciência do Estado, a ponto de organizar convenções
semanais, rebatizar centenas de homens e mulheres juntos, de madrugada, em
riachos, e em alguns braços do Tâmisa e noutros lugares, imergindo-os
completamente. Têm imprimido diversos panfletos em defesa de sua heresia; sim,
e tem desafiado alguns de nossos pregadores a disputa. (Eng. Bapt. Jubilee Memor.
Benedicts Hist. Baptist, pg 304)."
Das muitas histórias de pastores e igrejas batistas perseguidos na Inglaterra
durante os anos de 1534 a 1688, há uma que até hoje tem comovido o mundo todo.
É a história do pastor John Bunyan, ganho para Cristo após o árduo trabalho de
sua esposa (uma batista), que lhe trazia a Bíblia e livros para ler. Em 1653
ele batizado foi pela Igreja de Bedford. Desde então sua vida é um exemplo de
fé e firmeza nas tribulações. O relato abaixo foi extraído do livro "A
História das Religiões", de Cherles Francis Pother, páginas 468-469,
de 1944:
"Pregava havia já quatro anos quando Carlos II subiu
ao trono na Inglaterra e restaurou o episcopalismo. Os pregadores puritanos
teriam de conformar-se ou suspender os sermões. John Bunyan recusou-se a
obedecer, sendo condenado a doze anos de prisão. Lograria a soltura em qualquer
tempo desde que se comprometesse a não mais pregar, mas dizia com desassombro
que, uma vez livre, pregaria na primeira oportunidade. Não o demoveu fome da
esposa e dos filhos, sendo um deles uma menina, cega. Conseguiu ganhar algum
dinheiro na cadeia fabricando cadarço compridos de fio de linho de pontas
rematadas, os quais eram vendidos por sua filhinha cega.
Até na prisão Bunyan pregava aos companheiros. Tinha consigo apenas dois
livros: Livro dos Mártires, de Fox, e a Bíblia. Veio então grande inspiração e
escreveu O Peregrino. Promulgada a declaração de indulgencias, foi Bunyan posto
em liberdade, e logo depois eleito pastor de sua velha igreja. Três anos depois
a declaração foi renovada, voltando Bunyan para a prisão por ser pastor não
conformista".
John Bunyan não foi o único. Simplesmente é o mais conhecido. Antes de Bunyan
muitos batistas padeceram o martírio. Tomas Hellys por exemplo, apenas três
anos após a fundação da Igreja Batista de Spitalfields, em 1612, foi
martirizado a mandato dos bispos anglicanos em 1615. John Smith, outro fundador
de igrejas batistas, e um autêntico anabatista por ter sido batizado na época
em que as igrejas batistas ainda eram chamadas por esse epíteto, foi
martirizado em 1612, apenas três anos após da fundação de sua primeira igreja.
Edward Wightman, de Burton-sobre-o-Tento, condenado pelo bispo de Coventry, foi
queimado em Litchfield, a 11 de Abril de 1612. Estes são alguns dos muitos
casos de pastores ou membros batistas mortos por católicos e protestantes.
A Perseguição na Nova Inglaterra
(Estados Unidos).
Como as perseguições na Inglaterra estavam aumentando no período de 1534 a
1688, foi o jeito de muitos anabatistas-batistas deixarem este país e rumarem
para os Estados Unidos. Viam na América uma nova Canaã. E acertaram. Muitos
pastores pregavam a emigração em massa. Igrejas inteiras foram transferidas da
Inglaterra e do País de Gales para os Estados Unidos.
O primeiro grupo de batistas a emigrarem ainda eram conhecidos como
anabatistas. Veja o relato do livro "A História das Religiões"
página 489:
"Um outro grupo correu para Providence, logo nos
primórdios da existência deste centro, não só foi bem acolhido por Roger
Williams, como logrou sua adesão. Este grupo era o dos Anabatistas, ou, como
são mais conhecidos, batistas".
Provavelmente esse grupo veio junto com os puritanos do Mayflower em 1620. Mas,
descobertos pelos puritanos de Boston, foram expulsos de lá em pleno inverno
rigoroso de 1638. Negavam-se a entregar suas crianças para o batismo infantil
dos presbiterianos e dos congregacionalistas. Encontraram em Roade Island um
abrigo para sua fé. Formaram uma igreja anabatista em Newport neste mesmo ano.
No ano seguinte fundaram uma igreja batista em Providence. Tinham como pastor
John Clark, um homem de princípios e verdadeiro baluarte da fé. Também é desta
igreja o conhecido Obadias Holmes, que foi o sucessor de John Clark no
ministério. O pastor J.M. Carrol, no seu livro O Rasto de Sangue, página 47,
assim narra as perseguições sofridas por Holmes e seus companheiros diante da
Igreja Congregacional em Massachussets Bay:
"Com respeito às perseguições em algumas das
colônias americanas vamos mencionar alguns exemplos. De certa feita, estava
enfermo um dos membros da Igreja de John Clark. A família morava na Colônia e
um pregador visitante de nome Crandall e um leigo de nome Obadias Holmes, foram
visitar a família enferma. Enquanto eles estavam realizando um culto de oração
com a família doente, um oficial ou oficiais da colônia prenderam-nos e mais
tarde foram apresentados perante o tribunal para serem processados. Também está
dito na história que para arranjar uma acusação mais forte contra eles, foram
levados para uma reunião religiosa da Igreja Congregacional, tendo as mãos
amarradas. A acusação deles foi a de não tirarem seus chapéus num serviço
religioso.
Todos foram processados e condenados. O governador Endicott está presente.
Zangado disse a Clark, durante o julgamento: - Tendes negado o batismo infantil
(isto não era acusação contra eles). - Mereceis morrer. Não quero um traste
deste na minha jurisdição. Como pena deviam pagar uma multa ou serem açoitados.
A multa de Crandall (o visitante) foi de cinco libras; A pena de Clark foi de
20 libras; A multa de Holmes (os registros dizem que ele foi congregacional
antes de se tornar um batista) foi de 30 libras. As multas de Clark e Crandall
foram pagas por amigos. Holmes recusou igual obséquio alegando que não havia
errado, razão porque foi bastante chicoteado. Os arquivos dizem que ele se
despira até a cintura e que foi açoitado (com chicote tipo especial) até que o
sangue lhe cobriu as costas, descendo pelas pernas até lhe encher os sapatos! "
O Dr. J.M. Carrol ainda relata outra história de perseguições sofridas pelos
batistas na América, e desta feita o perseguido é o pastor Jaime Ireland, página
49:
"A Virgínia foi o segundo lugar no mundo onde a
liberdade religiosa foi adotada, seguindo a Rhode Island. Mas isto foi um
século mais tarde. Antes disto, cerca de trinta pregadores em tempos diferentes
foram presos, tendo como única acusação contra si o fato de pregarem o
Evangelho do Filho de Deus. Jayme Ireland é um exemplo. Ele foi preso... Depois
disto os seus inimigos tentaram matá-lo a pólvora. Tendo falhado neste primeiro
esforço quiseram sufocá-lo até a morte, usando enxofre, que ardia sob as
janelas da prisão. Tendo falhado outra vez, tentaram envenená-lo com o auxílio
de um médico. Tudo falhou. E Ireland continuou a pregar para o seu povo das
janelas da prisão. Um muro foi construído em redor da cela para impedir que o
povo o visse ou fosse visto por ele, mas esta dificuldade foi vencida. O povo
amarrou um lenço à ponta de uma comprida vara a qual era levantada para mostrar
a Ireland que todos estavam reunidos. As pregações continuaram."
Hoje os Estados Unidos é o país mais evangelizado do mundo. Os batistas são o
maior corpo denominacional do país, com milhões e milhões de adeptos
esparramados em todo canto das terras americanas. Mas nem sempre foi assim. A
liberdade aos batistas só veio em plena pujança no século XVIII. O Dr. J.M.
Carrol traça um exemplo de como o Estado da Virgínia chegou a dar liberdade
religiosa aos batistas, página 49:
"Em Virginia foi promulgada uma lei dando permissão
aos municípios de terem um pastor batista, mas somente um. O pastor poderia
pregar uma só vez de dois em dois meses. Mais tarde esta lei foi modificada
permitindo a pregação uma vez cada mês. Mais ainda assim em um só lugar do
Município e um único sermão naquele dia mas nunca pregado à noite. Outras leis
foram passadas não somente na Virgínia, mas em outros lugares, proibindo
qualquer trabalho missionário".
Hoje muitos desprezam o sentido denominacional dos batistas. Eles se esquecem
que se hoje a Bíblia pode ser lida com liberdade é fruto de um laborioso
trabalho de persistência dos batistas, sim, daqueles pastores que deram seu
sangue para podermos receber a Bíblia, o livre direito de culto e o correto
ensino das escrituras. Dependesse de Calvino e Lutero estaríamos presos às
correntes da escravidão protestante que varreu o norte da Europa. Dependesse do
catolicismo estaríamos presos às correntes da escravidão e idolatria que sempre
habitou no Sul da Europa e de lá foi transportada para as Américas.
O TRABALHO
MISSIONÁRIO DOS BATISTAS
Não podemos chamar a vinda dos batistas ingleses para a América como uma
obra missionária. Podemos chamá-la de uma emigração. Dois fatores contribuíram
para uma demora de uma organização missionária dos batistas.
- Primeiro, que a Inglaterra era um país com grande influência no mundo.
Aparentemente isso poderia ajudar na obra missionária dos batistas. Mas é só
nas aparências. Sua influência podia ajudar os anglicanos e posteriormente os
metodistas. Já os batistas não impunham a sua fé a ninguém. Aos batistas
importava propor e não impor o evangelho aos países conquistados pelos
ingleses. Devido a antipatia dos morados nativos pelos ingleses as missões tipo
da dos batistas eram muito difíceis.
- O segundo fator era a pobreza que pairava nas igrejas batistas. Com seus
direitos civis cassados, a maioria dos seus membros era gente pobre e
humilde.
Mesmo assim, enfrentando todos estes obstáculos, cabe aos batistas o troféu de
serem a primeira denominação cristã a enviar um missionário na Era Moderna.
MISSÕES
BATISTAS NA ÍNDIA
No final do século XVIII, o elemento humano usado por Deus para o início
da obra missionária foi um jovem pastor chamado Willyan Carey. Ele foi
mencionado no livro Instituições Religiosas, pg 103, onde se lê:
"Os batistas ingleses foram os primeiros, como
Willyan Carey, a organizar, em 1792, missões em países não cristãos (África,
China, Índia) por intermédio da Baptist Missionary Sociat". Era ele sapateiro de
profissão, mas como tinha intensa curiosidade intelectual, extraordinária
vontade de pregar, logo se tornou conhecido das igrejas e foi ordenado ao
ministério batista. Como as igrejas que pastoreavam eram pobres e não podiam
dar sustento integral, permaneceu durante algum tempo como sapateiro. Junto à
sua banca de sapateiro tinha mapas, por ele mesmo confeccionados, em que fitava
constantemente os países do mundo até onde o evangelho não tinha chegado.
Sentia profundo amor no coração pelos pagãos que estavam morrendo sem Cristo.
Finalmente conseguiu transmitir suas preocupações a diversos colegas de
ministério, e assim foi fundada, em 1791, uma sociedade missionária.
Willyan Carey foi nomeado missionário, juntamente com John Thomas, e, em 1793,
seguiram para a Índia. A ida de Carey para as Índias não agradou os
comerciantes ingleses [nas Índias]. Estes não viam com bons olhos a obra dos
missionários, porque temiam que, convertendo-se ao cristianismo, os nativos se
tornassem menos fáceis de ser explorados. A Companhia das Índias tudo fez para
prejudicar os missionários e, finalmente, conseguiu um decreto pelo qual não
era permitido mais o embarque de missionários da Inglaterra para a Índia. Nada
impedia, entretanto, que os candidatos a obra missionária embarcassem para a
América e de lá, para a Índia. Foi o que fizeram. Na América, entretanto,
enquanto esperavam navios que os levassem à Índia, punham-se em contato com as
igrejas batistas norte-americanas, e esse contato incentivou a realização de um
trabalho missionário próprio dessas igrejas.
MISSÕES
BATISTAS NA BIRMÂNIA
As Índias não foram o único alvo missionário dos batistas. William Ward,
companheiro de Carey, encontrou com um missionário Congregacionalista no navio
para as Índias. Admirado da fé de Willyan, o missionário Adoniram Judson e sua
esposa Ana, converteram-se e foram batizados. Naquele tempo, a maioria dos
batistas faziam a coisa certa, davam muita consideração à forma, ao desígnio,
ao candidato, e ao administrante de um batismo. Coisa semelhante aconteceu com
outro pastor congregacionalista, Luther Rice, que também no navio converteu-se
juntamente com Adoniram e foi batizado. Assim, em 1813, Adoniram foi para a
Índia, e seguiu um pouco além para a Birmânia, onde se tornou um grande
missionário. Sua história pode ser encontrada em livros como "Ana de
Ava", uma autobiografia do trabalho feito pela sua própria esposa.
Adoniram Judson, além de missionário foi também um homem "das
letras". Fez um dicionário birmanes e traduziu a Bíblia para esse idioma.
A UNIÃO DAS
IGREJAS BATISTAS EM PROL DAS MISSÕES
Luter Rice voltou aos Estados Unidos, onde pediu ajuda das igrejas
batistas da América para se sustentar. Seu pedido foi prontamente atendido, e o
maravilhoso trabalho desempenhado por Judson e Rice fizeram que as igrejas
batistas se organizassem numa Associação para poderem melhor atender às
necessidades dos missionários, como também para a formação de novos
missionários americanos. Essa associação foi denominada Convenção Geral da
Denominação Batista nos Estados Unidos para Missões no Estrangeiro. Não podemos
confundi-la com as atuais convenções batistas hoje existentes nos Estados
Unidos. Esta missão tinha um sentido puramente missionário. Visava os
missionários. Era uma coisa simples e quando deixou de existir (foi substituída
por outra) contava com 99 missionários no estrangeiro e 82 igrejas organizadas.
A Sociedade fundada por Willyan Carey não era exatamente uma cooperativa de
igrejas. Era uma sociedade onde pessoas se juntavam para mandar missionários. A
de Carey tinha doze pessoas quando foi fundada.
O TRABALHO
MISSIONÁRIO BATISTA NOS DIAS ATUAIS
Atualmente existem várias convenções e missões batistas organizadas em
prol da evangelização dos perdidos. A maior de todas é a Convenção Batista do
Sul dos Estados Unidos. Todas elas têm desempenhado um papel importante em
abrir novos trabalhos batista pelo mundo. Para poderem melhor se organizarem e
melhor organizarem seus trabalhos foi formada a Aliança Batista Mundial em
1905. A intenção inicial era a de ligar as igrejas batistas numa cooperativa de
igrejas que juntam-se para realizarem trabalhos missionários e outras
atividades adjacentes.
Porém a existência da Aliança Batista Mundial é uma faca de dois gumes. Por um
lado é bom, pois dá oportunidade de convenções se unirem e juntarem forças para
trabalhos mais complicados. Também é bom para que cada convenção ou missão se
conheça melhor. A Bíblia diz que é melhor serem dois do que um, e uma liga de
três não se quebra tão facilmente. Muitos trabalhos missionários, em lugares
estratégicos, têm sido abertos e sustentados pela Aliança. Não podemos deixar
de dizer o quanto isso é maravilhoso diante dos olhos de Deus. Por outro lado,
causa um certo temor. Muitos batistas errados estão infiltrados nesta Aliança.
Não dá para saber quem é quem. Outro fator negativo é que o trabalho algumas
vezes é direcionado para o lado ecumênico, o que faz o nome Batista estar
ajuntado com outras denominações erradas e antibíblicas. Outro lado ruim é a
visão missionária da Aliança. Muitas vezes, na intenção de formar organizações
para-eclesiásticas, o trabalho missionário fica em segundo plano.
Afora as convenções e missões existentes, os batistas têm o privilégio de terem
muitos pastores independentes. São missionários enviados por igrejas não
filiadas a uma missão ou convenção. Não são poucos no Brasil, e estão
espalhados em diversos pontos do mundo. A forma mais original dos batistas
estão bem exemplificados no comportamento e nas igrejas edificadas por estes
pastores. O fruto destes é um fruto permanente, e Deus tem certamente um plano
especial para esta forma primitiva de ser cristão, e quem sabe o resgate da denominação
num futuro próximo. Da mesma forma que as muitas convenções se gabam de ter
grandes homens que trabalharam para o Senhor, os independentes muito mais,
pois, cada missionário independente tem que ser homem de muita coragem e de
muita fé no Senhor Jesus.
CAPÍTULO X.A
A
HISTÓRIA DAS IGREJAS ERRADAS, APÓS A EXCLUSÃO
Os Católicos
Os Protestantes
Como dissemos, a história das igrejas erradas diferem muito da história das
igrejas fiéis. Assim como os fiéis que foram apelidados de
"anabatistas", elas também tiveram um apelido. Foram conhecidos por
Católicos.
O Catolicismo Original
Em nosso país se conhece apenas o catolicismo romano. No entanto ele não é o
único nem primeiro. O catolicismo primitivo foi uma organização eclesiástica a
qual pertenciam várias igrejas. Estas igrejas estavam espalhadas por todo o
Império Romano. Após a morte dos apóstolos muitas igrejas sofreram a influência
maligna do paganismo. Seus membros, instigados pelos falsos pastores, foram
vítimas de ensinamentos errados a respeito da autoridade de Cristo sobre Sua
igreja e também a respeito de como se chegar até o céu. Tais pastores desviaram
grandes igrejas sendo que muitas delas um dia foram grandes baluartes da fé. A
própria igreja de Roma é um exemplo. O apóstolo Paulo chegou a escrever uma
carta a esta igreja. Porém, devido ao mau uso do púlpito, os falsos pastores
desviaram completamente o rebanho; [portanto,] devido a terem aceitado
heresias, estas igrejas foram excluídas pelas igrejas fiéis em 225.
Igreja Católica significa "Igreja Universal". E, apesar deste apelido
ter sido usado pela primeira vez em 170 pelo bispo de Cártago, referindo-se a
todas as igrejas cristãs, ela não tinha a idealização que tem hoje. Este nome
começou a ganhar força a partir de 313 quando as igrejas erradas aceitaram ser
servas do imperador. Aí sim ficou decidido que a igreja tinha que ser
Universal. Tornou-se tão Universal que quem não pertencesse a ela seria punido
com a morte. Este pensamento fez com que estas igrejas enchessem suas fileiras
de pessoas não convertidas. Em algumas épocas a conversão chegou a ser nacional
e não pessoal. Se o rei do país se tornasse católico ele obrigava todo seu povo
a ser católico também. O evangelho a partir de 313 deixou de ser proposto para
ser imposto sobre todos os moradores do Império Romano.
O catolicismo original contava com cinco patriarcados (ou igrejas mais
importantes). Eram eles: Jerusalém, Roma, Constantinopla, Antioquia e
Alexandria. Estas cinco igrejas brigavam entre si para ver qual delas teria a
primazia sobre as demais. Esse quadro começou a mudar com o advento do
islamismo [depois do ano 600 A.D.]. A nova religião praticamente destruiu a
importância de três patriarcados: Jerusalém, Antioquia e Alexandria. Isso
polarizou o catolicismo em duas grandes correntes. A corrente grega reunia sob
sua autoridade as igrejas do Oriente e foram lideradas pela igreja de
Constantinopla. Já a corrente latina reunia sob a sua autoridade as igrejas do
ocidente e foram lideradas pela igreja de Roma. Essas duas igrejas foram rivais
até o século IX. Nesse tempo o catolicismo se dividiu.
A Divisão do Catolicismo
No ano de 869 os bispos de Roma e Constantinopla tiveram um grande atrito entre
eles. No final da confusão os pastores de Roma e Constantinopla se excomungaram
mutuamente. Desde este dia estas duas igrejas se separaram e até hoje existem
dois tipos de Catolicismo. O Catolicismo Oriental - representado pelas igrejas
de rito grego - também chamado de Igreja Ortodoxa Grega; e o Catolicismo
Ocidental - representado pelas igrejas de rito latino - também conhecido como
Igreja Católica Apostólica Romana.
Algumas Diferenças dos Dois
Catolicismos
A infalibilidade papal e a supremacia universal da jurisdição de Roma
constituem a diferença essencial, que a igreja ortodoxa não admite, pois ferem
a Santa Escritura;
A Sagrada Escritura e a santa tradição representam o mesmo valor como fonte de
revelação, segundo a igreja ortodoxa. A romana, no entanto, considera a
tradição mais importante que a sagrada escritura.
A virgem Maria, igual às demais criaturas, foi concebida em estado de pecado
original. A igreja romana, em 1854, proclamou o dogma de fé na Imaculada
conceição da Virgem Maria [isto é, que ela foi concebida sem pecado original].
Os sacerdotes ortodoxos podem optar livremente entre o celibato e o matrimônio.
A Igreja Ortodoxa só admite ícones nos templos e o batismo é por imersão - mas
é infantil. [um ícone é uma pintura plana (não um objeto tridimensional) de
Jesus, Maria, ou outro santos]
Na Igreja ortodoxa não existem as devoções ao sagrado coração de Jesus, Corpus
Christi, Via Crucis, Rosário, Cristo Rei, Imaculada Conceição, Coração de Maria
entre outras.
Na igreja ortodoxa o chefe principal é chamado de Patriarca e ele deve-se
submeter a decisão do Santo Sínodo Ecumênico, que compõe todos os patriarcas
chefes das Igrejas Autônomas.
Na Igreja Romana o chefe principal é chamado de Papa e a ele se submetem todas
as igrejas.
A igreja Ortodoxa segue o ritmo do Catolicismo original compondo-se de diversas
igrejas autônomas e nacionais (Ex. Igreja da Rússia, Igreja da Armênia, Igreja
Copta). Já a igreja Romana considera-se uma igreja Una, sendo ela mãe e não
igual a todas as outras igrejas.
A Igreja Católica Realmente Precisava
ser Excluída em 225?
Pode parecer maldade das igrejas fiéis o fato de terem excluídos de sua
comunhão as igrejas erradas em 225. Mas os fatos que se sucederam mostraram que
as igrejas fiéis realmente tinham razão.
A primeira razão está no espírito que movia [as igrejas erradas]. Não era o
espírito de Deus. Seus pastores geralmente eram homens cruéis e sanguinários.
Os papas foram os maiores perseguidores das igrejas fiéis que o mundo conheceu.
Por mais de 1300 anos perseguiram e mataram cruelmente os membros das igrejas
fiéis. Com a introdução do batismo infantil seus membros acabaram todos sendo
cristãos sem precisarem se converter de seus pecados.
Na questão doutrinária os erros aumentam ainda mais. Os dois primeiros erros --
formação da hierarquia e salvação pelo batismo -- logo foram seguidos por
muitos outros. Para que os bárbaros, acostumados com os cultos às imagens,
pudessem realmente ser atendidos pela igreja Católica, muitos lideres
eclesiásticos entenderam ser necessário materializar a liturgia. Surgiu a
idolatria. A veneração de anjos, santos, relíquia, imagens e estátuas foi uma
conseqüência lógica deste procedimento. Os pagãos, acostumados à veneração de
seus heróis, quando vinham para a igreja católica, pareceu-lhes natural
substituir os seus heróis pelos santos e lhes dar um status de semi-divindade.
Não tardou e em 590 já veneravam até relíquias, cadáveres, dentes, cabelos ou
ossos dos considerados "santos". Ações de graças ou procissões de
penitência tornaram-se parte do culto a partir de 313. A oficialização do
batismo infantil foi feita a partir de 370. Em 471 foi promulgado o dogma de
que Maria é mãe de Deus. Assim, por volta de 590 se desenvolveu rapidamente a
veneração a ela. A doutrina da Imaculada Conceição só apareceu em 1854, e de
sua miraculosa assunção em 1950.
A cada ano que passa estas igrejas tornam-se cada vez mais longe das
escrituras. Apesar de existir muita gente boa em suas fileiras é impossível
alguém que cumpra certo suas doutrinas chegar ao céu. Não se pode servir a dois
senhores.
A ORIGEM DAS
IGREJAS PROTESTANTES
No século XVI, por volta de 1500, a igreja Católica Romana passou por
uma crise interna que resultou na dissidência de quase metade de seus fiéis.
Essa dissidência foi chamada de "Reforma Protestante". Foi dessa
reforma que surgiram as Igrejas Luterana, Presbiteriana, Anglicana e a
Reformada da Holanda. Todas essas igrejas foram reformadas por padres ou com a
ajuda de padres. Os mesmos já não agüentavam tanta heresia e opressão que vinha
do Catolicismo Romano. Certos [extremos] absurdos tais como mariolatria,
purgatório, adoração de santos e imagens e as indulgências, eram erros tão
graves, que mesmo um católico bem informado não pode suportar.
A ORIGEM DA
IGREJA LUTERANA
A primeira igreja protestante a surgir foi a Igreja Luterana. Esta
igreja leva o nome e as características de seu fundador, [o frade agostiniano]
Martinho Lutero. Lutero era um homem muito inteligente, porém agressivo. Não
concordava com a venda de indulgências e outras heresias da igreja de Roma.
Contudo, nunca quis abandoná-la. Sua vontade era reformá-la.
Em 1512, Lutero começou a pregar contra a salvação pelas obras. Fez muitas
conferências confirmando que o justo iria viver da fé. E nisso ele tinha razão.
Em vários sermões ele condenou a prática da venda da indulgência. Em 31 de
Outubro de 1517 ouviram-se fortes marteladas na porta da Igreja de Wittenberg.
Era Lutero condenando o Papa Leão X e seus legados numa bula de 95 teses. Entre
estas teses, algumas eram especialmente desafiadoras:
"Os pregadores de indulgências erram quando declaram que o perdão do Papa
livra o pecador da penitência e assegura-lhe perdão".
"Os que se julgam seguros da salvação pelas cartas do Papa, serão
amaldiçoados eternamente , e na companhia de seus mestres.
"Por que o Papa não esvazia o purgatório pelo amor?"
Devido a essa bula Lutero foi excomungado pelo Papa em 1519. Mas, apoiado pelos
imperadores regionais e pelo povo de muitas cidades alemãs, Lutero levou a
afinco suas ideias. Ao meio de muita confusão e guerras ele conseguiu reformar
a igreja católica na Alemanha em 1521. Essa igreja foi chamada de Luterana.
Seus seguidores foram chamados de luteranos. Na Alemanha e em alguns outros
países do norte europeu ela se tornou a religião oficial do pais. A maioria das
igrejas católicas que existiam nesses países - contanto os fiéis, prédios e
padres - simplesmente se tornaram luteranos. Geralmente as freiras se casaram
com ex-padres. O termo missa foi conservado. As formas litúrgicas de dirigir a
missa quase não mudou. O batismo infantil era uma lei que devia ser cumprida. A
hierarquia continuava a mesma, sendo o primeiro chefe da igreja Luterana o
próprio Lutero.
A igreja luterana matou e perseguiu os batistas na Alemanha e em todos os
países em que ela se tornou a igreja oficial do país. No ano de 1525, Lutero
ordenou a morte de mais de cem mil anabatistas no sul da Alemanha. Seu ódio aos
batistas estava fundamentado no fato que estes, por obedecerem a Bíblia, nunca
o aceitaram como um servo de Deus.
A ORIGEM DA
IGREJA ANGLICANA
Em 1531, o rei da Inglaterra, Henrique VIII, queria se divorciar de sua
esposa para se casar com outra mulher. O Papa não autorizou o feito. Essa
recusa aborreceu o rei, e então ele, que chegou a ser inimigo da reforma
proclamada de Lutero, reformou a Igreja Católica na Inglaterra. Essa nova
Igreja foi chamada de Anglicana (ou Episcopal). No princípio, a única coisa que
diferia da Igreja Católica era o fato de não ter papa. Depois, com o passar do
tempo, os anglicanos adotaram muitos princípios de Calvino.
Assim como os luteranos e os presbiterianos, ela usa o erro do batismo
infantil. Também possui uma hierarquia quase igual à do catolicismo. Devido às
conquistas da Inglaterra sobre muitos países, essa igreja foi muito favorecida.
Está representada em quase todos os países do mundo e é muito forte onde a
Inglaterra mantém o seu controle. A igreja Anglicana tem muitas filhas. A mais
conhecida em nosso país é a Igreja Metodista.
A Igreja Anglicana tornou-se tão intolerante para com os batistas como foi o
catolicismo. No País de Gales havia um grande número de batistas e, por causa
da perseguição, quase todos tiveram que fugir para a América. A perseguição dos
anglicanos aos batistas durou até o ano de 1688. Grandes pastores como Tomas
Hellys e John Bunyan fizeram história devido a perseguição que o anglicanismo
lhes moveu.
A ORIGEM DA
IGREJA PRESBITERIANA
A Igreja Presbiteriana foi fundada por João Calvino [que havia estudado
para ser padre]. Ele foi um grande teólogo no sentido teórico, porém, um
péssimo executor no sentido prático. Assim como Lutero, ele buscava uma reforma
dentro da Igreja Católica. Não o conseguindo, acabou se rebelando, e, em 1541
formou uma igreja na cidade de Genebra, Suíça. Essa igreja no princípio não
tinha um nome definido, mas João Knox (ex-padre católico), um grande seguidor
das ideias de Calvino, chamou-a de PRESBITERIANA.
Nesta cidade de Genebra, Calvino impôs as suas ordenanças eclesiásticas. Eram
leis extremamente rígidas e severas. Ali o evangelho não era pregado mas
ordenado [imposto] aos cidadãos. Proibiu as diversões, as festas, os enfeites e
as críticas ao seu governo. Aqueles que eram considerados infratores recebiam
duros castigos, inclusive a morte na fogueira. Agindo dessa forma ele queimou
feiticeiros, humanistas e batistas. Sua cidade era tão santa que, na hora de
casar ,ele não quis uma membra de sua igreja. Casou-se com a viúva de um pastor
anabatista.
Como foi dito sua teologia era apenas teórica. Calvino teve verdadeiro ódio
pelos batistas, pois os mesmos não aceitarem sua igreja como sendo uma igreja
biblicamente correta. Os batistas viam na igreja Presbiteriana alguns erros que
não podiam ser deixados de lado.
- O primeiro era o batismo infantil.
- O segundo consistia dela ter se tornado uma religião do Estado [a oficial, a
única permitida no país, sustentada pelo governo, e que, sempre que possível,
governava o governo].
- O terceiro foi a formação de uma hierarquia esquematizada em presbitérios.
A Igreja Presbiteriana é a religião oficial da Escócia e está
bem organizada em muitos países do mundo inteiro. Hoje ela divide-se
principalmente em Igrejas Nacionais (Exemplo: Igreja Presbiteriana do Brasil),
as Independentes, e as Renovadas.
A ORIGEM DA
IGREJA METODISTA
Muito próximo do século XVIII nasceram três meninos na Inglaterra. Eram
eles: John Wesley, Carlos Wesley e George Whitefield. Estes três se tornaram
pais e fundadores de um movimento que mais tarde foi conhecido como metodismo.
John Wesley se tornou pastor anglicano em 1728. Apesar disso, só recebeu Jesus
[como Salvador pessoal e como Senhor absoluto] em 1738, ou seja, dez anos após
a sua ordenação ao pastorado. Em 1739 ele foi ser capelão nos EUA. Na viagem de
navio, como uma tempestade lhes sobreveio, teve medo de morrer. Acabou notando
que havia no navio um grupo de pessoas que não temiam a morte. Esse grupo
cantava e orava alegremente no momento da tempestade. Essas pessoas eram os
Irmãos Morávios (os mesmos que receberam a influência dos paulicianos no século
XII). John aprendeu muito com esse grupo e, provavelmente, foi por eles
batizado.
Neste mesmo ano John encontrou-se com George Whitefield. George convidou-o para
participar de uma pregação ao ar livre. Carlos também se juntou ao grupo. Assim
os três iniciaram um reavivamento na Igreja Anglicana. John Wesley nunca rompeu
com a igreja da Inglaterra. Ele não queria formar uma nova religião. Contra sua
vontade, no ano de 1784, formou-se a Igreja Metodista na cidade de Baltimore,
nos EUA.
Os metodistas nunca perseguiram os batistas. Na verdade, o seu começo está
ligado a pessoas que realmente tiveram uma transformação em suas vidas. O erro
desta igreja é que conservaram o sistema Episcopal da Igreja Anglicana e o
costume de batizar crianças.
CAPÍTULO X.B
A
HISTÓRIA DAS IGREJAS ERRADAS, APÓS A EXCLUSÃO
A IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA
OS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
A ORIGEM DA
IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA
A Igreja Adventista tem duas origens distintas. A primeira está ligada
ao nome ADVENTISTA. Não era para ser uma nova igreja, mas era uma crença na
segunda vinda de Cristo pregada pelo pastor Guilherme Miller. A segunda está
ligada ao nome Sétimo Dia, totalmente contrária a fé de Miller e implantado por
uma mulher chamada Ellen G. White.
A crença do adventismo foi iniciada em 1818, por Guilherme Miller, um
fazendeiro americano. Sua família foi toda batista. Havia entre seus primos
alguns que eram pastores batistas. Mesmo assim desviou-se em 1810, e só
regressou depois de ter servido o exército em 1814. Ao receber Jesus [como
Salvador pessoal e como Senhor absoluto], mergulhou ele num profundo exame da
Bíblia. Atraíram-no particularmente as passagens de Daniel e do Apocalipse,
levando-o a investigar a data mais provável do fim do mundo.
Já em 1818, fixara Miller a data do fim do mundo (ou advento, de onde vem o
nome adventistas), para o ano de 1843. Diz ter ouvido uma voz interior que lhe
insistiu: "Vá e di-lo ao mundo". Desde então, ajudado por muitas
igrejas batistas, metodistas e congregacionais, proclamava o ADVENTO. Pregou o
advento durante dez anos por toda a costa oriental dos EUA. Muitos de seus
ouvintes começaram a pregar também. Assim o advento se espalhou como uma febre
epidêmica.
Pessoas houve que começaram a preparar o vestuário para o dia da ascensão.
Passando o ano de 1843 sem o fim do mundo, o profeta Miller marcou-o para o dia
21 de Março de 1844. Neste dia, milhares de pessoas, vestidas de branco,
passaram a noite toda esperando Jesus. Foram decepcionados. Miller descobriu
que estava errado. Voltou à sua congregação e pediu desculpas por tão grave
erro. Até voltou a ser um pastor batista. Infelizmente, o mesmo não se deu com
alguns de seus seguidores, que, a partir de 1844, formaram o movimento do
ADVENTISMO.
De 1844 a 1860, os seguidores de Miller, sendo uma boa porcentagem deles
batistas excluídos, foram conhecidos apenas como adventistas. Continuaram na
insistência por datas. Quase uma por ano até o ano de 1877.
Entre os fiéis seguidores de Miller estava a senhora Ellen G. White, que,
depois de ver fracassadas outras tentativas de marcação de datas, afirmou ter
tido visões dos céus que lhe revelara toda a verdade. Afirmava ela que o
santuário de Daniel 8:13-14, está no céu e não na terra.
13 Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele tal que
falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da
transgressão desoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a
fim de serem pisados ?14 E ele me disse: Até duas mil e
trezentas tardes e manhãs; então o santuário será purificado.
Cristo teria
vindo em 22 de Outubro de 1844 a esse santuário celestial. A próxima visão de
Ellen foi sobre a guarda do sábado, de onde surgiu o complemento do nome
Adventista do Sétimo Dia. Diz a Sra. White que teve uma visão onde havia uma
arca no céu e nela estavam escritos os dez mandamentos. Dos mandamentos se
destacava o quarto, porque se apresentava dentro de um círculo de luz. Entendeu
ela que esse mandamento precisava receber maior atenção que os outros. Sua
mensagem foi aceita pelos membros do adventismo e foi assim que surgiu a Igreja
Adventista do Sétimo Dia.
A ORIGEM DOS
TESTEMUNHAS DE JEOVÁ
Esta seita foi formada por um homem que sentia verdadeiro ódio pelas
comunidades cristãs. Seu nome era Charles Taze Russel, nascido na Pensilvânia
em 1852. De origem presbiteriana, passou pela igreja Congregacional e se tornou
membro da nova seita, a dos adventistas do sétimo dia. Durante muito tempo foi
um verdadeiro fã do adventismo. Tomando o seu próprio caminho, começou a fazer
estudos bíblicos semanais com um grupo composto inclusive de pessoas de outras
igrejas evangélicas. Não demorou muito, lançou sua própria profecia, em nítida
semelhança ao fundador do adventismo: "A segunda vinda de Cristo se daria
em 1914".
Logo começou a discordar de muitos pontos doutrinários dos adventistas e, em
1872, reunindo alguns simpatizantes de suas ideias, começou a organizar o
movimento que hoje é conhecido como "Testemunhas de Jeová". Antes
desse nome tiveram muitos outros. Somente entre os anos de 1917 a 1926, mudaram
suas doutrinas nada menos que 148 vezes. Negam que Jesus é Deus. Dizem que o
Espírito Santo não é uma pessoa inteligente. Jesus seria o arcanjo Miguel
[portanto, criado por Deus, não eterno, não criador]. Não existe inferno, além
de muitas outras heresias que só eles mesmos para acreditar. Pior: como tudo
que é errado, tendem a crescer cada vez mais.
CAPÍTULO X.C
A
HISTÓRIA DAS IGREJAS ERRADAS, APÓS A EXCLUSÃO
Os Pentecostais
Os Neo-Pentecostais
Os Carismáticos
OS
PENTECOSTAIS
[Segundo alguns pentecosttais,] as primeiras manifestações pentecostais
podem remontar até ao século XVIII, quando o metodismo foi implantado. Wesley,
ao comentar algumas pessoas que entraram em êxtase em um de seus cultos
comentou: "Essas manifestações podem ou não ser verdadeiras".
A ORIGEM DO
PENTECOSTALISMO
O primeiro grupo de pentecostais era constituído de pessoas que antes
eram membos de igrejas Holiness [Santidade] Wesleyanas - um grupo de metodistas
- e, em muitos casos, de pessoas que, por terem se renovado, tinham saído,
tinham deixado suas igrejas (batistas, metodistas, presbiterianas). O primeiro
grupo enfatizava o falar em línguas estranhas como [indispensável] evidência do
Batismo no Espírito Santo. Em termos de data, foi provavelmente a abertura do
Bethel Bible College em Topeka, Kansas, dirigido por Charles Parhan, em outubro
de 1900.
Em primeiro de Janeiro de 1901 os alunos deste colégio estavam estudando a obra
do Espírito Santo, e uma das alunas, Agnes Osman, pediu aos seus colegas que
lhe impusessem as mãos para que ela recebesse o Espírito. Ela falou em línguas,
e mais tarde, outros estudantes falaram em línguas também.
Parhan abriu outra escola em 1905, na cidade de Houston, Texas. Foi de lá que
William J. Seimor, um aluno negro, ao receber o mesmo dom, tornou-se mais tarde
o líder de uma missão no número 312 da Rua Azusa em Los Angeles, no ano de
1906. Falar em línguas se tornou comum nessa missão. Pessoas que vinham
visitá-la tiveram experiências similares e levaram a mensagem para outros
países. Pode-se dizer que a Missão da rua Azusa é a mãe do pentecostalismo
mundial. Essa missão chamava-se "MISSÃO APOSTÓLICA DA FÉ". Este nome
durou até 1914 quando foi mudado para "ASSEMBLÉIA DE DEUS".
Muitos jovens pregadores e aspirantes a pregadores iam ter com William J.
Seimor para receber os dons. Foi assim que Gunnar Vingren e Daniel Berg, os
fundadores da Assembléia de Deus no Brasil, tornaram-se pentecostais em 1908,
Em 1907, um pastor chamado William H. Durhan, recebeu de Seimor os dons. Durhan
abriu sua própria missão também em Los Angeles. Ficava na North Ave, 943. Foi
nesta missão que Louis Francescon, futuro fundador da Congregação Cristã do
Brasil, recebeu os seus dons.
OS
PENTECOSTAIS NO BRASIL
O pentecostalismo no Brasil se divide em três grupos distintos que
surgiram em três épocas diferentes. São eles:
- Os pentecostais históricos que surgiram na primeira década deste século
(Assembléia e Cristã).
- Os pentecostais da segunda Geração, surgidos a partir da década de 50
(Quadrangular, Brasil para Cristo, Casa da Benção, Deus é Amor); e
- Os neopentecostais, surgidos a partir da década de setenta, sendo a principal
a Universal do Reino de Deus.
A ORIGEM DA
CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL
A Congregação Cristã foi a primeira igreja pentecostal a se instalar no
Brasil. Foi fundada no Brasil pelo missionário Louis Francescon, um italiano
nascido em Cavasso Novo, Udine. Veio para os EUA em 1890. Lá se tornou
presbiteriano em 1891. Nessa igreja chegou a ser diácono e, na ausência do
pastor, causou distúrbios à fé presbiteriana, indo-se batizar por imersão
juntamente com outros 18 membros. Um irmão de sua igreja batizou-os em 1903,
mesmo não sendo ordenado para o ato. Em 1907 recebeu os dons na Igreja de
William H. Durhan. Nesta mesma igreja foi-lhe revelado que deveria pregar à
colônia italiana, o que fez com presteza.
Francescon visitou a Argentina em setembro de 1909 e em janeiro de 1910. Chegou
ao Brasil em março de 1910 na cidade de São Paulo. Através de um contato direto
foi parar em Santo Antônio da Platina, Paraná, onde organizou sua primeira
igreja no Brasil com colonos italianos. Foram onze ao todo. O crescimento desta
igreja foi tímido até o meado dos anos 50. A partir desta data cresce
expressivamente. No Sul e Sudeste do pais, muitas igrejas do interior que
professavam a fé presbiteriana foram alvos de renovação por parte dos adeptos
da Congregação.
Interessante é notar o dom de línguas que possuía. Em seu diário ele diz que
por suas mãos muitas pessoas conseguiram estes dons. Mas acaba entrando em
contradição na página 23 do mesmo. Lá ele diz: "Outra dificuldade que
encontrei foi não conhecer uma palavra do idioma portuguesa, se achar sem
dinheiro, e doente". E o dom de línguas que possuía, servia para que?
A ORIGEM DA
ASSEMBLEIA DE DEUS NO BRASIL
Em 19 de Novembro de 1910 chegaram ao Brasil dois pastores. O primeiro
era Gunnar Vingren, um ex-pastor batista que fora excluído do ministério pela
Igreja Batista de Michigan. O segundo era Daniel Berg que também fora excluído
da comunhão batista. Depois de receberem os dons de William Seimor, e para
atender a um sonho de um irmão chamado Adolf Uldin, vieram para o Brasil.
Chegando em Belém de Pará se apresentaram a Eurico Nelson, um missionário
batista no Amazonas. Identificando-se como batistas, ofereceram-se para ajudar
no trabalho e pediram hospedagem. Como não tinham carta de recomendação, e nem
podiam ter pois eram excluídos, o missionário deixou-os usar o porão da igreja
como casa.
Logo depois Eurico Nelson precisou viajar para o sul. Essa viagem deu
oportunidade para que os dois recém chegados pedissem ingresso na igreja,
declarando-se membros de uma igreja nos Estados Unidos. Vingren declarou sua
condição de pastor e a igreja recebeu-os com alegria. Como não sabiam falar
português e nem os membros inglês - com exceção de um - tudo ficou muito fácil.
Nota-se uma certa desonestidade em como eles conseguiram a entrada na igreja.
Primeiro que não falaram que eram membros excluídos. Depois, porque não
esperaram a volta do pastor titular que, naquele tempo, tinha que fazer a
viagem de Belém de Pará ao Sul de navio, e levaria meses para voltar.
Os dois foram mais desonestos ainda quando começaram a fazer cultos no porão da
igreja. Só alguns membros eram convidados e as reuniões começavam após o término
dos cultos regulares da igreja. Nessas reuniões havia estranhas línguas e
estranhos ruídos. Alguns membros da igreja começaram a adotar as ideias dos
falsos irmãos. Aumentando o número e chegando ao ponto de haver manifestações
pentecostais numa reunião de oração da igreja, o evangelista Raimundo Nobre
convocou, com o apoio da maioria dos diáconos, uma sessão extraordinária, e os
adeptos de Vingren e Berg foram excluídos. Ao todo foram treze pessoas
excluídas. (dezenove segundo o MP 06-96). No meio deles estava o moderador da
Igreja, substituto direto de Eurico Nelson, José Plácito da Costa, homem culto
e o provável tradutor das mensagens pentecostais nas reuniões do porão. A
igreja contava com 170 membros, assim, é estranho que o historiador pentecostal,
Emilio Conde, diga que a minoria excluiu a maioria.
Vingren e Berg não pararam por aí. Continuaram a fazer o trabalho de
proselitismo dentro das igrejas batistas. Percorreram o Brasil inteiro na busca
de novas renovações. Pode-se dizer que em muitos casos foram bem sucedidos. O
próprio Vingren afirma em seu diário que: "Por onde íamos, buscávamos nas
igrejas e nas casas dos batistas infundir o novo batismo". Este novo
batismo constituía de doar aos crentes já convertidos o dom de línguas.
Nisso Vingren também entra em contradição na questão dos dons de língua. Ele
considerava-se o doador do dons de línguas a muitos crentes. Pois bem. Na
página 34 de seu diário ele relata: "Agora, com esforço começamos a
estudar a língua, e durante esse tempo participamos dos cultos da Igreja
Batista. Por não termos dinheiro para pagar as aulas, Daniel teve de conseguir
um emprego na fundição. Ali ele trabalhava de dia, enquanto eu estudava o
idioma. Depois eu lhe ensinava de noite o que aprendera de dia. Assim, com esforço
aprendemos o português." Esse foi o mesmo erro de Francescon. Que dom era
esse que não foi usado para o fim que a Bíblia deixou, pois, em Atos 2, diz que
as línguas faladas pelos apóstolos coincidia com a necessidade de cada ouvinte;
os romanos ouviram [palavras pronunciadas] em Latim. Os gregos ouviram
[palavras pronunciadas] em grego. E nenhum dos apóstolos teve que entrar na
escola para aprender idioma nenhum. Em 1911 os dois fundaram a Missão de Fé
Apostólica que, posteriormente, mudou de nome para Assembléia de Deus.
Cresceram muito após a década de 50 e são hoje o maior grupo de pentecostais no
Brasil, chegando a mais de três milhões de adeptos.
A ORIGEM DOS
PENTECOSTAIS DA SEGUNDA GERAÇÃO
A partir de 1950 multiplicou-se o número de denominações pentecostais.
Esse fato deve-se principalmente às incentivadas cruzadas nacionais de
evangelização que percorreram todo o país. Usavam-se tendas como templos
improvisados e grandes anúncios nas rádios da época. Esse período é conhecido
como a segunda geração de pentecostais.
Foi assim que nasceu a IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR. Ela foi fundada no
Brasil pelo missionário americano Harold Williams em 1953 na cidade de São
Paulo. Foi inovadora em alguns pontos cruciais do pentecostalismo. Não eram tão
intransigentes no uso da roupa e do cabelo como os membros da Assembleia de
Deus e os membros da Congregação Cristã do Brasil. Seus cultos eram ainda mais
desorganizados que o de seus antecessores. Deixando a recomendação de Paulo em
I Tm 2:8-13, atropelaram as escrituras e ordenam mulheres para o ministério,
dando a estas o título de pastoras. Seus templos estão situados principalmente
no Sul e Sudeste do país.
8 Desejo, pois, os varões orarem em todo o lugar, levantando
mãos santas, sem ira nem questionamentos.9 Do mesmo
modo, também aspiro as mulheres ataviarem a si
mesmas em vestido decoroso, com pudor e sobriedade- autocontrole, não com
tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestuário caro,10 Mas, sim, (como convém a mulheres que estão professando o temor-
a- Deus) através de boas obras.11 A mulher aprenda em silêncio, em toda a sujeição.12 Ademais, não permito mulher ensinar, nem usar de autoridade sobre varão,
mas , sim, estar em silêncio,.13 Porque
primeiramente foi formado Adão, depois Eva,
A febre do pentecostalismo estava a toda nessa época. Em 1956 o ex-pastor
assembleiano e depois quadrangular, Manuel de Melo, iniciou uma divisão nestas
duas igrejas. Dessa divisão surgiu a IGREJA "O BRASIL PARA CRISTO".
Esta igreja foi um pouco mais rígida que a quadrangular e um pouco menos
exigente que a Assembléia. Seu crescimento foi espantoso. Na época áurea de
Manuel de Melo ele chegou a ordenar mais de trezentos pastores num só dia (a
maioria ex-presbíteros da Assembléia de Deus). Chegaram a ter o maior templo
protestante no Brasil na cidade de São Paulo. Seus programas de rádio eram
largamente ouvidos em todo o país. Chegaram a ter mais de um milhão de membros.
Na última pesquisa feita o número foi de 197.000. Com a morte do missionário o
trabalho deixou de ter o crescimento expressivo que marcou o seu início. Tem
perdido muitos membros para as divisões das assembléias e para os
neopentecostais.
As igrejas pentecostais continuaram a rachar. Em 1960 surgiu a IGREJA NOVA VIDA
no Rio de Janeiro. O missionário David Martins Miranda, que tem origem
assembleiana, deixou-a e fundou a IGREJA DEUS É AMOR em 1962. Esta igreja ainda
está em ascensão [numérica]. Cresce muito entre a população mais carente do
país. O fato de seu fundador e líder ainda estar vivo ajuda muito à sua
propagação. Seus programas de rádio têm grande audiência na camada mais pobre,
e principalmente, nos moradores da zona rural. Muito parelha a esta igreja em
doutrinas e costumes a IGREJA "SÓ O SENHOR É DEUS", que tem como fundador
o missionário Miranda Leal ( Que dizem ser primo de Davi Miranda). Esta igreja
que tem a sua sede em Maringá, no Paraná, e seus templos, quando construídos
por Miranda Leal, tem a forma de uma Arca, como a de Noé. Em 1964 surge A CASA
DA BENÇÃO, fundada pelo missionário Doriel de Oliveira. É quase inexpressiva
nas cidade de pequeno porte, mas é bem representada nos grandes centros. Esta
igreja até hoje costuma usar tendas improvisadas como templos para iniciar seus
trabalhos.
OS
NEOPENTECOSTAIS
Neopentecostalismo é o nome que se dá aos pentecostais da terceira
geração. São assim chamados porque diferem muito dos pentecostais históricos e
dos da segunda geração. Realmente, é um novo pentecostalismo. Não se apegam a
questão de roupas, de televisão, de costumes, e têm um jeito diferente de falar
sobre Deus. Dualizam o mundo espiritual dividindo-o entre Deus e o Diabo. Para
eles o mundo está completamente tomado por demônios, e é sua função
expulsá-los. Pregam a prosperidade como meio de vida. Pobreza é coisa de Satanás.
Doença só existe em quem não acredita em Deus e sua origem é o demônio. Seus
cultos são sempre emotivos objetivando uma libertação do mundo satânico. Em
muitos pontos pode-se dizer que suas doutrinas são bem parecidas com as
doutrinas das religiões orientais, tais como Seicho-No-Ê, induísmo e budismo.
Para eles o crente não pode sentir dor, ser pobre ou estar fraco.
Este movimento começou no início da década de setenta. Seu crescimento deve-se
muito aos programas de rádio e televisão, os quais, devido ao anúncio de curas
e milagres, tiveram uma grande audiência. Seus ouvintes e telespectadores
geralmente são recrutados para dentro de suas igrejas. O sistema de testemunho
é forte, e isso certamente encoraja outros a tomar o mesmo caminho.
No Brasil a maior igreja neopentecostal é a UNIVERSAL DO REINO DE DEUS (IURD).
Já conta com mais de dois mil templos em todo o Brasil e é a terceira maior
igreja evangélica do país, ficando atrás apenas da Assembléia e da Congregação
Cristã. Fundada em 1977 pelo bispo Edir Macedo, tem procurado estabelecer um
sistema episcopal como o católico. Possui um forte esquema de comunicação
(rádio, televisão, jornal, internet), que é sem dúvida o fator de peso na
divulgação e crescimento de seus trabalhos.
Depois da Universal, a maior igreja neopentecostal no Brasil é a IGREJA
INTERNACIONAL DA GRAÇA. Esta igreja foi fundada em 1980 pelo missionário R. R.
Soares no Rio de Janeiro. Na intenção de imitar o trabalho de Kenneth Hagen (um
dos maiores apresentadores de igrejas televisionadas dos EUA), Soares investe
muito na apresentação de seus programas [na televisão]. Outra Igreja forte no
ramo neopentecostal é a RENASCER EM CRISTO, que trabalha principalmente com a
camada alta da sociedade. Há pouco tempo quase comprou uma rede de Televisão. A
tendência é crescer. Seu fundador se auto declarou "apóstolo".
AS DIVISÕES DO
PENTECOSTALISMO
O pentecostalismo é um mal.
- Primeiro, porque causa divisão.
- Segundo, porque causa confusão.
Só no Brasil são mais de duas mil denominações registradas em cartório como
autênticas pentecostais. Por exemplo: A Assembléia nasceu em 1910. Só que hoje
existem diversas Assembléias e todas nascidas de um racha dentro de outra
Assembléia. A Congregação Cristã é uma renovação da igreja presbiteriana. Mas
hoje já existe a Congregação Cristã Renovada. Esse tipo de comportamento só
serve para causar confusão. O método de aceitar membros de qualquer outra
igreja, sem saber qual era sua vida na sua igreja de origem, faz com que
prevaleça a desordem e a descrença denominacional.
Os pentecostais alegam que o aparecimento do Espírito Santo dentro das igrejas
surgiu como resposta de Deus ao modernismo teológico (MP pg 04, 06-96). Quer
dizer que o Espírito Santo tinha sumido das igrejas por quase dois mil anos? Poucos
sabem, quando afirmam uma coisa dessas, que quando os pentecostais estavam
renovando os trabalhos batistas no começo do século, estes mesmo "crentes
frios", estavam dando suas vidas em campos missionários de todo o mundo.
Antes de dividir as igrejas de Jesus seria bom que lessem Provérbios 6:19.
A testemunha falsa que profere
mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.
OS BATISTAS
RENOVADOS
A renovação das Igrejas Batistas no Brasil como denominação começou no
ano de 1958. Desde esta data até o ano de 1965, quando realmente houve a
divisão, muitas reuniões foram feitas no intuito de evitar o racha nas igrejas
batistas de todo Brasil.
O iniciador do movimento divisório nas igrejas batistas do Brasil foi um pastor
da Igreja Batista de Vitória da Conquista chamado José Rego do Nascimento. Era
um grande orador e logo conseguiu fazer fileiras e conquistar algumas pessoas
de nome para o seu movimento. Foi o caso do pastor Enéias Tognini, pastor da
Igreja Batista de Perdizes. Essa união de forças levou o caso a ser analisado
várias vezes. Houve muitas reuniões de um comitê organizado para este fim,
formado por 11 membros, buscando uma solução conciliadora para a questão
pentecostal dentro das igrejas batistas. A decisão estabeleceu que: "A atuação
do Espírito Santo na vida dos crentes se faz através de um processo chamado
santificação progressiva; que manifestações emotivas, por mais sinceras que
sejam, não podem ser apresentadas como um padrão a ser seguido por todos; que a
ênfase dada a doutrina do batismo no Espírito Santo tem causado reuniões
barulhentas, carregadas de emocionalismo e provocado manifestações de orgulho
espiritual, bem como proselitismo de crentes que não adotam tais idéias."
Isso aconteceu em 1963.
Em 1965, ao realizar-se a Convenção em Niterói, com 3.035 mensageiros, as
preocupações maiores era a grande Campanha de Evangelização marcada para o
mesmo ano. No plenário mais uma vez surgiu o problema da renovação. O
presidente, vendo que isso atrapalharia a campanha, pediu que a questão fosse
resolvida no ano seguinte. Porém a intransigência dos reavivalistas foi tanta,
que precisou ser resolvida naquela convenção. Decidiu-se então por excluir da
comunhão as igrejas renovadas. Só naquele ano mais de trezentas igrejas se
rebelaram e tiveram que ser excluídas. Juntas, formaram uma convenção a qual
denominaram CONVENÇÃO BATISTA NACIONAL. Assim, pela primeira vez, houve uma
divisão entre os batistas brasileiros como um grupo.
OS
CARISMÁTICOS
O movimento pentecostal iniciado em 1900 por Parhan conseguiu invadir
todas as denominações antigas (batistas, presbiterianas, congregacionais,
metodistas, etc.). Até então falar em línguas era para os pregadores
pentecostais uma resposta de Deus condenando as denominações tradicionais.
Todos os grupos renovados que saiam de suas igrejas originais condenavam os que
não aceitavam o pentecostalismo. De repente o mundo pentecostal teve uma
surpresa. Essa surpresa foi a chegada dos pentecostais católicos, ou
CARISMÁTICOS.
No início de 1960, explodiu a mania carismática nas antigas denominações
Episcopais da Califórnia. Seu líder principal foi Dennis Bennet de Van Nuys. Um
discípulo dele, Jean Stone, espalhou o seu ensino através da revista Trinity
entre os anos de 1961-66. Por esse mesmo período, Larry Christensen liderou o
avivamento carismático entre as igrejas luteranas nos E.U.A.
Em 1967, foi a vez da Igreja Católica Romana formar seu grupo de carismáticos.
Tudo começou num retiro de universitários na Universidade [católica] de
Duquesne, Pittsburgh. Houve muitos que falaram em línguas naquele retiro. O
primeiro grande líder dos carismáticos Católicos parece ter sido Ralph Keifer.
Em fevereiro de 1967, ele levou a mensagem carismática para a Universidade
[católica] de Notre Dame [South Bend,
Indiana], e muitos alunos e professores falaram em línguas.
De princípio, tanto os pastores pentecostais como padres católicos condenaram o
mais novo movimento pentecostal. Na verdade, os padres até tinham uma certa
razão, pois [pentecostalismo] era um ensino totalmente contrário as doutrinas
do Vaticano. Já os pastores pentecostais condenavam [os carismáticos,
católicos] mais por ciúme, afinal, a grande vantagem de falar em línguas, que
foi a bandeira dos pentecostais por mais de seis décadas, estava agora na boca dos
idólatras católicos. A diferença dos carismáticos com os pentecostais é:
- Primeiro que carismáticos se renovam e permanecem nas suas próprias
congregações, enquanto os pentecostais históricos dividiam as igrejas.
- Os carismáticos usualmente pertenciam à classe média, são separatistas,
urbanizados, de tendência ecumênica e pluralistas em sua teologia. As igrejas
pentecostais clássicas eram originalmente constituídas de operários e eram
barulhentas em seus cultos. Na questão de barulho os carismáticos atuais já
alcançaram seus primos pentecostais clássicos.
- Os carismáticos são idólatras e os pentecostais não.
No demais, são bem parecidos.
Os carismáticos católicos só conseguiram o agrado do Papa - não o aval - em
1975. Neste ano o movimento reuniu dez mil carismáticos em Roma. Num
pronunciamento ecumênico o Papa Paulo falou simpaticamente à assembléia. Foi
uma vitória ao movimento carismático. De princípio, João Paulo II não aprovou
muito o movimento. Mas atualmente ele é favorável, principalmente porque os
carismáticos já se organizaram em quase todo o mundo, e, no Brasil, que é o
maior país Católico do mundo, o movimento está esparramado em quase todas as
suas paróquias. Para dizer com mais sinceridade, é o movimento carismático que
está conseguindo deter o movimentos pentecostal e neopentecostal na América
Latina, que aliás, é o grande reduto católico do mundo.
A grande pergunta é:
- Estavam certos os pentecostais em condenar o movimento tradicional?
- Que dizer de uma pessoa que acredita em purgatório, santos e imagens, cultos
aos mortos, adoração de Maria, entre outras barbaridades, falar em línguas
também?
É preciso ter muito cuidado quando falamos desse assunto. Mais uma coisa é
certa. O pentecostalismo só causou divisão nas igrejas. No princípio, quando as
igrejas são rachadas, sempre fica a mágoa e a rixa dos grupos divididos. E isso
eu posso afirmar com certeza, que tudo que divide o corpo de Cristo não é do
agrado de Deus.
Se você deseja saber mais sobre a origem das igrejas cristãs escreva para:
Autor: Pastor Gilberto Stefano
Igreja Batista da Fé,
Rua Jamil Dib Lufti, nr. 165
Jardim Santa Clara
17500-000 Marília, São Paulo
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br